Quarta-feira, 20 de Junho de 2007

.Quase nos 23

 

Já falta pouco para voltar a soprar as velas. 23. Mais uma para juntar ao bolo de amêndoa e marmelada da minha mamã (o meu preferido!). 23. Um número que sempre me pareceu tão distante e que agora está tão perto. Sempre adorei fazer anos. É o meu dia, o dia em que todos os meus amigos, família e outras pessoas que me rodeiam são 'obrigados' a pensar em mim - pelo menos quando o telemóvel os recorda. Dia 5. O meu número mágico. Para o totoloto, para as passwords , rifas, cautelas e afins. O dia das festas gigantes, em casa, na rua, com todos (como naquela vez em que convidei a aldeia inteira e a minha mãe só percebeu quando os convidados começaram a chegar...).

Este ano vai ser diferente. "Quando foi a última vez que teve uma primeira vez?". Vai ser no dia 5. Vai ser a primeira vez sem ti, Tuto. Estavas sempre lá... Ainda me lembro da tua força e do teu cheiro naquele abraço que me deste quando cheguei ao restaurante depois de ter tido o acidente. E vai ser também a primeira vez em que não tenho vontade de fazer anos. Olho para trás. A minha vida como uma estrada pintada por mim... Com tantas falhas, tantos buracos, mas também com tantos troços perfeitos. Acho que só agora percebi que o pincel não pára. Está na minha mão na maior parte das vezes, mas não pára.

 

Quase nos 23, percebi que mudei em muitas coisas e tenho que mudar em tantas outras. Perdi coragem, ganhei medo. Medo de não estar à altura das coisas, das pessoas, dos desafios. De não ser uma boa pivô, de não ser escolhida sequer, de não saber que notícia fazer, de pensarem mal de mim por não vender mais impressoras, de não saber de que lado vem o vento ou para onde virar o leme no mar...  Já não sou a menina que inventa, que organiza, que faz. Já não tenho coragem de perguntar, de pedir, de enfrentar. Percebi que a minha melhor arma e defesa, o sorriso, não pode ser gasto com tanta gente. Percebi que não posso confiar e acreditar tanto nas pessoas. Com quase 23, fiz coisas boas e coisas más. Coisas que me orgulham e outras que preferia não ter feito. Magoaram-me e magoei. Sofri e fiz sofrer. Chorei e fiz chorar. Surpreendi e fui surpreendida. Amei e fui amada. Fui feliz e fiz outros felizes.

 

 

Quase nos 23, percebi que continuo igual a mim mesma. Continuo a ver a minha casa como o melhor sítio do mundo, o meu quarto como o meu espaço zen e a minha família como o meu templo sagrado. Continuo a coleccionar amigos e a pensar que são os melhores do mundo. Continuo a gostar de ti Tuto, como no primeiro dia. E de ti avô, que nos olhas da nuvem mais alta, como diz a Matilde. Continuo a gostar de me deitar na relva, de dançar descalça enquanto o meu avô toca concertina, de enrolar as linhas enquanto a minha avó me faz a bainha das calças e de ir apanhar limões para o chá com a outra avó. Continuo a gostar de partilhar tudo com a minha mãe, de ir ao futebol com o meu pai e de dormir com a minha mana. Continuo a ler sempre primeiro o final dos livros e a começar a ler as revistas pelo fim. Continuo a gostar de ficar na conversa nas casas dos vizinhos e de comer qualquer coisa em todas elas, de ir à volta com os meus pais e conhecer todos os velhotes, de brincar como se fosse criança com a Matilde. Continuo a gostar de dançar no rancho, de dar catequese aos meus meninos e de ir ao Astérix. Continuo a querer ser jornalista, mesmo agora que já o sou. Continuo a precisar de estar e de me sentir apaixonada todos os dias para ver o mundo mais colorido. Continuo a adorar compras e a fazer loucuras quando gosto muito de uma coisa. Continuo a gostar de agradar aos outros e de que gostem de mim.

 

 

Quase nos 23, continuo a ser criança. A gostar da Kitty , a comprar malas e carteiras dela, a ver desenhos animados e a fazer birras quando as coisas correm mal. Continuo a maquilhar-me só em casos extremos, a não pintar as unhas e a não usar saltos altos. Continuo a dar gargalhadas nos sítios mais impróprios. E a chorar também. Continuo a ir ao Jardim Zoológico com o mesmo entusiasmo da primeira vez (porquê, porquê?) e a gostar de hipopótamos. Continuo a comprar roupa de criança e a usar flores e borboletas no cabelo.

 

 

A sair dos 22, continuo a sonhar e a pintar a minha estrada. E a dar pinceladas nas de outros, que com a minha se vão cruzando. De vez em quando tiro os olhos do chão e pinto o meu próprio arco-íris . Não sei se encontrarei o pote de ouro quando chegar ao final. Não sei quem me vai acompanhar nesta caminhada. Mas vou pintando, com muitas cores.

Quase com 23, decidi que não vou deixar de ser eu. Nem de sorrir. A tudo e a todos. Conhecem decisão melhor?

Estou: Jantarada?Familia?Amigos?TUDO!
Lá fora: Ala dos namorados - Caçador de Sóis (..nos teus caracóis..)
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L. às 16:28
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4 comentários:
De antiego a 21 de Junho de 2007 às 01:46
"Todas as idades são bonitas".
De L. a 21 de Junho de 2007 às 08:50
Estou a contar com isso ;)
De antiego a 21 de Junho de 2007 às 09:39
Optimismo é um dom. Sempre que possasamos, sejamos optimistas.
De BettyBoop a 21 de Junho de 2007 às 10:50
És linda assim, como és!*mua*

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