Quinta-feira, 8 de Julho de 2010

.Santander-Totta

Os meus pais nunca me deixaram trabalhar em tempo de aulas, “dedica-te à escola, agora que é tempo”, diziam-me. Nas férias do primeiro ano de faculdade decidi que queria mesmo trabalhar – ganhar uns trocos, experiência, coisas assim. E podia ser em qualquer lado: na apanha do tomate, na vindima, nas estufas. Queria fazer qualquer coisa. E eles apoiaram-me, por ser nas férias. Na altura o padrinho trabalhava no Santander-Totta (agora a concorrência roubo-o) e eles lançaram uma campanha para os familiares e amigos dos trabalhadores: tem o 11º ano, menos de 25 anos, venha trabalhar connosco. E eu fui à primeira entrevista da minha vida. Era a mais nova, tinha calças de ganga vestidas, e estava rodeada de gente engravatada e sem sorrisos para devolver. Fiz todos os testes, escolhi balcões perto da terrinha e fui embora, a pensar que devia começar a procurar outra coisa para fazer – aquela era uma realidade muito longe da minha. Foi por isso que estranhei quando me telefonaram uns dias depois a propor uma estadia de três meses em Beja. Beja, nunca tinha estado lá a não ser para deixar os companheiros da viagem de finalistas, só tinha visto a cidade de dentro do autocarro. “Mas os meus testes estavam assim tão maus?”, perguntei eu assustada. “Não, estavam muito bons, por isso lhe propomos um sítio que não estava na sua lista, e que também é no Alentejo”. Fiz as malas e mudei-me para um sítio onde não conhecia ninguém durante 3 meses, nas minhas férias de Verão. E foi bom. Fui bem recebida, aprendi um monte de coisas, fiz um monte de amigos e pagaram-me bem. Na altura tinha conta no BES, e a minha praxe, também para aprender como se fazia, foi abrir uma conta para mim. Com ela veio um cartão multibanco, laranja, giro, e que dizia “Jovem” de lado. Durante estes anos todos fui fiel ao Santander, deixei todos os outros bancos para trás. Até porque me voltaram a dar emprego no ano seguinte, em Lisboa, no Parque das Nações (e duas semanas no Marquês de Pombal). E essa foi uma das melhores experiências que tive: fazer caixa, representar o banco em escrituras, assistir a reuniões com malta do dinheiro, acrescentar uma data de contactos ao telemóvel que duram até hoje. E, quando saí da revista de barcos, chamaram-me de novo. Recusei com muitas dúvidas, porque nesse mesmo dia chegou a proposta para o emprego onde continuo até hoje. Mas sempre defendi a camisola deles. Até à semana passada. O meu cartão laranja, que dizia “Jovem”, só era válido até 06/10. Lembro-me do dia em que o recebi e fiz as contas: faltava tanto para aquela data. Mas ela chegou. E com ela um cartão novo. Horrível, vermelho, que não diz “Jovem”. E isto coincidiu com a minha entrada nos 26. E não é bom. Não me tivessem dado 19 anos por duas vezes nestes dois últimos dias e estava capaz de entrar em depressão. Assim talvez mude só de banco. E o Banif do padrinho até tem um cartãozito bem giro da Kitty.  

 

Lá fora:

"Tenho medo do depois, confias demais nas pessoas"

"Tenho medo. Só."

L. às 12:26
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6 comentários:
De dores e cores a 8 de Julho de 2010 às 16:50
L. não são os cartões que nos dizem a idade, e ter 26 anos nada é mais que isso mesmo, 26. Não é de mais nem de menos, é um número, ou melhor 2. Juntos. E isso apenas é importante se os deixares pesar. Na alma. Beijos
De Anónimo a 8 de Julho de 2010 às 21:51
Tem dois algarismos, que juntos formam um número, não dois números.
De L. a 9 de Julho de 2010 às 15:16
Parece que o problema é esse... Estão a pesar-me na alma! :)
De abouttudo a 9 de Julho de 2010 às 14:08
Bem gira a tua história! Essa do Jovem também já me faz uma certa confusão, e eu já tenho uns aninhos a mais que tu. Acho que a minha sorte é darem-me sempre menos ;)
De M. a 12 de Julho de 2010 às 20:53
Piolha, vai por mim! :)
A idade não está no número de dias da nossa existencia, já viste que esse é muito maior, o que conta é o que está na nossa cabeça e o que sentimos.

Beijocas
De Margot a 20 de Agosto de 2010 às 15:13
Também tenho sentimentos desses e pensamentos desses... Mas à medida que os anos passam e os 20 foram dando lugar aos 30, apercebi-me de que o mais importante é irmos aproveitando aquilo que o passar dos anos nos vai dando. E, digo-te, só muito mais feliz agora do que quando tinha 26 anos!

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