Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007

.Hoje

 

 

Sou muito indecisa. A pior que conheço. Nunca tenho a certeza de nada. Ultimamente, nem seque luto por nada. Indecisa, acomodada, parada. O espanhol terminou. O livro de cabeceira é o mesmo há alguns meses. Sinto que ainda não entrei  completamente no novo emprego e tenho medo de não estar à altura. Não sei se estou bem ou a mais lá em casa. Se devo ficar ou procurar. Chego a casa todos os dias e o cansaço obriga-me a ficar pelo sofá. A preguiça recomenda-me a televisão e nem me permite ligar o pc para debitar alguma coisa ou falar com alguém. Por ali fico. Arrasto-me para a cozinha e como uma sopinha da minha mamã, que a dita preguiça não me permite mais. Já no quarto, faço contas para dormir o máximo de horas. Horas depois, adio o despertador. De sete em sete minutos. Cinco seria pouco, dez de mais. Entro no banho, sim, lavar o cabelo deveria ser obrigatório, só isso me mantém acordada durante todo o dia. Ainda não percebi porquê. Saio para a rua. De cabelo molhado. Espirro, invariavelmente. Percorro os caminhos que me levam ao comboio com a multidão que sai de casa, sempre à mesma hora, nem mais nem menos um minuto. Aceito os jornais que me são dados. Percorro a actualidade em cinco minutos. A viagem até Lisboa faz-se de pé. Atentos, alguém pode sair mais cedo e libertar um lugar. Observamo-nos, inventamos histórias de vida para cada um, trocamos apenas as palavras necessárias. De vez em quando ouvem-se algumas desnecessárias e agressivas. Os dias repetem-se vezes sem conta. Às vezes parece que já há tempo de mais. Deixam um travo de tempo perdido. Um tempo que deveria ser aproveitado com pessoas e coisinhas boas. Mas hoje é um bom dia para mudar. Li algures uma citação de Dalai Lama que dizia: "Só existem dois dias em que nada pode ser feito. Um chama-se ontem e o outro amanhã. Portanto, hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e, principalmente, viver". Hoje, quando sair, não vou para casa. Vou entrar no carro da Ana, depois no autocarro ou no metro, e seguir por ruas novas até à exposição do Corpo Humano. Hoje, o último dia em que ela está patente, é mesmo um dia perfeito para mudar. E, depois, mais tarde, deixar o vício tomar conta de mim, aconchegar-me no sofá, e alternar entre aquilo que mais gosto. Amanhã vou voltar a adiar o despertador, a apanhar o comboio em barcarena e esperar o 726 em Sete Rios, a fazer o percurso inverso à tarde, vou trabalhar e levar almoço para o refeitório, vou prometer mudar e empenhar-me mais nas coisas. Amanhã vou fazer tudo da mesma forma. E reclamar por isso mesmo. Mas, hoje, vai ser diferente. Hoje, que cheira a chuva, mesmo como eu gosto.

 

Imagem: elotopia.net

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Lá fora: Vanessa da Mata e Ben Harper - Boa sorte, Good Luck
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