Sábado, 20 de Fevereiro de 2010

.Amizade. Partilha. Cumplicidade.

Encontro de Janeiro, restaurante "Fenícios"

 

Queria escrever qualquer coisa bonita. Passar para esta página em branco tudo o que a noite de ontem significou. Queria pegar nas minhas palavras mais perfeitas e contornar-vos com elas. Mas às vezes as palavras não são suficientes e nem sempre me saem dos dedos.
 
Ontem a palavra de ordem foi recordar. O passado. As conversas. Os caminhos. Os erros. As escolhas. Os momentos.
 
A Nês vem a Lisboa, vamos jantar? O Lucca está fechado, vamos experimentar o La Finestra? Festa na faculdade ou só um barzito? A estas perguntas respondemos em longas conversações no gmail. Eu sou sempre a Maria-vai-com-as-outras: concordo com tudo, digo, mesmo quando à conversa vêm muitas sugestões.
 
Dei voltas pelo Alegro enquanto esperava que a Nês terminasse as coisas da vida de crescida. Depois apanhei-a e recordámos os caminhos que fazíamos para o emprego que partilhámos, o supermercado onde fazíamos as compras à hora de almoço, o croissant de ovo igual ao da faculdade, as risotas que saíam enquanto eu tratava de reclamar com todos os outros condutores.
 
Estacionámos em frente ao chinês da faculdade, ao lado do Pato Real que ganhou destaque no nosso hino, em frente aos muros que um dia abrigaram gritos de revolta e que agora são só brancos. Trocámos segredos de maquilhagem enquanto obrigávamos as borbulhas e as olheiras a esconderem-se. E depois foi só esperar pelo resto da malta, embaladas pelo chá preto com limão e canela e a pasta de azeitona.
 
Pronto, vou contar-vos. Esta é a frase que mais se ouve à nossa mesa. Choramos, rimos, fazemos caras de espanto e olhares que só nós percebemos. Se uma faz asneira, há sempre quem repreenda e quem mostre o lado bom da coisa. Se outra acha uma coisa realmente boa, há sempre alguém para empurrar até à realidade. Ali, onde nos atropelamos para contar os dias em que o tempo nos leva para longe, não é só o jantar das amigas que acontece. Chamar-lhes-ia pequenos milagres. Pequenas catarses. 
 
Deixámos a mesa do restaurante e partilhámos uma daquelas em que os nossos joelhos se tocam. E deixámos o tempo de lado, sem lhe dar contas, e partilhámos as coisas que só ali fazem sentido.
 
Gosto de nos ver a andar na rua. Porque quando vamos ali as quatro, lado a lado, tão diferentes da cabeça aos pés, consigo imaginar-me do outro lado a ver-nos a andar em passo seguro, de sorriso nos lábios e música de fundo. E esta é uma imagem que não tem palavras à altura.
 
Pensamos em frio e em sofás de três mil euros quando isso não é o mais importante. Damos por nós em mesas cheias de folhas porque o nosso instinto se deixa enganar no caminho. Paramos em sítios escuros no caminho para casa. Percebemos que já não temos a mesma pujança de ontem. Que não estamos dispostas a algumas experiências. Que nos acomodamos vezes de mais. Que arriscamos de mais também. Mas, percebemos também, somos as mesmas quatro de sempre. As das escadas da FCSH daquele primeiro dia. A da flor no cabelo. A da madeixa branca na testa. A menina da pele transparente. E a dos óculos diferentes. Que não importa se à mesa temos calzone ou humus, do que vimos cheias nestes dias é de amizade.
 
Queria utilizar palavras bonitas para dizer-vos tantas coisas. Dizer que foi bom beber aquela coisa com cafeína pela primeira vez convosco. Que cantei muito com o ABel até casa pelo escuro da noite. Que não me enganei e dei o toque para o telemóvel certo ao chegar. Que é bom partilhar esta coisa estranha de nos conhecermos tão bem umas às outras que nos chegamos a adivinhar. E que até temos medo de olhar olhos nos olhos em certos dias com medo que nos descubram. E pedir desculpa pelas coisas que às vezes ainda ficam por dizer. Mas as palavras bonitas às vezes não passam disso mesmo. De palavras bonitas. Muitas vezes ocas. Restam-me as sinceras. Não vale a pena inventar outras quando algumas que existem são tão perfeitas e tão cheias. Quando as já inventadas nos cobrem, às quatro, tão bem como uma segunda pele ou o nosso melhor vestido dos saldos. Amizade. Partilha. Cumplicidade. 
Estou:
Lá fora: “Qtas x vais ser tu capaz/Fazer sair quem por engano entrou"
L. às 12:22
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2 comentários:
De BettyBoop a 22 de Fevereiro de 2010 às 14:28
Sim...é isso tudo e são esses nadas que são tudo. Somos nós no nosso melhor. Hi4!!! :)**
De L. a 24 de Fevereiro de 2010 às 14:52
Hi4! :)

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