Quarta-feira, 12 de Junho de 2013

.Das viagens

Fizemos uma das viagens da nossa vida a Itália no mês que passou. Conhecemos Roma, Florença e Veneza em sete dias, numa correria boa. Uma semana antes descobrimos que estava a começar a grande viagem da nossa vida, o que nos obrigou a abrandar ligeiramente o passo e a provar a boa cozinha italiana a horas certas. Contamos agora treze semanas e alguns dias de enjoos, medos, refeições fora, mas de uma felicidade sem comparação. Na semana passada fomos formalmente apresentados, eu e o Z. a seis centímetros de gente. Esperneou e esbracejou durante toda a ecografia, e fez-me cair umas lágrimas valentes. Isto de ser mãe e pai é uma preocupação desde o primeiro dia em que se sabe, mas fez-nos descobrir já um amor maior do que todos os que conhecíamos. Começou a grande viagem.

 

 

 

 

 

Sexta-feira, 17 de Agosto de 2012

.Casa

Em Março, a notícia de que iria estar três meses sozinha em casa deixou-me mais triste do que eu poderia alguma vez imaginar. Fiz planos, tantos planos, para sobrepor àqueles que tinha já planeado para a casa onde estávamos a morar apenas desde Janeiro. Uma casa nova, num prédio velho, tão minha quanto nenhuma outra tinha sido. Tudo tão ao meu jeito, tão perfeita, tão nossa. Acabei por não estar sozinha. Mais triste, com o pensamento mais longe, mas nunca sozinha. Os amigos, a família, foram chegando, um a um, às vezes muitos ao mesmo tempo, semana após semana. Tudo ajudou o tempo a passar. Os jantares com a madrinha, a semana com a mana, outra com a afilhada, as mensagens da T., da V., da prima Mina, a companhia diária da A., os telefonemas dos pais e das avós a toda a hora, o saber que o Z. voltaria, em três meses, àquela casa, tão nossa, aos nossos planos a dois. Não passaram sem doer, mas acabaram por passar. E o Z. voltou e voltámos aos nossos dias e dei por mim a pensar que os dias passam a uma velocidade maior do que eu gostaria. Pensei aquilo que penso tantas vezes quando quero muito que chegue uma coisa, “sem pressa, L., daqui a pouco vais estar lá com saudades deste dia, aproveita”.

Podia apontar uma data de defeitos à casa, a mim, ao Z., a nós, mas são também eles que nos tornam, a nós e à nossa casa, naquilo de que eu gosto. Podia falar da banheira mal posta, do silicone a sair, da porta velha, dos móveis com buracos ou grandes de mais, das vizinhas de baixo que se enganam e tocam à nossa campainha às 05:00 da manhã, mas tudo isso faz parte da nossa casa. Podia falar das nossas discussões, desentendimentos, momentos de apatia. Mas tudo isso faz parte de nós, e termina sempre num abraço apertado com um beijo demorado. Preciso desses defeitos, todos os dias, nestes que passam a correr, e que terminam no sofá da nossa casa, com a minha cabeça no ombro que mais gosto.

E os dias passaram, e as tão desejadas férias chegaram. Uma semaninha apenas, primeiro, para ver, finalmente, Barcelona e para as festas da terrinha. E foi tudo tão bom. Conhecer coisas, depois estar com os meus e com tudo aquilo a que um dia se resumiu a minha vida. Foi no domingo à noite, quando abri a porta e senti o cheiro da nossa casa, o nosso cheiro, que percebi, uma vez mais, que a minha mãe tem sempre razão. O nosso coração é sempre dos nossos, dos que nos amam e fizeram crescer, mas um dia muda-se de malas e bagagens para a nossa casa. E a minha é ali. Naquele prédio velho, naquela casa nova, no Z.. A minha casa é ali quando lá estamos juntos, a minha casa somos nós.

 

E agora que venham mais duas semanas de férias. Que venha a Curia e o Alentejo do Z.. A vontade é grande, ainda que tenha de confessar que já estou com saudades dela, da nossa casa.

 

Sexta-feira, 2 de Setembro de 2011

.Considerações finais

Já trabalho há alguns anos e o começo foi duro – entre outras coisas más, os recibos verdes só permitiam uma semana de férias por especial favor. Agora, com cerca de um mês para tirar, trato sempre estes dias com muita estima, e faço por dividi-los da melhor forma pelo ano inteiro. Nada de três semanas seguidas (esta modalidade em que nos inseriram só tem mesmo isto de bom), que intervalado é muito melhor. Estive uns dias de férias, por Londres e no Andanças, voltei ao trabalho, depois fui para a Curia, voltei a trabalhar esta semana, e na próxima volto a estar de férias. Já tive passeio, descanso, agora quero Alentejo e praia. Vou aproveitá-los bem, porque as próximas férias são só depois do Natal – vamos conhecer Barcelona. O .se perguntarem por mim digam que voei também vai de férias, para se despedir desta espécie de Verão. Voltamos dentro de uma semana.

 

.A Cúria foi (é)…

Comida boa…

Estão relacionadas com a comida algumas das nossas muitas regras: comer sopa uma vez por dia, não esquecer o leite ou iogurte ao pequeno-almoço, comer pelo menos uma vez leitão e visitar a pizzaria da Mealhada. Ainda temos a noite do cachorro: passamos pelo supermercado de lista na mão e entramos cheios de sacos no hotel. Este ano reservaram-nos uma suite, com uma mesa gigante, perfeita para a noite do cachorro. Ou não fossemos nós já clientes habituais - destes sítios todos.

 

Praia…

Começámos a visitar Mira ainda no tempo em que os pais nos levavam para a Curia. Agora já vamos sozinhos, mas não esquecemos a visita à praia. A bandeira está sempre vermelha, não há banho para ninguém, mas é sinal de gaivotas, marisco e passeio. Encontrámos este milho pelo caminho e não resistimos a parar.

 

Cinema…

O ano passado, enquanto eu tentava dividir os nossos muitos planos pelos poucos dias, a Ma. saiu-se com um “para vocês é despachar, para mim é aproveitar”. Mas é aproveitar para todos. Os planos incluem sempre uma ida a Aveiro ao cinema. Este ano conseguimos pôr uns óculos de 3D na avó – vimos os Smurfs, que dava para todas as faixas etárias. Nesse dia, mais à noite, parámos os jogos do Uno e do Trivial e fomos ao bar do hotel, onde encontrámos o primo F. e o namorado da mAna assim, nesta figura, em frente à televisão a ver o futebol, com os óculos 3D.

 

Exercício…

Com tudo o que comemos, é preciso fazer algum exercício para que a balança continue amiga no final das férias. Gaivota, passeio pelo parque, piscina e nada de elevador (esta última parte é mesmo só para mim, para o Z. e para a Ma.). Até este ano, eu e o Francisco detínhamos o recorde de idas ao ginásio pela manhã – todos os dias. Este ano o cansaço não me permitiu, e ainda me obrigou a dormir a folga todos os dias. Já diz a minha avó que o senhor que inventou o descanso deve ser muito bem tratado no céu.

 

Radical…

A primeira e principal regra da Curia diz que “onde vai um vão todos”. O membro mais novo do grupo tem 13 anos, a avó já passou dos 70, e há que agradar a todos. Este ano, para fazer a vontade ao primo F., fomos até ao kartódromo de Oiã. No vídeo que a mAna e a Ma. fizeram só se ouve “a minha irmã é uma tartaruga – olha, já a estão a passá-la outra vez”. Era a minha primeira vez, e logo entre três matulões que disputavam o lugar no pódio. Resolvi aproveitar, à tartaruga.

 

 

Compras…

Dia de cinema é dia de compras em Aveiro. Os meninos fogem para a livraria ou para comer uma tripa com ovos moles (a mAna cola-se a eles), o resto corre todas as lojinhas do Fórum. Nos outros dias dedicamo-nos às lojinhas da Curia, e à terça é dia de feira de antiguidades, no Jardim, onde comprei estes brincos. A senhora da farmácia deve ser uma grande fã nossa – não há dia em que a gente não passe lá para comprar qualquer coisa: Cicalfate para a ferida da avó (que caiu na festa), comprimidos para o herpes no olho da mana, creme para os pés da Ma., e coisas várias para a constipação que só deixou o primo F. de fora. Passamos todos os dias pelas lojas das amigas da avó, que nos conhecem à distância, e até estranham quando vamos mais tarde para as férias. Também somos grandes clientes do senhor do Euromilhões / Raspadinhas e da senhora da papelaria – mas estes não são nossos fãs, podemos deixar lá este mundo e o outro, mas, em tantos anos, nunca recebemos um sorriso de volta. Não faz mal, continuamos a passar por lá todos os dias.

 

 

Amor…

De avós, de netos, de primos, de irmãos, de namorados. Uma das senhoras do hotel dizia ao pequeno-almoço: “Que engraçado, são todos netos? E vêm com a avó? Há quanto tempo? Aproveite, minha senhora, olhe que depois crescem, arranjam alguém, e já não querem vir”. Pois, pois. Ao grupo já se juntaram dois apêndices, candidatos a netos emprestados. E a tendência é para aumentar.

 

 

Avó T. ...

É também por ela que estamos aqui, neste mundo. Com 16 meses de diferença, trouxe à luz do dia o pai, que me teve a mim e à mAna, e o padrinho, que tem o Fr. e a Ma.. É por ela também que todos os anos estamos aqui, na Curia. E, lá, tudo gira à volta dela, ainda que nos diga sempre: “é como vocês quiserem”. Levamo-la ao cabeleireiro, à missa, estamos no hotel a tempo das novelas, não nos esquecemos das gotas, exageramos no mimo e fazemos massagens aos pés. Este ano demos-lhe uma lembrança pequenina, e, ainda antes de agradecer, disse logo: “quanto é que isto foi para eu vos dar o dinheiro? Na Curia pago eu”. É a nossa avó T..

 

Nós…

Juntos. Podia ser assim em qualquer outro sítio, mas nós acolhemos este como a nossa segunda casa. A Curia.

 

(senhores da Curia: não lhe façam mal. Já nos tiraram um bocadinho do coração quando derrubaram a casa ao lado do Vila Rosa para construir uns prédios horríveis, agora ouvimos dizer que, com as obras, vão tirar as árvores da minha estrada preferida para construir uma ciclovia. Não dá para fazer e deixar os plátanos? Agradecemos muito. E limpem o lago, que já precisa.)

 

Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011

.Considerações II

.Gosto do ritual das visitas aos doentes que ainda se mantém em terrinhas como a minha. O meu pai foi operado ao joelho há uns dias atrás, e lá vão chegando a casa pessoas para saber como está, para lhe fazer companhia um bocadinho ou só para dizer um olá. No domingo, depois de chegar da Curia, fui eu que abri a porta a uma dessas visitas. Era o senhor Ca., com nome e sorriso de galã, a quem ninguém dá 82 anos, e que chegou até ali no seu próprio carro. Enquanto bebiam uma qualquer bebida doce no sofá, lá foi intervalando as novidades do dia com as histórias de outros tempos, aqueles em que não havia cigana bonita que lhe escapasse, mesmo depois de comprometido. Gosto dele, do sorriso de dentes bonitos que às vezes esconde com a boina enquanto me diz “ai mana, naqueles tempos…”. Prometeu que nos levava pêssego ratinho com vinho branco, feito por ele, para provar um dia destes. Eu, como faço sempre que apanho assim alguém com tantas histórias, lá o ia espremendo, e perguntando coisas a que ele ía respondendo com o sorriso maroto que arrebatava as ciganas. Quase no final da conversa, numa pergunta minha mais matreira, a minha mãe avisou-o logo, “olhe que amanhã isso já está tudo no blog”. E teria sido assim, noutros tempos, que por estes ando 'desinspirada' para a escrita.

 

.O Jo. é meu amigo desde sempre. Das conversas, das saídas à noite, dos encontros da catequese, das festas, das mensagens, das danças, de tantas coisas. E sempre foi o meu amigo com maior sensibilidade para o mundo, para as artes, para as ideias, para as coisas. Da cabeça dele saíram coisas que ninguém imagina: festas, programas, roupas, prendas, eu sei lá. Até pode parecer que só está parado a olhar para qualquer lado, mas, nesse momento, está a magicar alguma – sempre em grande. Foi com alguma surpresa que me disseram que tinha, quase nos 40 anos de idade, levado um namorado à nossa terrinha. Surpresa só por isto: considero-me amiga à séria, e não percebi porque nunca se sentiu à vontade para nos (ao nosso grupo) contar. O Jo. encontrou uma barreira na família, em alguns amigos, na terra, e em tantos grupos que apoiou, e deixou tudo para trás – as festas, a Igreja, algumas pessoas. Eu, como fiz questão de lhe dizer assim que soube, fiquei feliz, tão feliz. Sei que quando gostamos de alguém queremos ter essa pessoa ao nosso lado em tudo, e deve ser difícil, tão difícil, não nos sentirmos com força para misturar o trinómio amor-família-amigos. O Jo. viveu quase sempre para os outros, e só vivia para ele aos bocadinhos. Fiquei tão contente por saber que o Au. o fez ganhar a coragem de contar ao mundo a verdade sobre quem lhe faz bater o coração. O amor torna-nos melhores ou piores pessoas, mais ou menos felizes, mas não define quem somos – somos sempre a mesma coisa. O Jo. não é diferente – de ninguém, nem do que foi até agora. E é por isso que tenho pena. Não pelo Jo., mas por todas as pessoas que lhe viraram as costas neste momento: não percebem que perderam o Jo., e pessoas como ele são especiais e raras. Eu tenho a sorte de ter o Jo. como amigo desde sempre. E só quero que assim continue. O que temos. E como ele está – feliz.

 

.Já falei sobre isto por aqui, mas a Bimby torna-me uma pessoa mais feliz – e quase pareço fútil ao dizê-lo. A nova descoberta lá de casa faz maravilhas à alma e não deixa peso na consciência: uma caixa de frutos vermelhos congelados, um iogurte natural açucarado acabado de sair do frigorífico e um minuto na velocidade 7. Se me dissessem que era um Santini nem desconfiava… Continuo sem receber qualquer comissão.

Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011

.Considerações

Estive de férias e não dormi mais do que cinco horas por noite. Regressei a precisar de férias – mas gostei tanto. Teve tudo o que importa: amor, família, amigos, danças, água, sol, petiscos.

 

Apaixonei-me por Londres. Gostei das ruas, das pessoas, das coisas. Adorei o mercado de Camdem (vestidinhos giros – trouxe dois, pessoas diferentes, comidas de todas as cores, negócios inimagináveis, …), o Museu da Guerra (a exposição “Pessoas normais podem ser heróis improváveis” tocou-me) e o Museu Geffrye (mobiliário e material de casa desde 1600 até 2000, com salas montadas para as várias décadas).

 

À segunda viagem juntos, eu e o Z. percebemos uma coisa: aquilo de que gostamos realmente nos países que conhecemos, ou melhor, o sítio onde passamos mais tempo é nas lojas de comida. Em Paris estivemos uma hora numa loja de congelados, espantados com a diversidade, desta vez perdemos a conta ao tempo – tantas coisas diferentes a preços espectaculares.

 

A máquina fotográfica avariou de vez na nossa volta no London Eye. Valeu-nos o telemóvel e uma máquina descartável. Assim que aterrámos em Lisboa a primeira coisa que fizemos foi comprar uma. Já foi trocada três vezes por motivos vários (histórias inacreditáveis), mas, como todos dizem, temos “um maquinão”.

 

Tentaram roubar o meu carro. É velhinho, de 98, mas não deixou – parece que tem uma defesa qualquer ao nível da chave. Ficou sem bateria de tanto tentarem levá-lo, e só esta semana voltou a funcionar. É um resistente. E fiel.

 

Levámos um coxo, de muletas, para o Andanças – fez um sucesso. Quero mais disto, foi tão bom: amor, família, amigos, danças, água, sol, petiscos. E o senhor de bigode a dizer que nos partia o carro todo por termos estacionado no terreno do cunhado e que acabou a beber do caneco do Em. e a mandar-nos estacionar no próprio terreno? Viva a gente do Norte.

 

A mana chegou aos 21 e está no primeiro emprego – no ATL, com regras e tudo. Teve uma grande surpresa ao chegar ao restaurante só com a família mais chegada e encontrar tios, padrinhos, afilhados e avós. Entrou a reclamar na sala por lhe taparem os olhos, ou não fosse ela a minha maAna Luísa.

 

A minha Ma. e a prima do Z., a Le., vieram passar a última semana connosco a Lisboa. Fomos à praia, às compras, comemos pastéis de Belém à noitinha, aproveitámos o Festival dos Oceanos para visitar o Museu dos Coches e da Electricidade até à meia-noite. Ficámos tristes com o Planetário, que não nos aceitou, apesar de termos chegado a horas. E terminámos a semana em grande: vimos a peça de teatro “O Principezinho” na Quinta da Regaleira, e depois subimos o poço.

 

Fiz um cruzeiro pelo Alqueva com os amigos e não resistimos a dar um mergulho, numa zona com 30 metros de profundidade. Fomos todos numa carrinha dos meninos da escola (a Su. e o mano foram lá ter), com a mala recheada de presunto caseiro e pão alentejano. Ainda fizemos Geocaching e terminámos o dia a jantar numa festa com bailarico. Quero mais disto: amor, família, amigos, danças, água, sol, petiscos.

 

Mas agora preciso de descansar. Domingo rumo à Curia para o merecido descanso. Mas antes ainda são as festas da terrinha, porque isto também faz falta: amor, família, amigos, danças, água, sol, petiscos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sexta-feira, 29 de Julho de 2011

.'Bora lá

Conheci Londres há já muito tempo. Tinha acabado de chegar à escola nova, no 9º ano, quando a professora de inglês nos lançou o convite. Tínhamos tantas tarefas entre mãos (reuniões, angariações de dinheiro, convencer os pais, …), que achei que seria uma missão impossível. Quando dei por mim no avião ao lado do Tuto nem acreditei muito bem. Foi assim que me estreei nas viagens de avião, numa espécie de viagem de finalistas – eu, que era nova ali; com os colegas do 9º ano. Foi uma semana muito intensa. Ficámos divididos em casas de família e logo aí tivemos a primeira surpresa. Os colegas contavam-nos sobre as famílias divertidas que lhes tinham calhado em sorte, com pizas, idas ao cinema, passeios pela cidade. Eu e as minhas três colegas de casa engolíamos em seco: estávamos desterradas num sótão, com cancelas e cadeados em todos os andares, portas com três fechaduras e permissão para entrar apenas em três sítios: quarto, casa-de-banho e copa (nada de levar o prato para a cozinha depois de terminada a refeição, éramos brindadas com um olhar fulminante). Trancávamos a porta também, não fosse o filho da dona da casa – rapaz que se apresentou de toalha à cintura, sem pele que se visse entre tantas tatuagens e piercings, nos atacasse. Pior do que tudo isto era a comida. O nosso primeiro pequeno-almoço resumiu-se a um ovo cozido e uma caneca de chá ou café. Num dos primeiros jantares tivemos de mentir e dizer, no nosso inglês aflito, que já tínhamos comido qualquer coisa na rua: duas batatinhas cozidas às 16:00 (disse ela), uma fatia de queijo e uma de tomate não nos seduziram. E lá veio novo ralhete. Não sabíamos se devíamos chorar ou rir (não percebíamos metade do que dizia, era qualquer coisa como falta de responsabilidade, tinha ela preparado aquilo para nós às 16:00…). E fomos para o castigo, o nosso espaço – ou o único onde podíamos estar longe dela. De Londres recordo bem duas coisas: a amizade que cresceu entre todos, e a falta de sol. Não dava para fazer a fotossíntese, não dava para animar, era um céu carregado em cima de nós dia e noite (acho que ainda hoje vejo no céu de Londres a cara da senhora a ralhar connosco). Lembro-me da visita ao Sega World, da descida rápida num aparelho qualquer da Pepsi (tenho uma foto em que só não se vêem as minhas amígdalas porque já as tinha tirado), do porta-chaves que comprei com a minha fotografia, do vidro da montra que se partiu mesmo à nossa frente, do melhor cachorro que já comi comprado numa rua com modelos humanos nas montras a um senhor que adorava Lisboa, do dia em que deixámos a escola inteira à espera no comboio porque ninguém nos avisou que a hora mudava e ganhámos uma viagem a velocidades indescritíveis pela cidade com o guia, dos tops que todas comprámos iguais, da estátua dos leões a que subi para tirar uma foto para dar ao pai (e as dores que senti nos pés quando saltei de lá), da bola de futebol que uns senhores de barco na Serpentine nos devolveram (tenho uma foto no meu quarto nesse mesmo sítio), de um colega ter ficado para trás no metro e o pânico se ter instalado, de ter enjoado o McDonalds por ser quase a única coisa comestível. Mas, do que nos lembramos todos ainda melhor, é da noite passada no aeroporto. Ninguém contava com o acidente na auto-estrada, nem que o piloto não nos deixasse entrar depois do nosso pequeno atraso. Chorei nem sei bem porquê – talvez porque sou mesmo chorona, de mão dada com o Tuto, enquanto tentava ligar para avisar os pais. A verdade é que este talvez tenha sido o melhor momento de Londres: passar a noite naqueles bancos (confortáveis, não como os de Paris, onde se dorme muito mal – por experiência própria), tirarmos fotos uns aos outros a dormir de boca aberta ou em poses mais impróprias, ver a V. comer um Big Mac às 04:00 da manhã, fugir de polícias por jogarmos à bola nas escadas rolantes, tirar fotos em todas as máquinas disponíveis pelo aeroporto enquanto tivemos libras, marcou-nos mais, aproximou-nos mais. Fazendo contas, conheci Londres há 13 anos atrás. Está mesmo na hora de voltar lá. Depois do mau tempo, da greve dos senhores espanhóis, das ameaças da TAP, parece que é mesmo hoje. O roteiro está feito, quase todo gratuito. Já está tudo enrolado na mochila e os líquidos divididos pelos frasquinhos de 100ml, nada de bagagem de porão, porque tempo é coisa que nos falta e vale libras. Eu e o Z. voltamos ao ar hoje às 19:30. - Não saltes desta vez L.-inha!, diz-me o senhor Viseu enquanto me deseja boas férias. Não, desta vez é mesmo até Londres. ‘Bora lá.

 

 

Volto na terça à noite, e na quarta de manhã sigo logo para o Andanças, em São Pedro do Sul, até sábado, com um grupinho bem bom. Como me dizia o rádio do meu popó há pouco, “o que faz falta é animar a malta”. ‘Bora lá.

 

Deixo por aqui a banda sonora dos meus pensamentos dos últimos dias, que tem tocado em modo repeat aqui no estaminé desde que a A. anda a treinar para o concerto de logo à noite (aqui não temos acesso ao YouTube, peço desde já desculpa se as imagens que acompanham o som forem muito más ou pirosas):

 

Quarta-feira, 8 de Junho de 2011

. ...

O Marcos está a morrer. Antes de sair para este fim-de-semana de quatro dias dei-lhe banho, tirei todas as folhas secas e deixei-o assim, despido, no sítio preferido dele. À janela, com vista para o campo de golfe, o meu trabalho, o sol. Aquele onde nos esquecemos de o deixar no primeiro fim-de-semana de saltos. O Marcos está a morrer. E a culpa é nossa...

 

 

 

 

Então e não é que vai-se a ver e a TAP tem pré-aviso de greve para dia 29 de Julho, dia em que íamos rumar a Londres? É o destino ou sou eu? Cancelamos, não cancelamos? Sina...

Lá fora: [silêncio]
Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011

.Mãos frias. Coração quente. Amor para sempre

 

 

4ª | Dia 29

:O T.Z. levou-nos ao aeroporto às 4:00 da manhã.

:Escala de 3:00 em Madrid-Barajas.

:Apanhámos o Orlyval – train até Antony, e depois o metro até à Place de Italie (hotel).

:Passeio a pé desde o Hotel até ao Arco do Triunfo (Notre Dame, Louvre, Jardin des Tuileries, Place de la Concorde, Champs-Élysées - Feira de Natal).

:Subida ao Arco do Triunfo.

:Dormir sem jantar.

 

5ª | Dia 30

:Tentámos ir ao Louvre, mas estava muita fila.

:Andámos na Roda Gigante (com um senhor a tentar infiltrar-se para uma voltinha connosco).

:Visita a Sacré-Coeur.

:Passeio em Montmartre (Praça dos Pintores, Moulin Rouge, Estação Abbesses, café da Amélie – vimos chouriço português e ‘bolo rei/especialidade portuguesa’ à venda).

:Almoçámos num jardim escondido na Place de Abbesses, os rissóis que levámos de Portugal, onde havia um mural com ‘amo-te’ em várias línguas.

:Passeio pelas ruas de Paris – parámos numa loja de congelados espectaculares e conseguimos encontrar um supermercado barato, o DIA.

:Visita a Les Halles e ao George Pompidou.

:Mocha Praliné no Starbucks.

:Tentámos entrar em Notre Dame, mas a fila já estava fechada.

:Passeio nos Bateaux Mouches.

:Tentámos encontrar uma sopa por menos de 5€ no Centro Comercial perto do Hotel, mas acabámos a fugir de uns cães iguais ao Rex.

:Jantar dividido entre o McDonald's e o KFC.

 

6ª | Dia 31

:Visita a Notre Dame – igreja e torres. Saí da fila para acalmar a minha má disposição com um chá de 3€ no café em frente.

:Visita ao Museu de História Natural – Anatomia e Grande Evolução.

:Visita a Les Invalides – almoçámos na cafetaria.

:Chegámos ao Louvre às 16:30, mas por ser véspera de ano novo fecharam às 17:00 – já não conseguimos visitar.

:Descanso no Hotel para aguentar a grande noite.

:Jantar no Hippopotamus (porco caramelizado).

:Meia-noite passada nos Champs-Élysées, na montra da Cartier (de botas de borracha), com mais 200 mil pessoas. Garrafa de champanhe e passas de uva nas mãos.

:Loucura para apanhar transporte de volta ao hotel – conseguimos na Ponte de Alma, depois de muita confusão, empurrões e companhias estranhas.

:Maquinistas do metro e operadores de som nas estações pregavam partidas.

:Consegui ligar aos pais, aos avós, à mana, à madrinha, e à minha M., que chegou aos 13 anos. O telefonema do primo F. foi o que mais me marcou.

 

Sábado | Dia 1

:Dormir até ao meio-dia.

:Visita ao Museu do Perfume.

:Visita a La Villete. Vimos o documentário Hubble na Géode, num ecrã de 180º graus.

:Visita à Torre Eiffel – subimos depois de duas horas na fila. O elevador esteve avariado algum tempo. Apanhámos a primeira chuva das férias.

:Crepe com framboesa e caramelo antes da entrada no metro.

:Jantar no McDonald's.

:Ida para o aeroporto – passámos a noite nas cadeiras, com um sr. louco a cantar e a fazer várias vozes e coreografias. Check-in às 04:45.

 

Domingo | Dia 2

:Escala de 3:00 no aeroporto de Madrid – Barajas. Avião atrasou 2:00, e nós já lá dentro.

:O R. foi buscar-nos ao aeroporto.

:Deixámos oficialmente o frio que nos acompanhou todos estes os dias. A temperatura mais alta rondou os 3º.

:Banho de espuma, unhas cortadas e frango assado do vizinho para nos sentirmos em casa.

 

2ª | Dia 3

:Ida ao Alentejo para receber mega dose de mimos.

:Almoço com os papás – e muita sopa da mamã.

:Visita do T. para pôr a conversa de muito tempo em dia.

:Visita aos avós.

:Jogar Wii com a minha M..

:Regressar a Lisboa antes das 21:30, para ‘minimizar’ os castigos.

 

Já chegou. Entrei de mãos frias e coração quente. A desejar um 'para sempre'. Feliz 2011.

 

Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010

.Olé!

Por esta altura, devia estar em Londres. A usar as minhas meias novas quentinhas. A estrear as minhas novas galochas. A gastar libras. A tentar sobreviver ao frio e à neve. A viver o primeiro fim-de-semana das amigas internacional. Mas os senhores espanhóis não deixaram. Já desfiz a mala. Já usei as meias quentinhas. Já estreei as galochas. As libras ainda me ocupam a carteira. De Londres nem sinal. Por esta altura, estou no trabalho.

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