Domingo, 26 de Junho de 2011

.Bimbólica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gosto quase tanto de cozinhar como de comer. Se estou chateada o melhor é mandarem-me para a cozinha. Gosto de arranjar tudo antes como se se tratasse de uma verdadeira aula de cozinha. Gosto de misturar ingredientes, de experimentar coisas novas. Fico ali, ao lado do fogão ou do forno, quase do início ao fim, a ver as minhas criações a ganhar vida. A Bimby, a nova aquisição cá de casa, veio ajudar. E se sou eu que chego a casa com preguiça de a ligar, é o Z. que já está agarrado a ela a fazer um sumo de fruta. Fazemos pão, iogurtes, molhos, gelados, devoramos os livros e vamos inventando também. Na semana passada participámos num curso de cozinha da Bimby e levámos a R., que também comprou uma e que nos fez ganhar a caixinha azul de receitas que queríamos. Estivemos lá das 18:30 às 21:30, a ver e a provar tudo o que iam preparando. No final iam sortear duas prendas, a partir das fichas que preenchemos com a nossa informação. Ouvi “L.” logo na primeira ficha sorteada, e senti o Z. e a R. a darem-me cotoveladas. Mas, ainda que não conheça muitas pessoas com o meu nome, sei que há mais ‘Marias na terra’, e não gosto de me entusiasmar muito. A única vez em que me saiu qualquer coisa foi numa festa do rancho lá da terrinha. Sorteavam uma mesa de sala e fui eu, com uns 10 anos, que vendi todas as rifas e fui chamada ao palco para tirar a sorteada do saco. E li, lá em cima, com alguma vergonha, o meu nome – ainda hoje deve haver quem pense que escrevi o meu nome em todas as rifas. Os meus pais voltaram a oferecer a mesa ao rancho e só voltei a pensar nisto quando percebi que tinha sido mesmo eu a feliz contemplada com a mala de transporte da Bimby. “L. P.”, repetiram. Era mesmo eu. Pela segunda vez na vida, em quase quase 27 anos, saiu-me qualquer coisa, e foi com a Bimby. Os meus pais brincam com o meu (nosso) entusiasmo, e dizem-me que quase estou preparada para vendê-las também – as descrições pormenorizadas das receitas, dos passos, das vantagens, arrancam umas gargalhadas a quem está connosco. Mas para isso é preciso jeito, coisa que não tenho. Tem a T.. Que vai a nossa casa, sem compromisso, prepara-nos um jantar espectacular para seis pessoas, e vai vendo as nossas bocas abertas com tudo o que a Bimby vai fazendo. E por aí, não há ninguém interessado em conhecer…? Não precisam de se tornar Bimbólicos como nós, basta ver. Mas deixo um conselho: cuidado, que é contagioso.

 

 

Além de Bimbólica, ando também Hospitólica, ou Doentólica. No último mês houve candidíases, infecções urinárias, queimaduras, constipações, más reacções a antibióticos, e a terminar, por enquanto, lesão muscular. Ontem, mais uma ida aos Lusíadas. Raio-X aos pulmões para despistar uma pneumonia e uma injecção para conseguir voltar a mexer-me. A menos de duas semanas dos 27, é a velhice a apoderar-se de mim.

Lá fora: "Vamos esquecer?"
Quinta-feira, 3 de Março de 2011

.Não sou feliz todos os dias

(post removido)

Lá fora: "Estavas a ligar a outras pessoas (...)"
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L. às 12:59
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Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011

.Ontem

Ontem, quando já me tinha despedido dos pais e fazíamos já caminhos diferentes, o telemóvel tocou. Era a mãe.

- Filhota, esquecemo-nos de te dizer que hoje te achámos mesmo bonita, por dentro e por fora. Estavas com um brilho, com uma cor, com uma voz e um sorriso que já não te víamos há muito tempo. Às vezes andas sem brilho, sem cor, nem sei se é daquilo que comes…

- Deve ser disso. Hoje almocei o cozido que a mãe mandou.

E rimos muito, os três.

 

Há pessoas que não têm noção do efeito sobre nós. Do que uma palavra, um gesto pode fazer. A minha mãe tem. Sabe que até posso mostrar-me indiferente, mas tudo tem consequências. Um dia, não há muito tempo, fizeram duvidar-me de mim. Do meu valor, se sou ou não suficiente, se chego. Não consegui voltar a acreditar como quero e há dias em que duvido mais, como ontem. Se não fossem as tuas palavras, mãe, se não fosse esse conforto que me dás mesmo pelo telefone, o dia de ontem teria custado muito mais.  

Lá fora: "És inconstante."
Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

.Jantar

Estava na cama, entre os lençóis novos que o Natal me trouxe, agarrada ao livro do Murakami que também me deixaram no sapatinho. Tentava ler qualquer coisa – linhas houve que tive de ler três vezes. Tinha tantas coisas à volta na cabeça. E o telemóvel tocou. Soube que eram 22:00. É sempre assim. Às 22:00 o meu telemóvel mostra sempre um “Paizito” ou uma “Mãezinha”. Falámos o mesmo de sempre. Como correu o dia, o que jantámos, onde fomos. Já estava a regressar aos lençóis, ao sr. Murakami, quando o telemóvel voltou a tocar.

- Filhota, quando é que vens cá?

- Vocês não estão aí no próximo fim-de-semana…

- Mas tu às vezes vens cá durante a semana. E temos saudades tuas. E fizemos cozido. E na terça temos escola. Vem amanhã.

Hoje vou jantar no Alentejo.

 

 

Estou:
L. às 18:33
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Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010

.Uma vez, uma vez boa

Conheci o D. em Maio, por altura da Ovibeja. Fizemos a viagem juntos e comecei por achá-lo muito sério. À noite, à medida que os copos se iam esvaziando, o sorriso dele foi abrindo e a conversa saindo sem muito esforço. Mesmo estando juntos mais algumas vezes depois disso, as coisas não mudaram. Quando estamos juntos é sempre assim: é preciso conquistar a confiança dele antes de nos deixar entrar no mundo que pisa. Este fim-de-semana estivemos à conversa sobre o exame de inglês que teve de fazer, e como, perante a perspectiva de ter de repetir um ano inteiro por causa de dois créditos, isso o fez repensar a maneira como estava a encarar a vida e a escola. “Sabes qual é a teoria do meu irmão mais velho? Uma vez, uma vez boa. Não sabemos se temos mais oportunidades. Em tudo. Temos de encarar tudo – sempre – como uma única vez, e por isso tem de ser boa – temos de fazer o melhor possível”. E a teoria do irmão do D. passou a ser a minha filosofia do momento. Ao ouvir o D. senti que tudo aquilo estava tão certo. Nada mais estava tão certo. Uma vez tem de ser mesmo uma vez boa. [e não consigo encaixar novas oportunidades aqui]

 

 

 

Estou:
Lá fora: [o barulho das estrelas]
Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

.J'y Suis Jamais Allez

 

.Ontem decidi ir a pé para o trabalho. O sol brilhava, o meu iPod tinha músicas novas, precisava de fazer exercício: ia correr tudo bem. O edifício vê-se da janela de casa, separa-nos apenas o campo de golfe. À falta de alternativas, decidi percorrer a quase-autoestrada que atravessa o Tagus Park. Vejo tanta gente a correr por ali a fora, não podia ser assim tão perigoso. Era seguro. E era de facto, excepção para os senhores automobilistas. De vez em quando ouve-se falar de pessoas aparentemente normais que se passam por alguma coisa que, aos olhos dos outros também aparentemente normais, parece insignificante. E saem as notícias sobre eles, que lemos em choque: “Parte para a violência porque a comida estava fria, porque não lhe lavaram a roupa, porque deixaram dedadas nos móveis limpos há instantes”. E eu, quando oiço um apito ou um comentário de um senhor automobilista penso sempre: “é isto que um dia me vai fazer saltar a mola”. Irrita-me de uma maneira que me transcende. E na minha cabeça sucedem-se os  títulos dos jornais: “Automobilista estrangulado em plena estrada  - Jovem de 26 anos justifica agressão com “mas ele apitou””. Ao longo das notícias lêem-se comentários de quem os conhece bem e nunca suspeitou que tal pudesse vir a acontecer. Comigo isso não vai acontecer. Porque eu aviso constantemente, só que ninguém me leva a sério. Agora terminou o que ainda não tinha começado: as idas a pé, o exercício matinal. Estou a pensar seriamente em vestir-me de verde todos os dias e tentar atravessar o campo de golfe sem ser vista. Pior do que ser apitada, é ser presa por invasão de propriedade privada. Mas por ali é que não volto a ir. Por ali não vou.

 

.Desde que me mudei do T2 com vista para a Lezíria para um T1 com uma vista que vai da Ponte 25 de Abril ao Cabo-não-sei-das-quantos com paragem pelo local de trabalho, a minha relação com os meus pais mudou. E eu compreendo. Não podem andar sempre atrás das decisões e caprichos dos filhos com um sorriso na cara. É preciso o momento do choque, da adaptação, das tréguas. Na entrada dos 26 anos continuava presa aos meus pais como se o cordão umbilical nunca tivesse sido cortado: avisava das chegadas ao trabalho, a casa, das saídas, tinha receio de lhes dizer que não ia lá no fim-de-semana, de os desiludir, de não estar à altura. A minha decisão fê-los provavelmente ver isso: afinal eu não estava à altura. E é normal que isso os tenha desiludido. À minha mãe mais ainda, que resolveu procurar atalhos em vez de dar tempo ao tempo. Houve uma espécie de corte abrupto entre nós. Numa coisa ela está certa: lá em casa, nunca estamos todos chateados ao mesmo tempo, há sempre um que defende o oprimido. E coube ao meu pai esta tarefa, a de fazer todas as coisas que ela costumava fazer. E à mana outra ainda mais difícil: sofrer os danos colaterais.

Sempre fui agarrada, mimada, insegura, com uma necessidade de pais que a mim me parecia normal, a ver a casa do Alentejo como a minha casa, o meu quarto do Alentejo como o sítio mais seguro do mundo. E a minha mãe dizia-me sempre: um dia vais perceber que tens outras pessoas por quem viver – vais continuar a gostar de nós, a querer estar connosco, a saber que aqui estás em casa, mas os fins-de-semana longe daqui não vão custar tanto, vais perceber que a tua casa está noutro lado. E eu olhava e sorria com um pensamento: “as coisas não vão mudar”.

Este corte que agora chegou talvez tenha sido necessário, talvez nos fizesse falta, talvez tenha sido o passo que faltava. Passei estes últimos anos a dizer que era crescida, e afinal estava só a tentar ser uma pessoa diferente. Crescida deve ser isto que sou agora. A L. menos dependente.

Preciso deles, claro. E não vou dizer que não custou. No fim-de-semana passado não fui lá, no próximo também não, resolvi ir lá ontem jantar. A mãe já me voltou a ligar, a chamar filhota nas mensagens, a abraçar-me ao de leve, a ficar orgulhosa com a nota final da pós-graduação. E ontem, do nada, quando me ligou a perguntar o que queria eu jantar não pude deixar de ficar feliz e de sentir que um aperto estranho saía de dentro de mim. O jantar foi estranho: como se quisessem que eu notasse que as coisas estão diferentes, mas depois se esquecessem disso e se entregassem ao momento. Dei por nós os quatro a rir como antes algumas vezes. Um antes que não foi assim há tanto tempo. Um antes que decidi que não queria mais. Por onde não vou.

 

.As coisas, as pessoas, os sentimentos, as vontades mudam. Mesmo que não se encontre lógica nisso. Eu mudo. A minha T. diz que eu não mudei, que regressei à L.. E eu sinto um bocadinho das duas coisas. Queria (poder) dizê-lo aos meus pais, ao meu mundo. Mas segura-me a rede do erro: eu sou a que falhou uma vez e pode não ter, aos olhos deles, do mundo, mais vidas para jogar. À noite (esta), no quarto com vista para o trabalho, na cama com só uma almofada, de olhos no tecto que outra menina de 5 de Julho cobriu de estrelas, agarro-me às minhas certezas. A mãe tinha razão: um dia, tudo mudou. E os fins-de-semana longe deixam de custar. E descubro onde fica a minha casa. E vivo por alguém: por mim acima de tudo. Pode parecer que dou passos apressados, inconscientes, inconsequentes, impensados. E posso vir a vê-los um dia assim - ainda que as minhas certezas de hoje me digam que não. Posso não saber para onde caminho, mas uma coisa sei. Uma que me parece importante. Por onde não vou.

 

Lá fora: "(...) anda um bocadinho saído da casca."
Quinta-feira, 1 de Julho de 2010

.Os melhores €4.65 da minha vida

Estou viciada nas sopas do McDonalds. Não é um mau vício, já fui dona de alguns bem piores. Ontem, antes da aula, rodei pelo 2º andar do Colombo, a tentar decidir-me quanto ao lanche, até parar ali, pela segunda vez no mesmo dia. Numa fila para comprar uma sopa – a de feijão branco, a minha preferida. “Compras-me um penso?”, ouvi dizer enquanto me puxavam a camisola. Olhei para o lado, era um miúdo giro, pequeno e redondo, de olhos verdes e t-shirt branca a fazer publicidade a uma marca qualquer. E que tal um lanche?, disse-lhe eu. “Pode ser. Quero um Big Mac”. “Também não és pobre a pedir”, disse-lhe a senhora da caixa. “Tenho fome”, foi o troco dele. E aquela resposta fez-me sentir tão mal que prometi a mim mesma nunca mais dizer “tenho fome” só porque o meu estômago reclama da hora. Batatas e sumo? “Água, tenho sede”. E ficámos a conversar, na fila e no lanche. Fiz-lhe perguntas, muitas. Chama-se Francisco. E estás aqui a fazer o quê, não devias estar na escola? “Estou de férias e tenho de ajudar os meus pais”. E eles? “Na feira, a vender coisas”. Tem 9 anos e passou para o 5º ano, “nunca chumbei!”. E não te custa, andares aqui? Eu acho que não tinha coragem, e olha que eu tenho muita lata. “Não, já estou habituado. Às vezes respondem-me mal, noutras vezes nem me ligam, mas também há pessoas boas, como tu”. Fiz-lhe uma festinha no cabelo. "Às vezes acho que as pessoas têm medo de me tocar", respondeu ao meu toque. Fazes mal? "Não, mas devem achar que sou piolhoso ou assim". Estás a olhar para a maior piolhosa de sempre, até já apanhei bem crescidinha, gostam de mim, nada a fazer. Tens medo de me tocar por isso? "Claro que não", riu-se.  E namoradas? “Nah, gosto de uma rapariga da escola, mas não sou muito de namorar – e agora com as férias ela ia esquecer-me”. Ela sabe ao menos que gostas dela? “Fazes muitas perguntas! Não, não lhe disse, não sou muito de namorar”. Olhei para o relógio e percebi como a Mafalda tem razão, “o tempo corre / só quando dói é devagar”. Não te importas de ficar sozinho? “Estou habituado, e a minha irmã anda aí também, a fazer o mesmo que eu”. Posso roubar-te uma batata? “Foste tu que pagaste, tiras as que quiseres”. Lembrei-me da Ru. (ou Ri., como ela prefere), uma menina refugiada de 9 anos que conheci no aniversário aqui do estaminé. Foi ter comigo para pedir bolachas, mas depois não queria lanchar comigo porque tinha vergonha que eu pagasse, e só aceitou quando lhe expliquei que podíamos ser amigas – e os amigos oferecem coisas uns aos outros. Roubei-lhe a batata (são tuas, está dado) sem pensar nos 10€ que vou ter de acrescentar à caixa da dieta*. “Tens uma blusa muito gira, aí com essas coisas a segurar – nunca tinha visto. E fica bem, assim com os teus caracóis a tocar aí. Há pessoas a quem o cabelo parece que não encaixa, mas o teu fica-te bem”. Francisquito, olha que eu acho que tu tens um jeitão para namorar. E dei-lhe um beijinho na bochecha com sardas, como eu gosto, enquanto corria para o metro de batata frita na mão – onde investi os melhores €4.65 da minha vida.

 

 

* A caixinha da dieta, ou melhor, o lucro de todas as minhas falhas na dieta já deu frutos. Gastei num ida ao Meco no próximo dia 16 de Julho. Eu e a A. vamos ver Keane. Senhores, há alguma maneira de vos fazer cantar isto? É que, caso se confirme esta ausência do vosso alinhamento, terei de repensar toda a minha teoria dos sinais. E esta é uma teoria muito importante na minha vida. Está a ser-me tão penosa esta entrada nos 26, não queiram contribuir para o meu desarranjo interior. Obrigada!

 

 

O Scotty morreu ontem. Às 13:00, debaixo da árvore preferida dele. O Scotty era o cão mais antigo do meu pai. Foi, em tempos, um Ás na caça. Fazia, este ano, os mesmo anos que o primo F., 18. Ontem chorei um bocadinho por ele. Até porque era o cão da minha vida, o único que eu autorizava a fazer aquelas coisas habituais dos cães. Lembro-me da noite que passei em claro com o pai, a tentar fazê-lo engolir um comprimido de todas as formas e feitios porque estava mesmo muito doente. Sobreviveu, e continuou a ser o melhor a apanhar coelhos. No último ano começou a ouvir mal, a ganhar pelos brancos no focinho, a fazer grandes esforços para mudar de uma sombra para a outra. Ainda me despedi dele, no outro dia, com umas fotos giras. E voltei a falar-lhe do nosso segredo: de quando, às escondidas de todos, o soltava da casota dele e o sentava no meu colo, enquanto baloiçávamos no cantinho dos baloiços, por trás da casa da avó. Era um perdigueiro grande e gordo, mas encaixava bem no meu colo. Vou ter saudades do Scotty.

 

Vou deixar de ler a Maya. Ah, que tretas!, digo sempre, mas depois isto fica a matutar-me na cabeça. A palavra tem poder – escrita também! E hoje não é bom. “SAÚDE: Tenha cuidado com o consumo excessivo de fritos. / AMOR: Poderá sentir-se limitado e sufocado; exija que façam algumas cedências. / DINHEIRO: Em negociações deve acalmar algum nervosismo, redobrar atenção e não mostrar todos os trunfos!”.

 

Hoje levantei-me às 05:30 para ir correr. Eu, que tantas pragas roguei a quem deu o nome ao teste de Cooper, a correr é um verdadeiro milagre. Quando estou de férias na Curia, arrasto-me para o ginásio todas as manhãs com o primo F., e com todas as loucuras que ele vai dizendo lá me aguento na passadeira. Mas correr, de livre e espontânea vontade, sem qualquer aparelho a auxiliar, e às 05:30 da manhã, não é coisa da L.. Mas correu bem. Foi bom. Estou bem disposta e já sinto a celulite a fazer as malas. A partir de hoje, corrida às 05:30.

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Lá fora: 

“Sometimes it seems that the going is just too rough / And things go wrong no matter what I do / Now and then it seems that life is just too much / But you've got the love I need to see me through”

Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

.Be Yourself

 

Lá fora:

"Não podes contar com o meu apoio, não posso fazê-lo. Percebes?"

"Prepare-se para a guerra, vai perder muita gente"

"Agosto, final de Agosto. Vai perceber"

"Vou esperar aqui, ela disse que vinha aqui ter"

"Que vergonha!"

"Olá."

"O teu problema é não acreditares em ti, no teu poder, na tua capacidade de suscitar paixões. Pensas que as pessoas nunca vão gostar de ti, dos defeitos que vês em ti, e limitas-te a ser tu, sem mais. E esse é um grande perigo para os que te rodeiam."

Terça-feira, 15 de Junho de 2010

.Apanhada

Eu sou uma daquelas pessoas que nunca encontra ninguém conhecido em lado nenhum. Conhecido meu. Centros comerciais, festas, passeios na rua e nada. Raramente me aparece um amigo, um conhecido, um parente. Quando ando com a A. (amiga) ou com o An. passo o tempo a dizer que eles são o Zé dos plásticos em pessoa: não podemos dar um passo sem que esbarrem com alguém que conhecem dos sítios mais improváveis. Mas por estes dias fui apanhada. Não por alguém que eu conhecesse, mas que me conhecia a mim.

Tinha trazido o carro naquele dia. Quando saí, lembrei-me que os collants azuis que precisava para o outro dia já tinham um buraquito no dedo grande. Parei no Oeiras Parque para levar uns novos e já estava de saída quando um senhor agente da autoridade me disse “peço desculpa”. Parei, olhei para ele e as minhas pernas tremeram um bocadinho, pela minha cabeça só passavam ideias tontas: “o que é que eu fiz agora? Queres ver que saí da loja e não paguei as meias?”. “Desculpe interrompê-la, mas esteve nas Jornadas de Segurança, não esteve?”. Sim, tudo verdade. “Recordo-me de a ver lá com o Dr. P., a levar-lhe umas coisas. No outro dia vi-a passar aqui, e como a sede agora é aqui perto, pensei logo que não estava enganado”. Pois, não, sou eu. “Pronto, era só isso. Obrigada e desculpe lá”. Olhei para ele e tentei reconhecer um traço, um sinal, mas não. Ri-me na minha cabeça: fardados são todos iguais. E saí dali, depois de lhe deixar um meio sorriso, a achar um bocadinho estranha toda aquela cena: dois polícias a falar comigo e eu de saco de loja de lingerie na mão. Nunca encontro ninguém e quando encontro estou assim.

Ontem fui à reunião de crescidos de segunda-feira. Quando é a minha vez de falar tremo um bocadinho, mas depois passa. Gosto do sítio. Quando saio posso ir comer um gelado sentada só com o Tejo pela frente, ou posso fazer compras onde mais gosto, na Baixa. Ontem decidi-me pela segunda opção. Estava a ver a montra da Zara (tirei os óculos de sol para ver melhor) e na minha cabeça ia alternado a música que o meu iPod me dava com os comentários à roupa. Foi quando percebi que estavam a falar para mim. “Desculpa, tu não estudaste na FCSH?”. Sim, conhecemo-nos? Tu não, eu sim. Enquanto ele falava, fui olhando para ele, bom ar, giro (ai L., tu e os narizes esquisitos, diria a minha mana), t-shirt verde com a frase No rules e ténis all stars a condizer (reparei quando baixei a cabeça para parar a música). Não me lembrava de todo de alguma vez ter visto aquela cara. Mas ele conhecia-me, mesmo. Lembrava-se de me ver entrar na faculdade “sempre a olhar em frente, nunca para o chão”, das minhas meias aos buracos incluindo “umas vermelhas diferentes muitos giras”, das minhas saias “como a preta de ganga à chinesa”, da actuação da tuna nas escadas da entrada, das flores no cabelo, do meu grupo de amigos e “de uns miúdos que andavam sempre sozinhos e tinham ar de cromos com quem te davas”. A minha cara devia estar, por esta altura, já muito estranha. Como era possível aquilo. Mas não éramos da mesma turma, pois não? “Não, antropologia”, disse ele, e acrescentou “continuas com o rapaz louro da associação?”. E foi aqui que dei uma gargalhada. Perseguição? “Não, achava-te piada, ao teu ar, que continua igual”. E comecei a despedir-me, que tinha aula, que ainda tinha de comer qualquer coisa. “Posso ao menos ficar com o teu nome e o teu contacto?”, e eu não deixei. Agradeci e disse que podia continuar a ser só a rapariga da FCSH, das meias de rede de todas as cores, das saias de todos os tamanhos, das flores de todas as espécies e dos trabalhos de grupo com os meninos a quem chamavam “cromos”. Ainda lhe disse, sei lá porquê, que ainda uso aquela saia, mas só com meias muito escuras porque já é muito curta. Dei-lhe um aperto de mão de crescida e continuei em direcção ao metro, sem mais montras, enquanto ligava o meu iPod a condizer com os ténis e a t-shirt dele. Afinal não sou invisível, pensei eu. E já que não encontro gente conhecida, pelo menos vou encontrando alguém que me conheça. Por mais estranho e surreal que às vezes seja ser apanhada.

 

Lá fora: 

“And I wonder if I ever cross your mind / For me it happens all the time / (…) / Said I wouldn’t call / But I’ve lost all control / (…)” [Tiago: é verdade, a pimbalhice voltou a este blog]

"Afinal és autoritária." 

Domingo, 13 de Junho de 2010

.Temos de seguir a força. É na boa, é na boa

 

 

  

 

 

     

E seguimos. E a força levou-nos às compras e a ver "Sexo e a cidade 2". Deixou-nos ficar nas cadeiras a chorar e a rir enquanto toda a gente saía. Depois deixou-nos parar lá em baixo, abraçarmo-nos as 4 com força, enquanto a C. dava por uma nova borbulha. Levou-nos a uma partida de matraquilhos e equilibrou-se, num 5 a 5. Agarrou em nós e meteu-nos num táxi, com o senhor taxista a quem a sogra que está sempre bêbeda "vê como ao Diabo", e levou-nos a jantar ao Bairro Alto. Conduziu-nos pelas ruas de encontro à Sé e fez-nos parar para deixar uma moeda e cantar com o Tony Banza um fado a Lisboa, que me deixou a chorar. Chegámos à Sé a tempo de cantar “Summer Nights”, quando percebemos que a força nos empurrava para a Bica, sempre com o menino da blusa das riscas igual à do Z. à nossa frente. E da Bica saímos, as quatro de mão dada como durante toda a noite, a pé até casa da C.. E a força tomou conta de nós e fez-nos cantar as músicas proibidas da tuna (Assentou praça no quartel, o sacana do rapaz, do sargento ao furriel, do tenente ao coronel, todos lhe foram por trás) pelas ruas de Lisboa. Quando nos sentimos já sem forças, rumámos a casa da A. para dormir juntas na cama gigante, de 1m2 para cada uma. Foi aí que percebemos que não estávamos sem força. E rimos, rimos sem parar enquanto brincávamos e explorávamos todas as possibilidades da frase do avô da A. quando ela lhe contou que íamos dormir todas juntas, "ai filha, nunca percas a dignidade". "Olha, até somos o melhorzito que por aqui passou", rematámos com uma gargalhada enquanto nos obrigávamos a dormir. Hoje a força puxou-nos para um pequeno-almoço regado a capuccino e barrado com manteiga e doce de frutos silvestres, e para um banho de sol na esplanada da praia. Fez-me vestir um biquíni tigresa da A., a mim, que o mais ousado que tenho é com flores. Deixou-nos beber morangoskas servidas pelo Robinson-com-força-para-carregar-mesas-sozinho e não nos deixou perceber porque todos os carros que nos rodeavam tinham matricula ZR ou EL.

Percebemos, hoje, que a força só nos levou aonde queríamos. Podemos ter pensado que estávamos a ser conduzidas, mas fomos nós que nos conduzimos. E parámos quando achámos que aquele não era o caminho, o sítio certo. Quando tivemos força para isso. Porque a força está dentro de nós. Somos nós. As 4. É na boa, é na boa. [e há quem diga que “é o melhor da vida" – ao nível do C.S.I.]

 

E a força não me ajudou ontem. Estava a sair do banho com o champô e o amaciador na mão para a mala do fim-de-semana das amigas e devo ter calculado mal a distância, porque o meu pé dobrou-se todo e acabei de joelhos no chão, queixo no banco e coisas espalhadas. Tive tantas, tantas dores (o meu pé dobrou completamente) e não conseguia chorar. E dei por mim a falar sozinha, "ai L. Sofia, L. Sofia, é no que dá gastares lágrimas por tudo e por nada, quando precisas mesmo delas não as tens, esgotaste-as!".

Mas ajudou-me na sexta: tirei o dia de férias, entrei no comboio, e segui até Aveiro para passar o dia com o meu Az.. Bebi o melhor capuccino de sempre (com chocolate!) com vista para o mar da Barra, mas o melhor não foi isso. Foi perceber, uma vez mais, que o meu Az. é uma das fontes da minha força.

 

 

 

Lá fora:

“Não tenho legitimidade para isso”

“– Caramba, estes iogurtes têm validade até 2 Julho. – Então, não chega? – Não é isso. Vejo como a minha vida passa pela validade dos iogurtes. – Devias escrever um post sobre isso.”

“És a má da fita.”

“Não devias pôr um deadline.”

“- E achas que gosta ou que não gosta? Não percebo. Talvez eu não tenho legitimidade para isso.”

“Houve mais alguém que se preocupasse em aquecer-te o rabinho? Num SLK? Vai!”

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