Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007

.Passou

[elotopia.net]

Sim, era quase Natal. Saí mais cedo na sexta e fiz-me ao caminho. Sem filas na segunda circular. Nem na ponte. Cheguei cedinho. A tempo de entrar na loja ainda aberta e levar miminhos de um monte de gente. Cheguei e disse: "vou ficar quatro dias". Assim, como se fosse a melhor coisa do mundo. E era, para mim. Talvez porque não acontecia há muito tempo. Ou porque pode ter sido a última vez que tantos dias assim livres foram passados ali. Os próximos serão passados na minha casa. A nova. No sábado acordei cedinho para receber os meninos da catequese. Vimos o "Amor Acontece". Rimos nas partes mais constrangedoras para eles. Percebi, uma vez mais, porque é um dos filmes da minha vida. E trocámos prendas. Matei saudades da madrinha. E dividi o sofá com o Ricardo e o Francisquinho enquanto via o sofrimento do Sporting para vencer o Paços. No domingo terminei as compras de Natal. E obriguei a minha mãe a comprar roupa para ela numa exploração exaustiva, a duas, na Zara de Almada. Vi o primo Zé, o nosso padeiro de sempre, que me fazia os pães com chouriço, de propósito, quando eu tinha visitas de estudo. A segunda foi de preparativos. Limpezas com a mana de manhã, doces à tarde. Experimentámos aquela receita de chocolate que vimos no cabeleireiro, tirámos o serviço bonito do armário e enfeitámos a mesa ao pormenor. A Salomé, da casa quase em frente, levou-nos a prenda. E rimos do postal que nos enviou pelo correio. Uma forma de contornar as mensagens de telemóvel, os telefonemas. Uma coisa que fica, como ela disse. Concordo. Recebemos a Susana lá em casa, enquanto tirávamos o bolo de chocolate da forma. Aos pedaços. Mas docinho, como se quer. E a Mingas, que nos levou um pratinho do melhor arroz doce do mundo. O jantar foi interrompido pela Matilde e pelo Francisco com as prendas. Acenderam o rastilho. Levantámo-nos e começámos a nossa troca. Umas botas para a Ana. Dois casacos para mim. O MacGyver para o pai. Um casaco para a mãe. E uma caixa de bombons com bilhetes de teatro escondidos para os dois. Depois veio um saco do lixo para as duas, com uma notinha recheada para dividir. Levámos os presentes aos avós. E recebemos. Matámos as saudades da avó velhinha que de tão leve e pequenina parece uma folha. Daquelas com muitas nervuras, quase transparente, e cheia de histórias para contar. Distribuímos beijinhos na missa do galo. E recebi o primeiro elogio do tio Carlos. "Estás um borracho com esses calções". Soube bem, depois de ter passado o dia a ouvir que estou com as bochechas maiores. Visitámos outras lareiras depois. E adormecemos, eu e a Ana, na minha cama, ao som de Vanessa da Mata. O almoço de Natal foi na avó Amélia. Com o avô a tocar pelo nariz. A avó preocupada em fazer muita comida. Os tios, que até há pouco partilhavam brinquedos comigo, distribuíam mimos pelas mulheres e pelos filhos. Trocámos prendas. Entre as teias que saíam do fato de homem aranha do Carlitos e as caixas de bonecas da Márcinha, que quando abria uma das milhentas prendas lá ia soltando um: "Olha pai, o Pai Natal não se esqueceu desta, tinhas razão". Depois chegou o Carlos. Que me trouxe o tão desejado livro de receitas da Popota. E o casaco que já namorava há tantas semanas na Pepe, dentro da caixa de uma qualquer varinha mágica. E um presépio para a casa nova. E que não saiu mais do Puf depois de eu lho ter oferecido. Recebemos o Jey lá por casa, já com a camisola que lhe dei vestida. E corremos as vizinhas de guarda-chuva na mão só para desejar Feliz Natal. Custa tão pouco arrancar um sorriso e fazer alguém feliz. Como ficou o Francisquinho depois de receber o primeiro perfume "de homem". E a Matilde depois de receber o primeiro de muitos Swatch (se sair à madrinha). Oferecemos postais aos avós, com a chave de cartão da minha casinha nova, para que soubessem que são sempre bem vindos. E assustei os tios, que pensaram ser um convite de casamento. Recebi um monte de coisinhas para a casa da lezíria. E notinhas. E pijamas. E casacos. E pulseiras. E pregadeiras. E chocolates. E beijinhos. E amor. Claro que chorei, à noite, na minha caminha. Depois de ter arrancado mais uns sorrisos aos avós, aos pais, à Mingas e às D. Eugénias da minha vida. Sim, ia lá ficar quatro dias inteirinhos. A comer pão alentejano. A dormir na minha caminha. A aquecer-me ora na lareira da sala ora na cozinha. A levar beijinhos dos papás e da mana logo pela manhã. A ver jogos com o pai. A aprender novas receitas com a mãe. A ficar na conversa até às tantas com a mana. Sim, já era quase Natal. E, agora, já passou.

 

Estou:
Lá fora: "All I want for christmas is you..."
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L. às 13:50
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2 comentários:
De melancholia_romantic a 27 de Dezembro de 2007 às 16:47
Olá .
Queria só dizer q ADORO o teu blog, fazes post's Lindos...=)
Beijinho ***
De L. a 28 de Dezembro de 2007 às 12:30
:) Sabe bem saber... Bem vinda :)

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