Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010

.Sítios (o fim-de-semana das amigas para mim)

Quando começaram a chegar os habituais emails de preparação do fim-de-semana das amigas, todos traziam uma mesma ideia. Desta vez ia ser no meu sítio novo, na ‘minha’ casinha nova. E eu tive medo, mas não o pude partilhar com elas. A A., que para além de ser amiga partilha a secretária do trabalho comigo, tem sido visita de muitos dias, e até baptizou o Marcos, mas faz-me sempre sentir um bocadinho mal de cada vez que lá vai. “Mas trouxeste isto? E isto também? Mas isto não te recorda não sei o quê?” Recebi as amigas lá em casa com estas coisas na cabeça. E com outras que me têm feito mossa na caixa dos afectos.

Depois das apresentações oficiais, dos petit-gateau, das uvas, e das mangas, começaram a ficar impacientes. Vamos? Não está na hora? Onde vamos? Fomos para Sintra, descobrir aqueles sítios especiais que nos esperam sempre em cada fim-de-semana das amigas - a casa de chá da Raposa. E queria dizer-vos que o meu ar pesado enquanto bebia o “Festa” em golos pequeninos com as duas mãos não era só sono. Estava mole, estava triste, que os últimos dias não tinham sido bons. E à noite, quando adormeci no sofá enquanto vos via a pintar as unhas e ouvia as vossas histórias, não foi só cansaço. Foi segurança, foi protecção. Tive a certeza que os pesadelos e os medos não me iam apanhar de surpresa mais uma noite. Porque vocês estavam ali. Quando acordei, só de manhã, e a minha única companhia era o vento que entrava pela lareira e empurrava a chuva contra a janela, levantei-me e fui devagarinho até ao quarto para vos ver. Achei que ficavam bem ali, na minha casa, entre as coisas do meu passado, do meu presente e meu do futuro. Depois foi só voltar para o sofá, esperar que fossem acordando, que a A. e a K. começassem a discutir por qualquer coisa, que a N. retocasse a pintura das unhas, e que nos sentássemos à mesa a devorar cappuccinos, croissants de massa doce e muitas torradas atulhadas com os doces que a avó A. me vai dando de cada vez que me apanha por lá. E perceber, uma vez mais, que o sítio mais importante dos fins-de-semana das amigas não está dentro das paredes que nos acolhem, é aquele que compomos quando estamos juntas.

Estou:
L. às 16:16
link | comentar | favorito
2 comentários:
De Carlos Manuel Lopes da Silva a 6 de Outubro de 2010 às 17:01
Os sítios fazemo-los nós...
Quando se está bem, está-se bem em qualquer lado.
Quando se está mal, é o contrário.
É o nosso interior que dita o ambiente.
De Margot a 7 de Outubro de 2010 às 15:16
E quando sentires que as tuas amigas fazem certos comentários que não gostas ou que não te caem bem, diz-lhes. Porque as verdadeiras amigas, essas que te dizem o que pensam, também saberão calar-se se lhes disseres que isso te magoa. E assim nunca sentirás aquele pequeno medo de as ter lá em casa... :-)

Comentar

.Eu

.pesquisar

 

.Dezembro 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.Agora

. .Feliz Natal e um 2019 ch...

. .Das mães

. .Hoje

. .2

. .Hoje morreu um homem bom

. .Ela

. .22

. .Dos fins de semana bons ...

. .Adeus, Inderal! [com ima...

. .O batizado da Aurora

. .A caminho dos 19

. .A queda

. .I'm sixteen going on sev...

. .O nosso ovo

. .Da culpa

.Ontem

.tags

. todas as tags

.Mundo

blogs SAPO

.subscrever feeds