Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

.Falar

Por norma, falo de mais. Falo, falo e falo. Conheço uma pessoa, penso que é logo minha amiga e falo. Falo, falo e falo. Conto o que devia e não devia. O que penso e quero, e também o que não quero. Conto os planos, os desejos os sonhos. As coisas que devia guardar só para mim. Porque sou assim. Desbocada. Às vezes [muitas vezes] oiço más respostas. A sério? Queres mesmo? Ah, não gosto muito. Pois, tu é que sabes. Acho que fazes bem. Mas continuo a falar. Mesmo depois das [más] respostas, mesmo depois das [más] reacções, mesmo depois das [más] desilusões. E é quando vejo os meus planos noutras mãos que percebo que falo de mais. Falo, falo e falo. E não mudo.

 
Apesar de falar, falar e falar, não sou de reclamar. Oiço, aguento e calo. Talvez por isso leve com todos aqueles que reclamam. Ao telefone, na vida. Topam-me à distância e é comigo que vêm ter. E eu oiço, aguento e calo. Em 25 anos (e meio) de vida, nunca tinha feito uma reclamação. Por norma, sempre que me magoam, chamam nomes, contrariam, gritam, criticam, oiço, aguento e calo.
 
No espaço de um mês, fiz duas reclamações. A primeira foi para a CP. Perder o comboio de ligação três vezes porque param para deixar passar o alfa, o intercidades, o regional e todas as formigas, fez-me esperar uma hora pelo novo autocarro para o emprego, chegar uma hora atrasada ao emprego, chegar mal humorada ao emprego, sair mais tarde do emprego. Três vezes. E à terceira é de vez: saiu uma reclamação. Ainda não me responderam, mas ouviram-me (leram-me).
 
Na quarta-feira não estava muito bem disposta. Há dias assim. Estava irritada com o mundo em geral e com muitas situações em particular. E à minha espera tinha uma carta. Do Hospital de Vila Franca de Xira com a indicação do valor de uma taxa moderadora para pagar. Ontem também não estava bem disposta e a reclamação saiu. Uma folha A4 inteirinha. Caramba, mandaram-me para um hospital apinhado de gente, com um caso de gripe A confirmada, deram-me um tempo de espera de 04h30, nem sequer fui consultada e agora querem €8,40?
 
Escrevi, escrevi, escrevi. Porque escrever é também uma forma de falar. O meu pai é que tem razão. Que eu tenho de mudar. Não há muitos anos atrás, quando ele ralhava ou chamava a atenção para qualquer coisa, eu começava a chorar. Era instantâneo. E ele zangava-se ainda mais. Porque queria luta e eu desistia logo à primeira.
 
Talvez seja agora, aos 25 anos (e meio), que a mudança chegue. Chega de falar, falar e falar. Chega de ouvir, aguentar e calar. É só trocar.
Estou:
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L. às 15:48
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8 comentários:
De .Entre o Aqui e o Ali a 4 de Dezembro de 2009 às 20:24
Nem diria que eras tu :P

Adorava ter lido essa reclamação.. :D

Ainda continuo à espera do telefonema..

Beijinho,
De L. a 9 de Dezembro de 2009 às 15:47
Vê lá tu ao que eu cheguei... :p

O telefonema já chegou! O comentário no teu blog também... E cá está a resposta ao comentário! :) Estou a melhorar! Já devo estar no 3º lugar da contagem das piores amigas de sempre... :p

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