Terça-feira, 14 de Setembro de 2010

.Copiona [Sal]

Durante muito tempo o meu estado no email resumia-se a “Diz que tenho sal”. E foram muitas vezes que me perguntaram o significado daquilo. A frase foi copiada de uma música dos Perfume. Achei que fazia todo o sentido. Quando era mais pequena, numas férias de Verão, li o livro "Leandro, Rei da Helíria", de Alice Vieira, e foi só aí, nas palavras de Violeta, que definiu o amor ao pai assim "– Preciso tanto de vós… como a comida precisa do sal", que percebi a importância do sal. Talvez agora, nesta nova fase, tenha percebido ainda mais. O sal é essencial. Tê-lo, vê-lo, senti-lo, percebê-lo, doseá-lo, usá-lo. Que alguém reconheça o nosso, que perceba que em nós há alguma coisa que pode dar mais sabor aos dias que vêm um atrás do outro, é tão bom. Que o digam é ainda melhor.

 

Hoje estou assim, outra vez, copiona.

 

Aqueles que não têm paixões fortes estão condenados a uma vida sem sal

por Francesco Alberoni (Jornalista e sociólogo), Publicado em 14 de Setembro de 2010  |  Jornal i

 

A mudança, a inovação, a criação amadurecem sempre e necessariamente no sofrimento, no desconforto, na solidão

 

A criatividade e o poder inventivo passam sempre por períodos de crise, durante os quais questionamos tudo, até nós próprios. No recente filme de Aronofsky, "The Black Swan" ("O Cisne Negro"), a bailarina é tecnicamente perfeita, mas para atingir a verdadeira perfeição tem de viver uma crise profunda, sair de si, enfrentar o sofrimento, morrer e renascer.

 

Na realidade, todos nós enfrentamos esse problema desde a infância, quando a professora nos questiona. Muitos pedagogos são contra os exames de avaliação porque dizem que estes causam traumas. E é verdade que os provocam, porém, são também imprescindíveis - desde logo porque nos levam a questionar o que queremos para nós e a tomar consciência daquilo que fazemos.

 

Mas há aquele tipo de pessoas que durante o decorrer da sua vida não alteram a sua forma de pensar, a sua maneira de sentir, por vezes nem mesmo mudam de emprego. Vivem uma vida prudente, onde tudo o que acontece está absolutamente controlado, sem riscos e sem imaginação, na qual a necessidade de emoção e de paixão são satisfeitas apenas pela música que ouvem na discoteca ou pelo que fazem quando se juntam às suas claques desportivas.

 

Este tipo de pessoas, façam o que quer que façam - o funcionário vulgar, o filósofo, o político -, não conseguem criar ou inventar nada.

 

A mudança, a inovação, a criação amadurecem sempre e necessariamente no sofrimento, no desconforto, na solidão. A rapariga que não suporta viver no pequeno país onde se sente uma prisioneira, em determinada altura rebela-se, foge, deita tudo ao ar e arrisca-se a ser destruída. Mas só escolhe o risco porque sabe que através dele pode renascer.

 

O cientista que segue um caminho totalmente novo e consegue destacar-se dos outros é por eles ridicularizado e só depois de muitos anos os vê admitir que afinal tinha razão. Da mesma forma que o líder político ou religioso que cria um movimento suficientemente forte para ser capaz de conferir aos que o seguem a força para se rebelarem, assim como dignidade e objectivos começa sempre por ser ridicularizado. Mas só será capaz de o fazer se esse desespero, essa ruptura, essa revolta tiver começado dentro de si próprio.

 

As biografias dos grandes homens da história deixa-nos muitas vezes chocados porque nelas encontramos alterações imprevisíveis de personalidade que parecem tocadas de loucura.

 

A determinada altura, Newton cansou-se da física e decidiu dedicar-se à astrologia e sair em perseguição dos burlões de ocasião. Galileu, que sempre foi um rebelde, provocou deliberadamente todos os antigos e tudo quanto estava instituído ao escrever o "Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo". Goethe, Lawrence e Nabokov deixaram os amigos desconcertados ao escreverem obras revolucionárias muito tardiamente, mesmo antes de morrerem, como uma espécie de libertação final nas inibições que os prendiam.”

Lá fora: "(...) vem colorir solar"
L. às 11:59
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1 comentário:
De Carlos Manuel Lopes da Silva a 14 de Setembro de 2010 às 16:24
Artigo interessante este da menina "copiona"

A frase:

"A mudança, a inovação, a criação amadurecem sempre e necessariamente no sofrimento, no desconforto, na solidão"

tocou-me particularmente.
Ainda que custe, é verdade que assim é.
Nada nos é dado de "bandeja" no que toca a sentimentos e criatividade.
Há que ter a calma e a paciência para, quando estivermos a passar por uma altura menos boa, nos lembrarmos que vamos ultrapassar a dor e na maioria dos casos (excepção feita a uma perda humana, é claro), tornar-nos melhores.
E não andaremos à procura da felicidade? E o auto-aperfeiçoamento e o amadurecimento não conduzirá a ela?

Abraço

PS: Com alguns contos lidos (menos de metade) do "A rapariga que inventou um sonho", posso-lhe dizer que estou a amar!

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