Segunda-feira, 27 de Agosto de 2007

.Road to nowhere

 

 

Voltei. Da Curia. Ou de mim mesma. É lá que faço sempre questão de me perder dentro de mim para mais tarde me voltar a encontrar. É lá que me obrigo a chorar para depois rir até não poder mais. É lá que me permito pensar, para logo depois obrigar as ideias a encaixarem-se da forma que penso ser a mais correcta. Voltei lá. Voltei a passar a avenida dos plátanos, que me deixa sempre um sorriso enorme na cara e onde tantas vezes disse que ia casar. Voltei ao mesmo hotel. Com as mesmas pessoas. Voltei a cruzar-me com as mesmas gentes. E a conhecer novas pessoas. A tomar o mesmo pequeno-almoço todos os dias. A comprar as revistas no mesmo sítio. A almoçar na mesma mesa. A comer sopa uma vez por dia. A pregar partidas à avó. A brigar com a Ana. A demorar horas no jacuzzi. A dar mergulhos rápidos para voltar à toalha quentinha. A brincar com a Matilde. A jogar à bola com o Francisco. A abraçar o Nando como a um mano mais novo que fica longe muito tempo. A andar de gaivota e a contar os patos com a "gaiata". A comer leitão um monte de vezes. A ir às compras todos os dias. A fazer a refeição de cachorros quentes no quarto. A escolher a roupa da Matilde e a correr nas escadas para ver quem chegava primeiro. Há nove anos que vamos para lá e, apesar deste nosso ritual sagrado, tanta coisa já mudou e passou. Sinto que chego lá diferente todos os anos, mas nada ali perde o encanto. Só nós. Ou só eu. Que já nem lá me consigo abstrair do mundo de grandes onde fui obrigada a entrar. "So this is goodbye?". Não. É um até para o ano.

Estou:
Lá fora: Maroon5
L. às 15:18
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2 comentários:
De Zam a 31 de Agosto de 2007 às 14:02
Olá, antes de mais parabéns pelo destaque.

Em segundo lugar quero dizer-te que estive a ler alguns post do teu blog e que os arrepios foram constantes. A maneira com escreves, a mensagem que passas é deveras tocante. E é tocante pela realidade implícita nela mesma, pelos sentimentos reais que muitas vezes estão tão profundamente escondidos no nosso ser que nem nos lembramos deles.

Parabéns e acredita que voar contigo é, ou melhor, deve ser, digno de um daqueles sonhos de que nos queremos lembrar logo de manhã mas que apenas vamos tendo pequenos flashes dele ao longo dos dias.
De L. a 31 de Agosto de 2007 às 14:23
O teu post deixou-me com um sorriso daqueles que aparecem sem nos apercebermos... daqueles que aparecem quando lemos uma mensagem boa e alguém nos diz "o telemóvel fez-te cocegas?". Dos sinceros :) Bem vindo.

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