Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011

.Hoje (nestes dias)

L. não saias de casa com a cabeça molhada. L. sai do sol que faz tão mal. L. assim ficas doente. L. … E uma vez mais, entre tantas recomendações, a mãe tinha razão. Dei por mim doente logo no início da semana. A noite de segunda para terça foi passada de olhos abertos, com a febre a fazer-me alternar entre frio de bater os dentes e calor de ananases, e com o meu estômago a recusar tudo o que eu lhe oferecia. Foi assim que passei o dia de terça também, com umas olheiras de todo o tamanho, com o corpo a não deixar o sono levar a melhor, deitada sem me mexer muito. Queria dormir e as preocupações, e a doença, e o mau estar, a tomarem conta de mim. As cores, os materiais, o dinheiro, as contas, os planos por organizar não me saíam da cabeça. Gosto de ter tudo organizado. Tenho um documento desde 2007 com todos os meus movimentos bancários registados, com a descrição de todas as despesas, com todos os gastos anotados. As tarefas têm outro documento só para elas e todo o santo dia o meu telemóvel toca com lembretes do género “estender a roupa”. Gosto da minha vida organizada. Não gosto de surpresas.O simples facto de não saber para que data marcar uma mudança, que despesas vou ter no mês seguinte, se vou perder ou não todas as minhas poupanças com uma venda que já se atrasa há um ano, estão a tirar-me o sono e o sorriso. Ontem, para compensar todas estas preocupações e outras tantas que não são para aqui chamadas (L., não devias partilhar toda a tua vida naquela página), quis gelado de chocolate belga da Häagen-Dazs, o meu preferido. Tive uma vontade tão, mas tão grande que lá abdiquei dos 6€ a bem da minha satisfação momentânea (L. não sejas assim forreta – só a roupa é que te faz gastar dinheiro). E ainda bem, ou hoje não teria como afogar as mágoas ao ler as notícias sobre o que aí vem – já sei que esta coisa de não ser funcionária pública para umas coisas mas ser para outras, as más, me apanhou agora em força. A modos que ando assim. Com apertos e dores estranhas. Com insónias e preocupações. A tentar dar lugar às boas notícias, que também as houve. E à espera. De chegar ao meu sofá para devorar o que sobrou do meu gelado, do fim-de-semana inteirinho com os pais, que outros tomem finalmente decisões, que as obras comecem para começar também mais uma mudança, que tanta coisa aconteça para que me possa organizar então. À espera de outros dias, de outras coisas (melhores). O hoje, destes dias, não me chega. Porque estou assim, nesta indefinição. Fora de combate, como na música que me aquece por estes dias. Hoje (nestes dias) não me recomendo.*

 

“Não queiras saber de mim

Esta noite não estou cá

Quando a tristeza bate

Pior do que eu não há

Fico fora de combate

Como se chegasse ao fim

Fico abaixo do tapete

Afundado no serrim

 

Não queiras saber de mim

Porque eu estou que não me entendo

Dança tu que eu fico assim

Hoje não me recomendo

 

(…)

 

Amanhã eu sei já passa

Mas agora estou assim

Hoje perdi toda a graça

Não queiras saber de mim”

 

*Não fiques triste com este post. Sabes bem quais foram as partes boas destes dias. E estavas em todas. Nas más também.

L. às 12:45
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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011

.Considerações II

.Gosto do ritual das visitas aos doentes que ainda se mantém em terrinhas como a minha. O meu pai foi operado ao joelho há uns dias atrás, e lá vão chegando a casa pessoas para saber como está, para lhe fazer companhia um bocadinho ou só para dizer um olá. No domingo, depois de chegar da Curia, fui eu que abri a porta a uma dessas visitas. Era o senhor Ca., com nome e sorriso de galã, a quem ninguém dá 82 anos, e que chegou até ali no seu próprio carro. Enquanto bebiam uma qualquer bebida doce no sofá, lá foi intervalando as novidades do dia com as histórias de outros tempos, aqueles em que não havia cigana bonita que lhe escapasse, mesmo depois de comprometido. Gosto dele, do sorriso de dentes bonitos que às vezes esconde com a boina enquanto me diz “ai mana, naqueles tempos…”. Prometeu que nos levava pêssego ratinho com vinho branco, feito por ele, para provar um dia destes. Eu, como faço sempre que apanho assim alguém com tantas histórias, lá o ia espremendo, e perguntando coisas a que ele ía respondendo com o sorriso maroto que arrebatava as ciganas. Quase no final da conversa, numa pergunta minha mais matreira, a minha mãe avisou-o logo, “olhe que amanhã isso já está tudo no blog”. E teria sido assim, noutros tempos, que por estes ando 'desinspirada' para a escrita.

 

.O Jo. é meu amigo desde sempre. Das conversas, das saídas à noite, dos encontros da catequese, das festas, das mensagens, das danças, de tantas coisas. E sempre foi o meu amigo com maior sensibilidade para o mundo, para as artes, para as ideias, para as coisas. Da cabeça dele saíram coisas que ninguém imagina: festas, programas, roupas, prendas, eu sei lá. Até pode parecer que só está parado a olhar para qualquer lado, mas, nesse momento, está a magicar alguma – sempre em grande. Foi com alguma surpresa que me disseram que tinha, quase nos 40 anos de idade, levado um namorado à nossa terrinha. Surpresa só por isto: considero-me amiga à séria, e não percebi porque nunca se sentiu à vontade para nos (ao nosso grupo) contar. O Jo. encontrou uma barreira na família, em alguns amigos, na terra, e em tantos grupos que apoiou, e deixou tudo para trás – as festas, a Igreja, algumas pessoas. Eu, como fiz questão de lhe dizer assim que soube, fiquei feliz, tão feliz. Sei que quando gostamos de alguém queremos ter essa pessoa ao nosso lado em tudo, e deve ser difícil, tão difícil, não nos sentirmos com força para misturar o trinómio amor-família-amigos. O Jo. viveu quase sempre para os outros, e só vivia para ele aos bocadinhos. Fiquei tão contente por saber que o Au. o fez ganhar a coragem de contar ao mundo a verdade sobre quem lhe faz bater o coração. O amor torna-nos melhores ou piores pessoas, mais ou menos felizes, mas não define quem somos – somos sempre a mesma coisa. O Jo. não é diferente – de ninguém, nem do que foi até agora. E é por isso que tenho pena. Não pelo Jo., mas por todas as pessoas que lhe viraram as costas neste momento: não percebem que perderam o Jo., e pessoas como ele são especiais e raras. Eu tenho a sorte de ter o Jo. como amigo desde sempre. E só quero que assim continue. O que temos. E como ele está – feliz.

 

.Já falei sobre isto por aqui, mas a Bimby torna-me uma pessoa mais feliz – e quase pareço fútil ao dizê-lo. A nova descoberta lá de casa faz maravilhas à alma e não deixa peso na consciência: uma caixa de frutos vermelhos congelados, um iogurte natural açucarado acabado de sair do frigorífico e um minuto na velocidade 7. Se me dissessem que era um Santini nem desconfiava… Continuo sem receber qualquer comissão.

Segunda-feira, 18 de Julho de 2011

“Acredito que podemos ser extraordinários juntos em vez de normais separados”*

O garrafão da água estava aberto em cima da bancada. Ao lado do pano da louça, da faca, da cuvete do gelo, dos restos do limão. A Bimby voltou a trabalhar. No quarto, a roupa voltou a estar por todo o lado. Já passaram 12 dias, e a desordem voltou a esta casa. Voltou a ter vida. Que bom… [Parabéns]

 

 

*Anatomia de Grey

 

Domingo, 26 de Junho de 2011

.Bimbólica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gosto quase tanto de cozinhar como de comer. Se estou chateada o melhor é mandarem-me para a cozinha. Gosto de arranjar tudo antes como se se tratasse de uma verdadeira aula de cozinha. Gosto de misturar ingredientes, de experimentar coisas novas. Fico ali, ao lado do fogão ou do forno, quase do início ao fim, a ver as minhas criações a ganhar vida. A Bimby, a nova aquisição cá de casa, veio ajudar. E se sou eu que chego a casa com preguiça de a ligar, é o Z. que já está agarrado a ela a fazer um sumo de fruta. Fazemos pão, iogurtes, molhos, gelados, devoramos os livros e vamos inventando também. Na semana passada participámos num curso de cozinha da Bimby e levámos a R., que também comprou uma e que nos fez ganhar a caixinha azul de receitas que queríamos. Estivemos lá das 18:30 às 21:30, a ver e a provar tudo o que iam preparando. No final iam sortear duas prendas, a partir das fichas que preenchemos com a nossa informação. Ouvi “L.” logo na primeira ficha sorteada, e senti o Z. e a R. a darem-me cotoveladas. Mas, ainda que não conheça muitas pessoas com o meu nome, sei que há mais ‘Marias na terra’, e não gosto de me entusiasmar muito. A única vez em que me saiu qualquer coisa foi numa festa do rancho lá da terrinha. Sorteavam uma mesa de sala e fui eu, com uns 10 anos, que vendi todas as rifas e fui chamada ao palco para tirar a sorteada do saco. E li, lá em cima, com alguma vergonha, o meu nome – ainda hoje deve haver quem pense que escrevi o meu nome em todas as rifas. Os meus pais voltaram a oferecer a mesa ao rancho e só voltei a pensar nisto quando percebi que tinha sido mesmo eu a feliz contemplada com a mala de transporte da Bimby. “L. P.”, repetiram. Era mesmo eu. Pela segunda vez na vida, em quase quase 27 anos, saiu-me qualquer coisa, e foi com a Bimby. Os meus pais brincam com o meu (nosso) entusiasmo, e dizem-me que quase estou preparada para vendê-las também – as descrições pormenorizadas das receitas, dos passos, das vantagens, arrancam umas gargalhadas a quem está connosco. Mas para isso é preciso jeito, coisa que não tenho. Tem a T.. Que vai a nossa casa, sem compromisso, prepara-nos um jantar espectacular para seis pessoas, e vai vendo as nossas bocas abertas com tudo o que a Bimby vai fazendo. E por aí, não há ninguém interessado em conhecer…? Não precisam de se tornar Bimbólicos como nós, basta ver. Mas deixo um conselho: cuidado, que é contagioso.

 

 

Além de Bimbólica, ando também Hospitólica, ou Doentólica. No último mês houve candidíases, infecções urinárias, queimaduras, constipações, más reacções a antibióticos, e a terminar, por enquanto, lesão muscular. Ontem, mais uma ida aos Lusíadas. Raio-X aos pulmões para despistar uma pneumonia e uma injecção para conseguir voltar a mexer-me. A menos de duas semanas dos 27, é a velhice a apoderar-se de mim.

Lá fora: "Vamos esquecer?"
Quarta-feira, 8 de Junho de 2011

. ...

O Marcos está a morrer. Antes de sair para este fim-de-semana de quatro dias dei-lhe banho, tirei todas as folhas secas e deixei-o assim, despido, no sítio preferido dele. À janela, com vista para o campo de golfe, o meu trabalho, o sol. Aquele onde nos esquecemos de o deixar no primeiro fim-de-semana de saltos. O Marcos está a morrer. E a culpa é nossa...

 

 

 

 

Então e não é que vai-se a ver e a TAP tem pré-aviso de greve para dia 29 de Julho, dia em que íamos rumar a Londres? É o destino ou sou eu? Cancelamos, não cancelamos? Sina...

Lá fora: [silêncio]
Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

.O bem

No sábado a G. casou, e eu estive lá com os pais e a mana. Lá em casa temos todos um vício comum: o da gula. O pai sempre nos habituou a levar coisas novas para experimentarmos, a apreender a saborear coisas novas, a desfrutar da comida. A mãe sempre nos habituou a cozinhá-las da melhor maneira, mesmo quando não gosta e não prova. Estávamos os quatro em sítios diferentes, no pátio da Plaza Ribeiro Teles, quando me deram a provar tostas de queijo brie gratinado com compota de marmelo por cima. Depois de saborear, a primeira coisa que pensei foi em levar um ao pai. Ele estava entretido com os amigos, e nem me deu muita atenção. Mais à noite perguntei-lhe o que tinha achado, e ele soltou um “não me pareceu grande coisa”. Eu, só para não ficar com cara de Bambi, respondi “para a próxima não ganha”. E a mãe, que estava por perto, disse-me “nunca te arrependas do bem que fazes”. E é nesta frase dela que mais tenho pensado nos últimos dias.

 

Terça-feira, 21 de Setembro de 2010

.Está tudo bem

O Marcos (lê-se com pronúncia brasileira) veio cá para casa quase ao mesmo tempo que eu. Foi uma prenda de quem me ajudou a pôr tudo no lugar. A amiga A. baptizou-o e justificou a escolha com as minhas novas rua e localidade. Acho que ele ainda não se habituou ao nome, e eu também não. Ainda assim, não deixo de o cumprimentar em voz alta assim que atravesso a porta e de dar uma gargalhada de seguida por me ouvir a dizer tal coisa. Ao início ficou um bocadinho amarelo e muitas das folhas caíram. E eu fiquei triste - a minha mania dos sinais a dar sinal. Era uma coisa com vida na nova casa, na nova vida, dada por alguém que quero muito na minha vida, e estava a morrer. Explicaram-me que eles também se ressentem com as mudanças. Mudei-o de sítio, cortei umas coisitas, conversei com ele, e hoje já vi ramos e folhas novas. Afinal estamos bem. Eu e o Marcos. Está tudo bem.

 

 

 

 

 

  

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lá fora: 

"As promessas ainda são uma ilusão, / As palavras eram nim agora são, / já voltei a construir o meu castelo, / E o vazio já deixou de sê-lo”

"E eu fui atrás delas."

Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

.J'y Suis Jamais Allez

 

.Ontem decidi ir a pé para o trabalho. O sol brilhava, o meu iPod tinha músicas novas, precisava de fazer exercício: ia correr tudo bem. O edifício vê-se da janela de casa, separa-nos apenas o campo de golfe. À falta de alternativas, decidi percorrer a quase-autoestrada que atravessa o Tagus Park. Vejo tanta gente a correr por ali a fora, não podia ser assim tão perigoso. Era seguro. E era de facto, excepção para os senhores automobilistas. De vez em quando ouve-se falar de pessoas aparentemente normais que se passam por alguma coisa que, aos olhos dos outros também aparentemente normais, parece insignificante. E saem as notícias sobre eles, que lemos em choque: “Parte para a violência porque a comida estava fria, porque não lhe lavaram a roupa, porque deixaram dedadas nos móveis limpos há instantes”. E eu, quando oiço um apito ou um comentário de um senhor automobilista penso sempre: “é isto que um dia me vai fazer saltar a mola”. Irrita-me de uma maneira que me transcende. E na minha cabeça sucedem-se os  títulos dos jornais: “Automobilista estrangulado em plena estrada  - Jovem de 26 anos justifica agressão com “mas ele apitou””. Ao longo das notícias lêem-se comentários de quem os conhece bem e nunca suspeitou que tal pudesse vir a acontecer. Comigo isso não vai acontecer. Porque eu aviso constantemente, só que ninguém me leva a sério. Agora terminou o que ainda não tinha começado: as idas a pé, o exercício matinal. Estou a pensar seriamente em vestir-me de verde todos os dias e tentar atravessar o campo de golfe sem ser vista. Pior do que ser apitada, é ser presa por invasão de propriedade privada. Mas por ali é que não volto a ir. Por ali não vou.

 

.Desde que me mudei do T2 com vista para a Lezíria para um T1 com uma vista que vai da Ponte 25 de Abril ao Cabo-não-sei-das-quantos com paragem pelo local de trabalho, a minha relação com os meus pais mudou. E eu compreendo. Não podem andar sempre atrás das decisões e caprichos dos filhos com um sorriso na cara. É preciso o momento do choque, da adaptação, das tréguas. Na entrada dos 26 anos continuava presa aos meus pais como se o cordão umbilical nunca tivesse sido cortado: avisava das chegadas ao trabalho, a casa, das saídas, tinha receio de lhes dizer que não ia lá no fim-de-semana, de os desiludir, de não estar à altura. A minha decisão fê-los provavelmente ver isso: afinal eu não estava à altura. E é normal que isso os tenha desiludido. À minha mãe mais ainda, que resolveu procurar atalhos em vez de dar tempo ao tempo. Houve uma espécie de corte abrupto entre nós. Numa coisa ela está certa: lá em casa, nunca estamos todos chateados ao mesmo tempo, há sempre um que defende o oprimido. E coube ao meu pai esta tarefa, a de fazer todas as coisas que ela costumava fazer. E à mana outra ainda mais difícil: sofrer os danos colaterais.

Sempre fui agarrada, mimada, insegura, com uma necessidade de pais que a mim me parecia normal, a ver a casa do Alentejo como a minha casa, o meu quarto do Alentejo como o sítio mais seguro do mundo. E a minha mãe dizia-me sempre: um dia vais perceber que tens outras pessoas por quem viver – vais continuar a gostar de nós, a querer estar connosco, a saber que aqui estás em casa, mas os fins-de-semana longe daqui não vão custar tanto, vais perceber que a tua casa está noutro lado. E eu olhava e sorria com um pensamento: “as coisas não vão mudar”.

Este corte que agora chegou talvez tenha sido necessário, talvez nos fizesse falta, talvez tenha sido o passo que faltava. Passei estes últimos anos a dizer que era crescida, e afinal estava só a tentar ser uma pessoa diferente. Crescida deve ser isto que sou agora. A L. menos dependente.

Preciso deles, claro. E não vou dizer que não custou. No fim-de-semana passado não fui lá, no próximo também não, resolvi ir lá ontem jantar. A mãe já me voltou a ligar, a chamar filhota nas mensagens, a abraçar-me ao de leve, a ficar orgulhosa com a nota final da pós-graduação. E ontem, do nada, quando me ligou a perguntar o que queria eu jantar não pude deixar de ficar feliz e de sentir que um aperto estranho saía de dentro de mim. O jantar foi estranho: como se quisessem que eu notasse que as coisas estão diferentes, mas depois se esquecessem disso e se entregassem ao momento. Dei por nós os quatro a rir como antes algumas vezes. Um antes que não foi assim há tanto tempo. Um antes que decidi que não queria mais. Por onde não vou.

 

.As coisas, as pessoas, os sentimentos, as vontades mudam. Mesmo que não se encontre lógica nisso. Eu mudo. A minha T. diz que eu não mudei, que regressei à L.. E eu sinto um bocadinho das duas coisas. Queria (poder) dizê-lo aos meus pais, ao meu mundo. Mas segura-me a rede do erro: eu sou a que falhou uma vez e pode não ter, aos olhos deles, do mundo, mais vidas para jogar. À noite (esta), no quarto com vista para o trabalho, na cama com só uma almofada, de olhos no tecto que outra menina de 5 de Julho cobriu de estrelas, agarro-me às minhas certezas. A mãe tinha razão: um dia, tudo mudou. E os fins-de-semana longe deixam de custar. E descubro onde fica a minha casa. E vivo por alguém: por mim acima de tudo. Pode parecer que dou passos apressados, inconscientes, inconsequentes, impensados. E posso vir a vê-los um dia assim - ainda que as minhas certezas de hoje me digam que não. Posso não saber para onde caminho, mas uma coisa sei. Uma que me parece importante. Por onde não vou.

 

Lá fora: "(...) anda um bocadinho saído da casca."
Quarta-feira, 1 de Setembro de 2010

.“Deixa que a vida te aconteça. Acredita – a vida está sempre certa”*

Sempre fui a miúda das caixas de recordações, das agendas, das fotografias, das coisas que se deixam tocar para mais tarde me levarem ao lugar que ocuparam um dia. Nesta última semana de férias não guardei nada. Nem um talão, uma foto, ou uma pedra. Nada palpável. Limitei-me a abrir o coração e a alma o mais que pude, e a deixar com eles a tarefa de registarem tudo o que aconteceu. E resultou. Não me lembro de me sentir tão marcada com alguma coisa alguma vez. Entre mudanças, viagens, praias, conversas, danças, hotéis, lojas de decoração, limpezas e coisas-muito-boas, percebi que estou diferente. E há quem o tenha notado. E ache bom. Há também quem me julgue louca, quem se preocupe, quem me olhe com apreensão, quem não me compreenda. Mas não faz mal. Esta semana percebi que estou mais forte. Mais decidida. Mais cheia. Mais autónoma. Mais ligada. Diria até mais feliz. Claro que o medo não desapareceu. Mas estou a deixar que a vida ‘me’ aconteça. E há quem diga que ela está sempre certa.

 

*Rainer Maria Rilke – poeta alemão (1875-1926)

 

 

 

Lá fora: "Não és homem de uma mulher só. Vais fazer asneira, tenho a certeza absoluta."

Segunda-feira, 9 de Agosto de 2010

.Os sonhos também se vendem

http://www.remax-portugal.com/PublicListingFull.aspx?lKey=5016c62e-a273-43a3-b09c-e4625e67ca4c&Index=12

 

 

Lá fora:

"Não é natural ver um bocado de mim por aí…"

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