Terça-feira, 27 de Agosto de 2013

.Da vida

Era o primeira dia de festa, daquela que se faz esperar um ano inteiro. O dia tinha sido de correria – sozinha no serviço, dia de anos da mana, o jantar dela à minha espera num sítio e o meu colega apresentador de festa à minha espera noutro. Cheguei atrasada aos dois sítios, como não gosto, como tenho feito tantas vezes nestes últimos tempos, nunca por minha culpa mas da vida, que é mesmo assim. Jantei com ela e depois subi ao palco, já fora de horas. Enquanto esperava que terminasse o primeiro concerto, perto do Z., dos meus amigos, da minha família, começou a dar o “Forever Young”. É uma música que sempre mexeu comigo, que sempre vivi preocupada com a vida, com a morte, com a perda de todos aqueles que amo. Naquele dia mexeu mais ainda. Olhei para todos eles. Pensei também em todos os que não estavam ali, mas costumam estar. Olhei para tantos que não conhecia. Baixei os olhos e olhei para minha barriga. E estava feliz, pois estava, mas não pude deixar de deitar uma lagrimita – a vida muda mesmo, passa e arrasta-nos com ela. Depois daquele bocadinho de catarse interior, foi tempo de rumar ao Alentejo do Z. – chegámos às 04:00 e ficámos até às 19:00, só para estarmos um bocadinho com o melhor amigo dele, que fazia anos nesse dia. Seguimos outra vez para o meu – são só 02:30 de distância entre os nossos dois Alentejos, e por lá ficámos até domingo à noite – na segunda era dia de trabalho. E que dia – só terminou às 22:00. Antes, houve consulta, ecografia, e raspanete. Parece que o stresse e o cansaço dos últimos dias resultaram numa ‘incisura protodiastólica nas uterinas’. Na prática, faz com que passe menos sangue pelo cordão umbilical e pode provocar um parto prematuro, hipertensão e uma miúda magra de mais (que, até ao momento, não está). O meu médico, sempre tão calmo e ponderado, até levantou a voz para me dizer que tinha apenas até à próxima consulta para baixar o ritmo, ou era mandada para casa sem possibilidade de reclamar. E obrigou o pai a prometer que me arrastava até ali se eu me portasse mal antes dessa data – o pobrezito até regressou comigo ao trabalho, ser pai é difícil. E eu, pela primeira vez, tive medo a sério. Pela primeira vez, percebi que aquilo que faço tem mesmo implicações em mim e, pior do que isso, na minha pequena alvorada. Mas como é que se abranda o ritmo? Foram fins de semana e semanas de loucura. Em casa, no trabalho, com as pessoas à minha volta. Semanas com dias de trabalho de 14 horas e chegar a casa depois disso para lavar paredes e arrastar móveis, e ainda fazer viagens como se não houvesse amanhã. Dias em que cheguei ao trabalho lavada em lágrimas de tantas preocupações e que chegava a casa sem conseguir descansar. Todas estas coisas terão de ser, até dezembro, exceções raras e não a regra. Porque a vida muda mesmo, e o que acontece aos outros pode acontecer-nos a nós, e o que fazemos com a vida pode ter resultados menos bons. E eu, e todos os meus, podemos não ser para sempre jovens nem viver para sempre. Mas vem aí alguém que quero que acredite no contrário durante muito tempo… O meu pequeno raio de sol. E por ela, por esta nossa pequenina família, vale a pena mudar de vida.

 

No próximo sábado rumo à Curia para uma semana sem fazer rigorosamente nada para além de descansar e aproveitar as minhas pessoas. É tão bom que haja coisas que nunca mudam... E como era bom que esta (a avó, os primos, a mana, ...) pudesse durar para sempre.

Sexta-feira, 17 de Agosto de 2012

.Casa

Em Março, a notícia de que iria estar três meses sozinha em casa deixou-me mais triste do que eu poderia alguma vez imaginar. Fiz planos, tantos planos, para sobrepor àqueles que tinha já planeado para a casa onde estávamos a morar apenas desde Janeiro. Uma casa nova, num prédio velho, tão minha quanto nenhuma outra tinha sido. Tudo tão ao meu jeito, tão perfeita, tão nossa. Acabei por não estar sozinha. Mais triste, com o pensamento mais longe, mas nunca sozinha. Os amigos, a família, foram chegando, um a um, às vezes muitos ao mesmo tempo, semana após semana. Tudo ajudou o tempo a passar. Os jantares com a madrinha, a semana com a mana, outra com a afilhada, as mensagens da T., da V., da prima Mina, a companhia diária da A., os telefonemas dos pais e das avós a toda a hora, o saber que o Z. voltaria, em três meses, àquela casa, tão nossa, aos nossos planos a dois. Não passaram sem doer, mas acabaram por passar. E o Z. voltou e voltámos aos nossos dias e dei por mim a pensar que os dias passam a uma velocidade maior do que eu gostaria. Pensei aquilo que penso tantas vezes quando quero muito que chegue uma coisa, “sem pressa, L., daqui a pouco vais estar lá com saudades deste dia, aproveita”.

Podia apontar uma data de defeitos à casa, a mim, ao Z., a nós, mas são também eles que nos tornam, a nós e à nossa casa, naquilo de que eu gosto. Podia falar da banheira mal posta, do silicone a sair, da porta velha, dos móveis com buracos ou grandes de mais, das vizinhas de baixo que se enganam e tocam à nossa campainha às 05:00 da manhã, mas tudo isso faz parte da nossa casa. Podia falar das nossas discussões, desentendimentos, momentos de apatia. Mas tudo isso faz parte de nós, e termina sempre num abraço apertado com um beijo demorado. Preciso desses defeitos, todos os dias, nestes que passam a correr, e que terminam no sofá da nossa casa, com a minha cabeça no ombro que mais gosto.

E os dias passaram, e as tão desejadas férias chegaram. Uma semaninha apenas, primeiro, para ver, finalmente, Barcelona e para as festas da terrinha. E foi tudo tão bom. Conhecer coisas, depois estar com os meus e com tudo aquilo a que um dia se resumiu a minha vida. Foi no domingo à noite, quando abri a porta e senti o cheiro da nossa casa, o nosso cheiro, que percebi, uma vez mais, que a minha mãe tem sempre razão. O nosso coração é sempre dos nossos, dos que nos amam e fizeram crescer, mas um dia muda-se de malas e bagagens para a nossa casa. E a minha é ali. Naquele prédio velho, naquela casa nova, no Z.. A minha casa é ali quando lá estamos juntos, a minha casa somos nós.

 

E agora que venham mais duas semanas de férias. Que venha a Curia e o Alentejo do Z.. A vontade é grande, ainda que tenha de confessar que já estou com saudades dela, da nossa casa.

 

Sexta-feira, 2 de Setembro de 2011

.A Cúria foi (é)…

Comida boa…

Estão relacionadas com a comida algumas das nossas muitas regras: comer sopa uma vez por dia, não esquecer o leite ou iogurte ao pequeno-almoço, comer pelo menos uma vez leitão e visitar a pizzaria da Mealhada. Ainda temos a noite do cachorro: passamos pelo supermercado de lista na mão e entramos cheios de sacos no hotel. Este ano reservaram-nos uma suite, com uma mesa gigante, perfeita para a noite do cachorro. Ou não fossemos nós já clientes habituais - destes sítios todos.

 

Praia…

Começámos a visitar Mira ainda no tempo em que os pais nos levavam para a Curia. Agora já vamos sozinhos, mas não esquecemos a visita à praia. A bandeira está sempre vermelha, não há banho para ninguém, mas é sinal de gaivotas, marisco e passeio. Encontrámos este milho pelo caminho e não resistimos a parar.

 

Cinema…

O ano passado, enquanto eu tentava dividir os nossos muitos planos pelos poucos dias, a Ma. saiu-se com um “para vocês é despachar, para mim é aproveitar”. Mas é aproveitar para todos. Os planos incluem sempre uma ida a Aveiro ao cinema. Este ano conseguimos pôr uns óculos de 3D na avó – vimos os Smurfs, que dava para todas as faixas etárias. Nesse dia, mais à noite, parámos os jogos do Uno e do Trivial e fomos ao bar do hotel, onde encontrámos o primo F. e o namorado da mAna assim, nesta figura, em frente à televisão a ver o futebol, com os óculos 3D.

 

Exercício…

Com tudo o que comemos, é preciso fazer algum exercício para que a balança continue amiga no final das férias. Gaivota, passeio pelo parque, piscina e nada de elevador (esta última parte é mesmo só para mim, para o Z. e para a Ma.). Até este ano, eu e o Francisco detínhamos o recorde de idas ao ginásio pela manhã – todos os dias. Este ano o cansaço não me permitiu, e ainda me obrigou a dormir a folga todos os dias. Já diz a minha avó que o senhor que inventou o descanso deve ser muito bem tratado no céu.

 

Radical…

A primeira e principal regra da Curia diz que “onde vai um vão todos”. O membro mais novo do grupo tem 13 anos, a avó já passou dos 70, e há que agradar a todos. Este ano, para fazer a vontade ao primo F., fomos até ao kartódromo de Oiã. No vídeo que a mAna e a Ma. fizeram só se ouve “a minha irmã é uma tartaruga – olha, já a estão a passá-la outra vez”. Era a minha primeira vez, e logo entre três matulões que disputavam o lugar no pódio. Resolvi aproveitar, à tartaruga.

 

 

Compras…

Dia de cinema é dia de compras em Aveiro. Os meninos fogem para a livraria ou para comer uma tripa com ovos moles (a mAna cola-se a eles), o resto corre todas as lojinhas do Fórum. Nos outros dias dedicamo-nos às lojinhas da Curia, e à terça é dia de feira de antiguidades, no Jardim, onde comprei estes brincos. A senhora da farmácia deve ser uma grande fã nossa – não há dia em que a gente não passe lá para comprar qualquer coisa: Cicalfate para a ferida da avó (que caiu na festa), comprimidos para o herpes no olho da mana, creme para os pés da Ma., e coisas várias para a constipação que só deixou o primo F. de fora. Passamos todos os dias pelas lojas das amigas da avó, que nos conhecem à distância, e até estranham quando vamos mais tarde para as férias. Também somos grandes clientes do senhor do Euromilhões / Raspadinhas e da senhora da papelaria – mas estes não são nossos fãs, podemos deixar lá este mundo e o outro, mas, em tantos anos, nunca recebemos um sorriso de volta. Não faz mal, continuamos a passar por lá todos os dias.

 

 

Amor…

De avós, de netos, de primos, de irmãos, de namorados. Uma das senhoras do hotel dizia ao pequeno-almoço: “Que engraçado, são todos netos? E vêm com a avó? Há quanto tempo? Aproveite, minha senhora, olhe que depois crescem, arranjam alguém, e já não querem vir”. Pois, pois. Ao grupo já se juntaram dois apêndices, candidatos a netos emprestados. E a tendência é para aumentar.

 

 

Avó T. ...

É também por ela que estamos aqui, neste mundo. Com 16 meses de diferença, trouxe à luz do dia o pai, que me teve a mim e à mAna, e o padrinho, que tem o Fr. e a Ma.. É por ela também que todos os anos estamos aqui, na Curia. E, lá, tudo gira à volta dela, ainda que nos diga sempre: “é como vocês quiserem”. Levamo-la ao cabeleireiro, à missa, estamos no hotel a tempo das novelas, não nos esquecemos das gotas, exageramos no mimo e fazemos massagens aos pés. Este ano demos-lhe uma lembrança pequenina, e, ainda antes de agradecer, disse logo: “quanto é que isto foi para eu vos dar o dinheiro? Na Curia pago eu”. É a nossa avó T..

 

Nós…

Juntos. Podia ser assim em qualquer outro sítio, mas nós acolhemos este como a nossa segunda casa. A Curia.

 

(senhores da Curia: não lhe façam mal. Já nos tiraram um bocadinho do coração quando derrubaram a casa ao lado do Vila Rosa para construir uns prédios horríveis, agora ouvimos dizer que, com as obras, vão tirar as árvores da minha estrada preferida para construir uma ciclovia. Não dá para fazer e deixar os plátanos? Agradecemos muito. E limpem o lago, que já precisa.)

 

Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011

.Considerações II

.Gosto do ritual das visitas aos doentes que ainda se mantém em terrinhas como a minha. O meu pai foi operado ao joelho há uns dias atrás, e lá vão chegando a casa pessoas para saber como está, para lhe fazer companhia um bocadinho ou só para dizer um olá. No domingo, depois de chegar da Curia, fui eu que abri a porta a uma dessas visitas. Era o senhor Ca., com nome e sorriso de galã, a quem ninguém dá 82 anos, e que chegou até ali no seu próprio carro. Enquanto bebiam uma qualquer bebida doce no sofá, lá foi intervalando as novidades do dia com as histórias de outros tempos, aqueles em que não havia cigana bonita que lhe escapasse, mesmo depois de comprometido. Gosto dele, do sorriso de dentes bonitos que às vezes esconde com a boina enquanto me diz “ai mana, naqueles tempos…”. Prometeu que nos levava pêssego ratinho com vinho branco, feito por ele, para provar um dia destes. Eu, como faço sempre que apanho assim alguém com tantas histórias, lá o ia espremendo, e perguntando coisas a que ele ía respondendo com o sorriso maroto que arrebatava as ciganas. Quase no final da conversa, numa pergunta minha mais matreira, a minha mãe avisou-o logo, “olhe que amanhã isso já está tudo no blog”. E teria sido assim, noutros tempos, que por estes ando 'desinspirada' para a escrita.

 

.O Jo. é meu amigo desde sempre. Das conversas, das saídas à noite, dos encontros da catequese, das festas, das mensagens, das danças, de tantas coisas. E sempre foi o meu amigo com maior sensibilidade para o mundo, para as artes, para as ideias, para as coisas. Da cabeça dele saíram coisas que ninguém imagina: festas, programas, roupas, prendas, eu sei lá. Até pode parecer que só está parado a olhar para qualquer lado, mas, nesse momento, está a magicar alguma – sempre em grande. Foi com alguma surpresa que me disseram que tinha, quase nos 40 anos de idade, levado um namorado à nossa terrinha. Surpresa só por isto: considero-me amiga à séria, e não percebi porque nunca se sentiu à vontade para nos (ao nosso grupo) contar. O Jo. encontrou uma barreira na família, em alguns amigos, na terra, e em tantos grupos que apoiou, e deixou tudo para trás – as festas, a Igreja, algumas pessoas. Eu, como fiz questão de lhe dizer assim que soube, fiquei feliz, tão feliz. Sei que quando gostamos de alguém queremos ter essa pessoa ao nosso lado em tudo, e deve ser difícil, tão difícil, não nos sentirmos com força para misturar o trinómio amor-família-amigos. O Jo. viveu quase sempre para os outros, e só vivia para ele aos bocadinhos. Fiquei tão contente por saber que o Au. o fez ganhar a coragem de contar ao mundo a verdade sobre quem lhe faz bater o coração. O amor torna-nos melhores ou piores pessoas, mais ou menos felizes, mas não define quem somos – somos sempre a mesma coisa. O Jo. não é diferente – de ninguém, nem do que foi até agora. E é por isso que tenho pena. Não pelo Jo., mas por todas as pessoas que lhe viraram as costas neste momento: não percebem que perderam o Jo., e pessoas como ele são especiais e raras. Eu tenho a sorte de ter o Jo. como amigo desde sempre. E só quero que assim continue. O que temos. E como ele está – feliz.

 

.Já falei sobre isto por aqui, mas a Bimby torna-me uma pessoa mais feliz – e quase pareço fútil ao dizê-lo. A nova descoberta lá de casa faz maravilhas à alma e não deixa peso na consciência: uma caixa de frutos vermelhos congelados, um iogurte natural açucarado acabado de sair do frigorífico e um minuto na velocidade 7. Se me dissessem que era um Santini nem desconfiava… Continuo sem receber qualquer comissão.

Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011

.Considerações

Estive de férias e não dormi mais do que cinco horas por noite. Regressei a precisar de férias – mas gostei tanto. Teve tudo o que importa: amor, família, amigos, danças, água, sol, petiscos.

 

Apaixonei-me por Londres. Gostei das ruas, das pessoas, das coisas. Adorei o mercado de Camdem (vestidinhos giros – trouxe dois, pessoas diferentes, comidas de todas as cores, negócios inimagináveis, …), o Museu da Guerra (a exposição “Pessoas normais podem ser heróis improváveis” tocou-me) e o Museu Geffrye (mobiliário e material de casa desde 1600 até 2000, com salas montadas para as várias décadas).

 

À segunda viagem juntos, eu e o Z. percebemos uma coisa: aquilo de que gostamos realmente nos países que conhecemos, ou melhor, o sítio onde passamos mais tempo é nas lojas de comida. Em Paris estivemos uma hora numa loja de congelados, espantados com a diversidade, desta vez perdemos a conta ao tempo – tantas coisas diferentes a preços espectaculares.

 

A máquina fotográfica avariou de vez na nossa volta no London Eye. Valeu-nos o telemóvel e uma máquina descartável. Assim que aterrámos em Lisboa a primeira coisa que fizemos foi comprar uma. Já foi trocada três vezes por motivos vários (histórias inacreditáveis), mas, como todos dizem, temos “um maquinão”.

 

Tentaram roubar o meu carro. É velhinho, de 98, mas não deixou – parece que tem uma defesa qualquer ao nível da chave. Ficou sem bateria de tanto tentarem levá-lo, e só esta semana voltou a funcionar. É um resistente. E fiel.

 

Levámos um coxo, de muletas, para o Andanças – fez um sucesso. Quero mais disto, foi tão bom: amor, família, amigos, danças, água, sol, petiscos. E o senhor de bigode a dizer que nos partia o carro todo por termos estacionado no terreno do cunhado e que acabou a beber do caneco do Em. e a mandar-nos estacionar no próprio terreno? Viva a gente do Norte.

 

A mana chegou aos 21 e está no primeiro emprego – no ATL, com regras e tudo. Teve uma grande surpresa ao chegar ao restaurante só com a família mais chegada e encontrar tios, padrinhos, afilhados e avós. Entrou a reclamar na sala por lhe taparem os olhos, ou não fosse ela a minha maAna Luísa.

 

A minha Ma. e a prima do Z., a Le., vieram passar a última semana connosco a Lisboa. Fomos à praia, às compras, comemos pastéis de Belém à noitinha, aproveitámos o Festival dos Oceanos para visitar o Museu dos Coches e da Electricidade até à meia-noite. Ficámos tristes com o Planetário, que não nos aceitou, apesar de termos chegado a horas. E terminámos a semana em grande: vimos a peça de teatro “O Principezinho” na Quinta da Regaleira, e depois subimos o poço.

 

Fiz um cruzeiro pelo Alqueva com os amigos e não resistimos a dar um mergulho, numa zona com 30 metros de profundidade. Fomos todos numa carrinha dos meninos da escola (a Su. e o mano foram lá ter), com a mala recheada de presunto caseiro e pão alentejano. Ainda fizemos Geocaching e terminámos o dia a jantar numa festa com bailarico. Quero mais disto: amor, família, amigos, danças, água, sol, petiscos.

 

Mas agora preciso de descansar. Domingo rumo à Curia para o merecido descanso. Mas antes ainda são as festas da terrinha, porque isto também faz falta: amor, família, amigos, danças, água, sol, petiscos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quinta-feira, 19 de Agosto de 2010

.5 estrelas

 

 

A avó está normal. Quer levar prendas a toda a gente, dá gorjetas a mais e não nos deixa pagar nada porque “estamos na Curia”. Traz um monte de gotas para lhe pormos nos olhos de dez em dez minutos e quer jantar cedo para poder ver todas as novelas da noite. Acha todos os vestidos que experimentamos curtos e zanga-se porque tiramos muitas fotos.

 

A Matilde está normal. Apanha muitas birras e pede todos os dias para dormir comigo. Quando adormece na cama dela, dá-me a mão e, mesmo a dormir profundamente ou por mais voltas que dê, não a larga até de manhã. Pede para andar de gaivota todos os dias e briga com a mAna várias vezes ao dia. Continua a mais desarrumada.

 

O Francisco está normal. Basta abrir a boca para eu começar a rir. Brinca com tudo, mete toda a gente a dar gargalhadas e é a minha companhia do ginásio. É o inventor das frases das férias. Tem as t-shirts mais divertidas que conheço e dá tudo por um “pão-do-carico” logo de manhã. Luta com a Matilde pelo prémio de mais desarrumado das férias.

 

A mAna está normal. Distribui a roupa pelas gavetas, acumula a suja numa, e experimenta coisas que não sabe se há-de comprar. Dá respostas tortas que dão inicio a várias discussões. Choca com a Matilde de 5 em 5 minutos. E com o namorado de 10 em 10. Acha que está sempre gorda. Começamos a cantar as mesmas músicas, ao mesmo tempo, do nada, e damos por nós com pensamentos iguais.

 

Eu continuo normal. Quero ir à piscina só para torrar, trago o livro sempre atrás e a máquina fotográfica colada à mão. Peço que me obriguem a comer só sopa ao jantar e depois acabo por ser a que come sempre mais. Tomo o mesmo pequeno-almoço todos os dias. Uso sempre as escadas enquanto eles vão pelo elevador. Choro no cinema, fujo para falar ao telemóvel. Deixo-o no quarto o dia todo e espero ter boas notícias quando volto a pegar nele à noite. Tento organizar os dias com planos e tenho a mala sempre arrumada, apesar de ser a que trago mais roupa.

 

Este ano trocámos o D. João pelo QuinaBiba. O nosso hotel perdeu uma estrela. Só fomos 3 vezes à farmácia. Fomos, pela primeira vez, visitar um museu. Conhecemos Tamengos, Anadia e Sangalhos tão pertinho da Curia e onde nunca tínhamos ido. A loja dos senhores velhotes do jardim fechou. Não fomos a pé aos Apartamentos. A avó convenceu o Francisco a cortar o cabelo. Mudámos de restaurante do leitão. Não terminei de ler nenhum livro. Não fomos uma única vez ao jacuzzi. A mana não teve herpes no olho ou no nariz. E trocou o carro das meninas pelo dos meninos nas férias todas. Mas a Curia está normal. E isso é mais que bom, é 5 estrelas.

Lá fora: "Para vocês é despachar, para mim é aproveitar"
Terça-feira, 10 de Agosto de 2010

.Depilação

Liguei esta tarde para o cabeleireiro onde a avó arranja o cabelo sempre que vamos à Curia. Se era possível marcar uma depilação para sábado. E, quase no final da conversa, ouço dizer: “não é aquela menina que vem sempre com a avó e os primos?”. Sou pois. E na sexta já estou a caminho de mais uma semanita lá. Os planos são poucos e para levar a sério: ginásio, comida e torrar ao sol. As regras, essas, são as de sempre: leite ou iogurte ao pequeno-almoço, sopa uma vez por dia, onde vai um vão todos, um dia de compras + cinema, uma mariscada em Mira, não brigar, não responder mal à avó, não apanhar birras (ganhei o ranking do ano passado, 0 birras), não fazer a avó passar vergonha, ler todos os livros que ficaram pendurados durante o ano, ir à farmácia uma vez por dia, andar de gaivota pelo menos uma vez, carregar o carro com Pictionary-Monopoly-Uno-PSP, ginásio às 08:00 com o primo F., comer leitão tantas vezes quanto possível, arrumar as ideias. Curia: a avó e os netinhos, como todos nos conhecem, estão quase aí.

 

 

Lá fora:

"Preocupa-te com o futuro quando o presente não for suficiente"

"Queres...?"

Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

.E a Curia foi assim...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estou:
Segunda-feira, 27 de Agosto de 2007

.Road to nowhere

 

 

Voltei. Da Curia. Ou de mim mesma. É lá que faço sempre questão de me perder dentro de mim para mais tarde me voltar a encontrar. É lá que me obrigo a chorar para depois rir até não poder mais. É lá que me permito pensar, para logo depois obrigar as ideias a encaixarem-se da forma que penso ser a mais correcta. Voltei lá. Voltei a passar a avenida dos plátanos, que me deixa sempre um sorriso enorme na cara e onde tantas vezes disse que ia casar. Voltei ao mesmo hotel. Com as mesmas pessoas. Voltei a cruzar-me com as mesmas gentes. E a conhecer novas pessoas. A tomar o mesmo pequeno-almoço todos os dias. A comprar as revistas no mesmo sítio. A almoçar na mesma mesa. A comer sopa uma vez por dia. A pregar partidas à avó. A brigar com a Ana. A demorar horas no jacuzzi. A dar mergulhos rápidos para voltar à toalha quentinha. A brincar com a Matilde. A jogar à bola com o Francisco. A abraçar o Nando como a um mano mais novo que fica longe muito tempo. A andar de gaivota e a contar os patos com a "gaiata". A comer leitão um monte de vezes. A ir às compras todos os dias. A fazer a refeição de cachorros quentes no quarto. A escolher a roupa da Matilde e a correr nas escadas para ver quem chegava primeiro. Há nove anos que vamos para lá e, apesar deste nosso ritual sagrado, tanta coisa já mudou e passou. Sinto que chego lá diferente todos os anos, mas nada ali perde o encanto. Só nós. Ou só eu. Que já nem lá me consigo abstrair do mundo de grandes onde fui obrigada a entrar. "So this is goodbye?". Não. É um até para o ano.

Estou:
Lá fora: Maroon5
Sexta-feira, 4 de Maio de 2007

Curia...? 'Bora lá!

 

"A avó está cansada, vamos de férias...?". Sim, vamos. Fomos. Já lá vão 10 anos. "Curia ?". Porque não...? A avó T., a mana A., o primo F . e a afilhada M. acabadinha de nascer... Ela teria que ficar com os pais, mas nós sim. Tanta vez se fez e desfez a mala do F., tão pequenino na altura e agora maior do que eu, que acabou por não se levar nada para o menino. Mas como resistir à Curia depois de se chegar lá? O F . ficou sim, sem nada. As cuecas eram lavadas de noite para voltar a vesti-las de dia e conseguimos comprar mais uma roupa para ir trocando. No Curia Club , a ambiente era de festa. A piscina era o ponto de encontro: a I. e a mana de Leiria, o R. de Anadia, o N. e o F dali mesmo. As noites a jogar matrecos , a ver novelas, os passeios de gaivota, as amizades, os primeiros amores, as saudades dolorosas. Os almoços "combinados" no D.João , as regras por cumprir: leite ou iogurte ao pequeno-almoço e sopa pelo menos uma vez por dia. O Grande Hotel veio depois com a M.. O medo que ela chorasse pelos pais, tão pequenina que era. Não aconteceu, "madrinha temos que ficar mais tempo, ainda não usei a roupa toda que trouxe". Acordar cedinho para aqueles pequenos-almoços de reis, a voltinha nas barracas, os jogos de ping-pong. As histórias, as memórias, as piadas. "-Ontem este espaço encheu, houve um desfile de vestidos de chita. - Oh, coitados dos animais!". As gargalhadas, as lágrimas. Depois a carta, o carro, o namorado. Os passeios a Aveiro, o leitão na Mealhada, a primeira ida ao cinema da Avó. O Shrek , como rimos.

Ontem passei lá de comboio. Como não recordar tudo isto? Como não sentir saudades e desejar voltar...? A avó e os netinhos, como somos conhecidos. "-Como consegue trazê-los para cá? Os nossos nem nos vão visitar a casa e aqui não há nada para eles!". Porque somos especiais, não é? ;) A Curia é um mundo à parte, onde cada um vive exactamente aquilo que quer... Perfeito. Hum...

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Lá fora: Pouca terra, pouca terra, pouca terra, ...
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