Quinta-feira, 19 de Agosto de 2010

.5 estrelas

 

 

A avó está normal. Quer levar prendas a toda a gente, dá gorjetas a mais e não nos deixa pagar nada porque “estamos na Curia”. Traz um monte de gotas para lhe pormos nos olhos de dez em dez minutos e quer jantar cedo para poder ver todas as novelas da noite. Acha todos os vestidos que experimentamos curtos e zanga-se porque tiramos muitas fotos.

 

A Matilde está normal. Apanha muitas birras e pede todos os dias para dormir comigo. Quando adormece na cama dela, dá-me a mão e, mesmo a dormir profundamente ou por mais voltas que dê, não a larga até de manhã. Pede para andar de gaivota todos os dias e briga com a mAna várias vezes ao dia. Continua a mais desarrumada.

 

O Francisco está normal. Basta abrir a boca para eu começar a rir. Brinca com tudo, mete toda a gente a dar gargalhadas e é a minha companhia do ginásio. É o inventor das frases das férias. Tem as t-shirts mais divertidas que conheço e dá tudo por um “pão-do-carico” logo de manhã. Luta com a Matilde pelo prémio de mais desarrumado das férias.

 

A mAna está normal. Distribui a roupa pelas gavetas, acumula a suja numa, e experimenta coisas que não sabe se há-de comprar. Dá respostas tortas que dão inicio a várias discussões. Choca com a Matilde de 5 em 5 minutos. E com o namorado de 10 em 10. Acha que está sempre gorda. Começamos a cantar as mesmas músicas, ao mesmo tempo, do nada, e damos por nós com pensamentos iguais.

 

Eu continuo normal. Quero ir à piscina só para torrar, trago o livro sempre atrás e a máquina fotográfica colada à mão. Peço que me obriguem a comer só sopa ao jantar e depois acabo por ser a que come sempre mais. Tomo o mesmo pequeno-almoço todos os dias. Uso sempre as escadas enquanto eles vão pelo elevador. Choro no cinema, fujo para falar ao telemóvel. Deixo-o no quarto o dia todo e espero ter boas notícias quando volto a pegar nele à noite. Tento organizar os dias com planos e tenho a mala sempre arrumada, apesar de ser a que trago mais roupa.

 

Este ano trocámos o D. João pelo QuinaBiba. O nosso hotel perdeu uma estrela. Só fomos 3 vezes à farmácia. Fomos, pela primeira vez, visitar um museu. Conhecemos Tamengos, Anadia e Sangalhos tão pertinho da Curia e onde nunca tínhamos ido. A loja dos senhores velhotes do jardim fechou. Não fomos a pé aos Apartamentos. A avó convenceu o Francisco a cortar o cabelo. Mudámos de restaurante do leitão. Não terminei de ler nenhum livro. Não fomos uma única vez ao jacuzzi. A mana não teve herpes no olho ou no nariz. E trocou o carro das meninas pelo dos meninos nas férias todas. Mas a Curia está normal. E isso é mais que bom, é 5 estrelas.

Lá fora: "Para vocês é despachar, para mim é aproveitar"
L. às 22:33
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9 comentários:
De Margot a 20 de Agosto de 2010 às 15:02
Ás vezes, não há nada melhor do que percebermos que tudo continua normal, mesmo com o passar dos anos...
De L. a 2 de Setembro de 2010 às 15:04
Eu também sinto isso em relação a algumas coisas...
De Henrique a 20 de Agosto de 2010 às 15:19
A Curia é fabulosa, tu ainda mais, mas confesso que me admira em ti essa necessidade de normalidade quando dizes adorar na vida exactamente o oposto. :-D. Pensa nisso. Beijos
De L. a 2 de Setembro de 2010 às 15:06
Já ouviste falar em portos de abrigo...? Fazem sempre falta, mesmo quando se descobre a utilidade das asas. :)
De Carlos Manuel Lopes da Silva a 30 de Agosto de 2010 às 14:15
Gostei bastante deste relato e achei ternurento o facto do hábito das férias com a avó e os primos não se ter perdido com o decorrer da idade.

É um bom local e oportunidade para acalmar da azáfama do dia-a-dia do resto do ano e, como lhe chamou, para "pôr as ideias no sítio".

Eu regressei hoje de férias e, com isso, retomei a rotina que inclui, como é claro, a leitura e o comentário a um ou outro blog (muito poucos) com os quais me identifico particularmente e que me ajudam a desanuviar do stress do trabalho.

Só tenho uma dúvida que ficou pendente antes de férias: é que a cara L. não respondeu ao meu comentário sobre o "Norwegian Wood" de H. Murakami, que deixei no passado dia 29-07-2010, aqui no blog (http://fly2neverland.blogs.sapo.pt/37394.html).

A propósito, algum desses livros que não terminou de ler incluiu um título de Haruki Murakami?

Abraço
De L. a 1 de Setembro de 2010 às 17:02
Olá!

Como está a correr o regresso? Eu estou cheia de vontade de chegar a casa! Entre os livros que não terminei está "A rapariga que inventou um sonho". E comprei "O Elefante evapora-se" para juntar à lista. :) [já respondi ao outro comentário, finalmente...]
De Carlos Manuel Lopes da Silva a 2 de Setembro de 2010 às 08:28
Olá L.,

Começo por agradecer o comentário. Concordo plenamente.

Quanto ao meu regresso, está a correr muito bem, não fazia ideia que me fosse sentir assim.
Seja o resultado do descanso de férias, seja lá o motivo que for, sinto-me conformado com a ideia de vir trabalhar, os dias não me custam a passar como acontecia antes das férias e considero que, retomando alguns hábitos da rotina voltei a ter uma vida mais regrada e, consequentemente, saudável.

Tenho à minha espera, tal como a cara L., essas 2 obras de H. Murakami.
Neste momento estou a escassas 50 páginas de terminar o livro que me ocupou as últimas 2 ou 3 semanas e o próximo talvez seja de Gabriel García Marquez, mas posteriormente é quase certo que recorrerei a Haruki Murakami.
Quem sabe leio "A rapariga que inventou um sonho" para podermos trocar opinões.

Abraço
De L. a 2 de Setembro de 2010 às 15:16
Confesso que, se fosse outro livro, já me sentiria mal por não lhe dedicar mais tempo... Mas como é um livro de contos não tenho aquela sensação de abandono. Estou a gostar bastante. É gira a forma como ele mistura personagens e situações que conhecemos de outras histórias dele. Gosto de reencontrá-los. :)

Quanto às férias, ontem também tinha esse pensamento. Hoje já só penso nelas outra vez! Que regresso agitado... :)
De Carlos Manuel Lopes da Silva a 2 de Setembro de 2010 às 16:23
Pois, entendo bem.
Eu sou um bocado renitente, no que toca a livros de contos ou histórias. Gosto de livros de 1 só história de princípio a fim. Os contos deixam uma sensação de fim abrupto e normalmente não prendem como um longo romance.
Talvez por isso é que tenha adiado "A rapariga que inventou um sonho" e "O elefante evapora-se".
Talvez tenha uma fobia qualquer.
Mas essa novidade que a cara L. me deu, em relação ao reaparecimento de personagens e situações de outras histórias de H. Murakami, deixou-me com água-na-boca.
Vou mesmo ter de o ler muito brevemente.

E o regresso foi agitado, porquê? Trabalho?

Como disse, eu regressei ao trabalho na última 2ª Feira mas tenho sorte porque só hoje, 5ª Feira, tive o primeiro dia realmente agitado. Tive 3 dias para me habituar, com toda a calma, não me posso queixar

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