Quarta-feira, 3 de Outubro de 2007

.D'outro mundo!

 

É o que costumo dizer quando a vida me surpreende pela positiva. Quando sinto um cheiro que me agrada, quando um beijo me deixa sem fôlego, quando recebo uma boa notícia ou uma prenda que ando a namorar há meses, quando a Matilde me faz massagens ou quando a Ana me conta as novidades da aldeia. Mas não passava disso mesmo. De uma coisa boa, porque, em relação a experiências 'd'outro mundo', sempre preferi crer do que ver.  Há algum tempo atrás, na altura em que o meu pai foi operado e andava a fazer, diariamente, fisioterapia em Lisboa, acho que tive a minha primeira experiência surreal. No dia em que a doença foi mais forte que o Tuto, passei a noite a sonhar com ele. Acordei doente, não fui trabalhar e, quando me deram a notícia, percebi que havia mesmo um motivo mais forte para eu ter ficado em casa. Não acredito em coincidências, acredito sim que as coisas têm uma razão de ser e por isso não pensei mais no assunto. Só voltei a sonhar com o Tuto mais tarde, num dos dias em que o meu pai devia deslocar-se a Lisboa para o tratamento. Sonhei que tinha batido à minha porta e que fiquei surpreendida quando a abri por estar a vê-lo. Não percebia se estava a sonhar ou se a morte dele, essa sim, não tinha passado apenas de um pesadelo. Lembro-me da cara da Ana, surpreendida como eu. Abraçou-nos, disse que tinha saudades nossas, de estar ali em casa e mostrou-nos fotos onde estávamos os três juntos. Fotos que eu nunca tinha visto, mas de momentos reais. Depois, pediu-me que o levasse à porta e, nessa altura, pediu-me que não deixasse o meu pai ir a Lisboa porque podia acontecer algo grave. Acordei a chorar. Não conseguia levantar-me, como se não estivesse sozinha ali. Tinha medo de abrir os olhos, de me destapar. Pensei como era cobarde, tantas vezes te tinha pedido um sinal de que continuavas ali e, quando te senti tão perto, hesitei. O telefone tocou, do outro lado estava a minha mãe. Em lágrimas, contei-lhe o que se passava. Acalmou-me, disse-me que, mesmo que alguma parte do Tuto estivesse ali comigo, ele seria a última pessoa a querer fazer-me mal. Queria falar com o meu pai, mas a minha mãe não sabia dele. Não atendia o telefone, pensámos que já estaria a caminho de Lisboa e eu não sabia o que devia fazer. Quando finalmente me ligou, disse-me que tinham desmarcado a sessão desse dia. Durante todos os meses, os que antecederam a operação e também depois, foi o único dia em que alteraram o que estava previsto. Não sei se foi mesmo um aviso, um pressentimento. Não sei se sou doida e se tudo não passou de uma série de coincidências misturadas com muitas saudades do Tuto. Quando contei a uma amiga, ela disse-me que eu tinha muita sorte. Também acredito que sim. Pode não ter sido real, mas eu tenho a opção de acreditar que foi. Que, de alguma forma, o Tuto continua mesmo aqui comigo. Que as coisas que digo em silêncio todas as noites quando rezo são mesmo ouvidas por ele. Que a vontade que continuo a sentir de lhe contar tudo o que me acontece e de o levar comigo a tantos sítios não é disparatada. Que a nossa amizade não acabou. E que foi, é, e será sempre uma coisa 'd'outro mundo'.

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