Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

.Simples

Sempre tive pena de não conseguir escrever com palavras complicadas. Mais no trabalho do que na vida. Tenho tendência a simplificar, a deixar tudo num plano em que toda a gente possa perceber. Quando leio um discurso realmente bem escrito, uma nota com palavras que não me ocorreriam facilmente, lamento isso. Quem me dera poder saber escrever de tantas maneiras, de forma elaborada também. Mas depois oiço músicas destas, com poemas assim, feitos de palavras simples, que conseguem chegar tão depressa cá dentro, e fico sem pena nenhuma. Gosto assim delas, das palavras. Simples.

 

 

"Olha lá

Já se passaram alguns anos

Nem sequer vinhas nos meus planos

Saíste-me a sorte grande

 

E eu cá vou

Usando os louros deste achado

Contigo de braço dado

Para todo o lado

 

Eu vou até morrer

Ser teu se me quiseres

Agarrado a ti

Vou sem hesitar

 

E se o chão desabar 

Que nos leve aos dois

Vou agarrado a ti

 

Meu amor

Na roda da lotaria

Que é coisa escorregadia

Saíste-me a sorte grande

 

E eu cá vou

À minha sorte abandonado

Contigo de braço dado

Para todo o lado

 

Eu vou até morrer

Ser teu se me quiseres

Agarrado a ti

 

Vou sem hesitar

E se o chão desabar 

Que nos leve aos dois

Vou agarrado a ti

 

Vou sem hesitar

E se o chão desabar

Que nos leve aos dois

Vou agarrado a ti

Vou agarrado a ti

Vou agarrado a ti"

 

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Sexta-feira, 23 de Março de 2012

.Shake it out

 

 

“(…)

And every demon wants his pound of flesh

But I like to keep some things to myself

I like to keep my issues drawn

It's always darkest before the dawn

And I've been a fool and I've been blind

I can never leave the past behind

I can see no way, I can see no way

I'm always dragging that horse around

(…)

Tonight I'm gonna bury that horse in the ground

So I like to keep my issues strong

But it's always darkest before the dawn

Shake it out, shake it out, shake it out, shake it out, ooh woaaah

Shake it out, shake it out, shake it out, shake it out, ooh woaaaah

And it's hard to dance with a devil on your back

So shake him off, oh woah

I am done with my graceless heart

So tonight I'm gonna cut it out and then restart

(…)”

 

[Música para mim. Porque mesmo quando não podemos falar (nem escrever) é fácil encontrar nela as palavras que escondemos cá dentro – Shake it out]

 

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Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012

.Música

Lá por casa, no Alentejo, sempre se ouviu muita música. Os pais tinham uma aparelhagem grande, com um vidro que eu utilizava como espelho, e onde me ia vendo enquanto cantava e dançava – aos poucos deixei de me conseguir ver toda lá, e só as pernas apareciam. Não é difícil encontrar por lá microfones de todas as espécies – madeira, cortiça – as pessoas sabiam da minha veia artística e ofereciam-me, muitas vezes feitos por eles próprios. Chegaram a querer inscrever-me no Mini Chuva de Estrelas, de tanto me ouvirem a cantar “mãe sobe a semanada”, dos Onda Choc. Ainda bem que lhes passou. Num destes dias, enquanto ia para casa depois de mais um dia de trabalho, ouvi Joana, um dos discos que os pais também tinham. Comecei a cantar aquilo como se tivesse ouvido todos os dias e a lembrar-me de todas estas coisas, perdidas no baú das recordações.

 

Ontem, quando fazia a ronda habitual pelas notícias, li esta. O Wando (“Você é luz / É raio estrela e luar / Manhã de sol / Meu iaiá, meu ioiô”) morreu. Já não sei como foi parar o cd duplo lá a casa, mas foram muitas as vezes que eu, já com a mana, já na nossa casa de agora com uma aparelhagem nova e um espelho onde apareceríamos sempre, mesmo que crescêssemos mais um metro, cantámos e dançámos com ele como companhia. Quantas lágrimas aturou ele, de desgostos de amor, de brigas, sentada no chão do quarto, costas na cama, e a música dele de fundo. Neste domingo, quando passar lá por casa, vou procurá-lo, deu-me saudades, e nunca se sabe quando pode fazer falta.

 

E por falar em música, deixar aqui esta, que não me sai da cabeça, misturada com tantos outros pensamentos que me assombram por estes dias.

 

“Ninguém disse que os dias eram nossos

Ninguém prometeu nada.

Fui eu que julguei que podia arrancar sempre

Mais uma madrugada.

 

Ninguém disse que o riso nos pertence

Ninguém prometeu nada.

Fui eu que julguei que podia arrancar sempre

Mais uma gargalhada.

 

E deixar-me devorar pelos sentidos,

E rasgar-me do mais fundo que há em mim

Emaranhar-me no mundo, e morrer para ser preciso,

Nunca por chegar, ao fim.” [Mafalda Veiga]

Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

.Apaixonada

Não sou uma pessoa com um grande amor pelos animais. Sou incapaz de os maltratar mas, se puder, dou uma volta enorme para não me cruzar com eles. Como em tudo na vida, claro que há excepções. Também eu tive coelhinhos, pintainhos, porcos da Índia, bichos-da-seda, um esquilo (que histórias tivemos com o Cajó!) e talvez outros que agora não me lembro. E cães e gatos. Gostava mesmo deles, mas quando morriam, atropelados, envenenados, de males vários, o processo de luto era tão penoso que percebi que o melhor era não tê-los, esta seria a única maneira de não sofrer. E depois houve aquele susto com o pastor alemão igual ao Rex, logo comigo que vi todos os episódios e chorei com as perdas dele, que me tentou morder quando eu tinha uns seis anos. Não me acertou, mas apanhou o braço da avó, que me tentava defender, e que nunca mais voltou a ser o mesmo. Nem eu. A partir dai, nada de cães e gatos na minha vida. Claro que sempre houve um ou outro que me conseguiu conquistar. O Scotty do meu pai, e a bicharada toda que existe no monte do Z.. E até lhes pego ao colo e deixo que se aninhem aos meus pés perto do lume. Só não tenho muita intimidade com a cadelita Duda porque ela come ratos. Já a vi comer um enorme e deitá-lo fora logo depois, mesmo à nossa frente, por se ter engasgado com o rabo. Não foi bonito. Com a minha irmã a história é diferente, é a maior defensora dos animais em geral e dos cães em particular. Deixassem os meus pais e todas as noites os cães estariam lá em casa, de preferência no quarto dela. Foi por isso que quando me começou a falar dos dois pequenotes que a Borboleta tinha trazido ao mundo não lhe liguei muito, era uma obsessão como todas as outras anteriores. Chegámos a discutir à mesa porque ela queria levar-me a vê-los e eu achava melhor gastar o meu tempo com a família que vejo tão poucas vezes. No feriado lá me convenceu e levou-me a conhecer as duas mascotes lá de casa. Os dois cãezitos são mesmo especiais e giros – sem querer ofender a mãe, devem sair ao pai, que não sabemos quem é, porque dela não têm nada. E qualquer coisa mudou. Andei com eles ao colo, demos beijinhos à esquimó, deixei-os roer os atacadores das botas novas e sujar um dos meus casacos preferidos, dei-lhes comida à boca e até me fui despedir deles com a lagrimita no olho, de acordo com o estatuto de novos membros da família. O pior foi escolher os nomes. Rimos, discutimos e lá chegámos a uma conclusão depois de muita luta. A única exigência do pai era que o lourinho fosse 'Leão', e é verdade que ele tem porte, pose e comportamento de rei (as birras que apanha quando ralhamos com ele por morder o mano são de mais), masas mulheres da casa queriam uma coisa diferente. Decidir a quatro não foi fácil - não queríamos nomes de pessoas, os apelidos de pessoas da terra também não ajudavam e somos todos muito diferentes. E o que rimos com a mãe que há uns tempos atrás nem mexia em computadores quando se saiu com "e se procurássemos na net?", e leu todas as sugestões estranhas de sites brasileiros sem sucesso. Foi no jogo do Sporting que encontrámos o nome final – depois de gostarmos as três só tivemos de convencer o pai. A mana estava num sítio do estádio com a mãe, eu noutro com o Z. e o pai ainda noutro sítio diferente. Quando entrou a nova mascote no relvado pensei que era mesmo aquilo, e a mana pensou o mesmo porque quando estava a escrever-lhe uma mensagem chegou a dela com a mesma ideia. A mãe aprovou e o pai foi um bocadinho forçado, mas ficou convencido. E assim baptizámos um de Jubas, a fera birrenta, e o outro de Ruca, que só pensa em morder calças e atacadores e foge das fotografias. Dou por mim a pensar neles muitas vezes e percebo que mudou mesmo qualquer coisa. Tenho saudades, preocupações, pergunto por eles nos telefonemas para casa, quero estar com eles o mais depressa possível, gostava de trazê-los comigo para Lisboa e fico com o coração apertadinho só de pensar que lhes pode acontecer alguma coisa enquanto estou longe. O Z. já tinha insinuado e eu não queria admitir, mas os sintomas são óbvios e chegou a hora de assumir. Estou apaixonada. Mas, vendo bem, quem não ficaria?

 

 

 

 

O meu carro (batido) tinha umas colunas com vida própria. Sempre que passava num buraco ou numa lomba uma delas deixava de funcionar e outra ganhava vida. Quando o Z. tentou arranjar (ele consegue, mas sobram sempre peças), teve de cortar um dos fios e foi logo o da memória. O meu rádio deixou de memorizar postos e cada viagem é uma aventura e um desafio até encontrar uma música ou uma estação que agrade. Hoje, já estava a chegar a casa, apanhei a Star e começou a dar uma música que normalmente me faz rir, dançar e pensar em coisas boas. Hoje, sei lá porquê, fez-me qualquer coisa estranha e comecei a chorar desalmadamente. Pensava em mim, pensava na Di. e no Nu., que sem se saber muito bem como perderam a mãe de um dia para o outro, pensava nos meus pais – entrei às dez e saí às sete e tal de rastos quando eles terminaram o dia depois de mim e às cinco da manhã já o tinham começado, sei lá. Foi tudo. E foi a música. A do rádio do meu carro batido, que já não tem colunas com vida própria, mas ainda me consegue surpreender.

http://www.youtube.com/watch?v=du2rYBS5XN4

Lá fora: "Já estou aqui, o que é que queres mais?"
Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011

.Hoje (nestes dias)

L. não saias de casa com a cabeça molhada. L. sai do sol que faz tão mal. L. assim ficas doente. L. … E uma vez mais, entre tantas recomendações, a mãe tinha razão. Dei por mim doente logo no início da semana. A noite de segunda para terça foi passada de olhos abertos, com a febre a fazer-me alternar entre frio de bater os dentes e calor de ananases, e com o meu estômago a recusar tudo o que eu lhe oferecia. Foi assim que passei o dia de terça também, com umas olheiras de todo o tamanho, com o corpo a não deixar o sono levar a melhor, deitada sem me mexer muito. Queria dormir e as preocupações, e a doença, e o mau estar, a tomarem conta de mim. As cores, os materiais, o dinheiro, as contas, os planos por organizar não me saíam da cabeça. Gosto de ter tudo organizado. Tenho um documento desde 2007 com todos os meus movimentos bancários registados, com a descrição de todas as despesas, com todos os gastos anotados. As tarefas têm outro documento só para elas e todo o santo dia o meu telemóvel toca com lembretes do género “estender a roupa”. Gosto da minha vida organizada. Não gosto de surpresas.O simples facto de não saber para que data marcar uma mudança, que despesas vou ter no mês seguinte, se vou perder ou não todas as minhas poupanças com uma venda que já se atrasa há um ano, estão a tirar-me o sono e o sorriso. Ontem, para compensar todas estas preocupações e outras tantas que não são para aqui chamadas (L., não devias partilhar toda a tua vida naquela página), quis gelado de chocolate belga da Häagen-Dazs, o meu preferido. Tive uma vontade tão, mas tão grande que lá abdiquei dos 6€ a bem da minha satisfação momentânea (L. não sejas assim forreta – só a roupa é que te faz gastar dinheiro). E ainda bem, ou hoje não teria como afogar as mágoas ao ler as notícias sobre o que aí vem – já sei que esta coisa de não ser funcionária pública para umas coisas mas ser para outras, as más, me apanhou agora em força. A modos que ando assim. Com apertos e dores estranhas. Com insónias e preocupações. A tentar dar lugar às boas notícias, que também as houve. E à espera. De chegar ao meu sofá para devorar o que sobrou do meu gelado, do fim-de-semana inteirinho com os pais, que outros tomem finalmente decisões, que as obras comecem para começar também mais uma mudança, que tanta coisa aconteça para que me possa organizar então. À espera de outros dias, de outras coisas (melhores). O hoje, destes dias, não me chega. Porque estou assim, nesta indefinição. Fora de combate, como na música que me aquece por estes dias. Hoje (nestes dias) não me recomendo.*

 

“Não queiras saber de mim

Esta noite não estou cá

Quando a tristeza bate

Pior do que eu não há

Fico fora de combate

Como se chegasse ao fim

Fico abaixo do tapete

Afundado no serrim

 

Não queiras saber de mim

Porque eu estou que não me entendo

Dança tu que eu fico assim

Hoje não me recomendo

 

(…)

 

Amanhã eu sei já passa

Mas agora estou assim

Hoje perdi toda a graça

Não queiras saber de mim”

 

*Não fiques triste com este post. Sabes bem quais foram as partes boas destes dias. E estavas em todas. Nas más também.

Terça-feira, 10 de Maio de 2011

.Maravilhosa estupidez

Fui ao Porto no fim-de-semana, a um casamento, e apaixonei-me por estas três. Parece que ultimamente só me dedico à música, mas a explicação é outra. Quando não posso escrever sobre o que me apoquenta, refugio-me nestas coisas. E oiço, e canto, e danço, e rio, e choro… Agora com estas.

 

 

 

 

 

 

Lá fora:

"Para o mundo não, que nós não somos deste mundo."

"Odeio o ... ."

"Quero, só para dar uma festa aos meus pais."

"Mais do que o teu exterior, é o teu interior que mexe comigo."

 

Domingo, 17 de Abril de 2011

.O meu iPod

Esta semana obriguei-me a uma difícil tarefa, limpar o meu iPod. É quase tão difícil quanto mexer numa caixa das recordações. Há músicas que já foram preferidas um dia e deixaram de o ser depois de passarem para ali, mas que ainda consigo ouvir de vez em quando. Há as outras, as que nem a repetição me fez gostar menos delas e que estão ali sempre à espera de me provocar qualquer coisa. E aquelas que passo à frente sem pensar duas vezes. Há umas que já não ouço, mas que não tenho coragem de apagar, pelo que significaram um dia. Há as novas, as que já não sei quando ouvi pela primeira vez, as que consigo dizer quando as passei para ali. Há as que só oiço no máximo, as que me obrigam a pensar, as que não posso mostrar a ninguém. As que não ouço sem dançar, as que me obrigam a parar. Misturo as que servem de banda sonora para as lágrimas e para as gargalhadas. Misturo Kean com Quenn, fado com músicas de bailarico, banda sonoras de filmes com a da minha vida. Passei de 498 para 305 músicas. A banda sonora da minha vida vai mudando sem que eu perceba. Como eu. Ou não fossemos eu e o meu iPod uma e a mesma coisa – feitos das mesmas coisas, das mesmas músicas.

 

U know who I am (David Fonseca)

Gosto de algumas coisas, não de tudo. Nos tempos em que uma das amigas ainda era jornalista, fomos a um concerto no Convento do Beato, de convite na mão, com puffs laranja e coisas giras. Esperámos pela música do assobio e saímos de lá, um bocadinho enjoadas. Mas de vez em quando ainda me surpreende, como com esta.

“And when the world seems senseless

It's me and you against them

And I love you because you know who I am”

 

 

Rosa à Janela (Baile Popular)

Enquanto fazia a revista de imprensa, há já alguns meses, descobri este cd no meio do jornal. Ouvi e passei logo para o meu iPod. Faz-me lembrar os bailaricos da minha terra. Ontem fui a pé para o trabalho e dei por mim a dançar enquanto a ouvia, na rua das casinhas ao lado do campo de golfe, mesmo antes do monte de ervas de onde saem coelhos e perdizes enquanto eu passo.

“Não há rosa como ela na cidade

Nem nos campos donde vim

Agora põe-se à janela com vaidade

À noite à espera de mim”

 

 

La Noyee (Yann Tiersen)

É uma repetição, aqui no estaminé. E há-de ser. É a música da minha vida. Para os bons e para os maus momentos. Quando não sei o que ouvir (o que sentir), é esta que eu oiço – sem correr o risco de enjoos. Parece que o senhor vem cá no Verão, e a mana já me convidou para ir.

 

 

Amor (Ben E. King)

Não gostei do filme, mesmo sendo uma comédia romântica (Dia dos Namorados). Mas gostei das adaptações das músicas, e tenho quase todas aqui. Sempre que a oiço imagino-me a dançar com um vestido cheio de folhos e muita roda.

“Amor, amor, my love,

When you're away,

There is no day

And nights are lonely.

Amor, amor,

My love, make life divine,

Say you'll be mine

And love me only.”

 

  

Os Búzios (Ana Moura)

A turma da mana, ainda no secundário, organizou uma noite de fados. Nessa altura só tinha assistido a uma, por estar de castigo. Foi o Jorge Fernando que subiu ao palco para cantar todas as músicas da noite, e eu apaixonei-me por esta, escrita por ele. A senhora que me perdoe, mas gostei mais da versão dele. O problema é achá-la.

“À espreita está um grande amor mas guarda segredo

Vazio tens o teu coração na ponta do medo

Vê como os búzios caíram virados p’ra norte

Pois eu vou mexer no destino, vou mudar-te a sorte”

 

 

Let her go (Miss Li)

Gostei de uma música dela que ouvi já não sei onde e, vai daí, comecei a procurar mais. Houve uma altura em que me senti encaixar nela. Houve tempos em que nos encontrámos mais vezes, mas apagá-la é que não.

“She can't say, all the things she wanna say,

'cause there is always something in her way,

and always something there to keep her down, eh.

She can't do, all the things she wanna do,

'cause there is always someone there like you,

and holding her down and pushing her back, eh.”

 

 

Não sei falar de amor (Deolinda)

Não é uma das minha músicas preferidas de Deolinda, mas gosto, sobretudo, da letra. Devo ter quase todas as músicas deles aqui. Não tinha ainda ouvido falar do grupo quando o T. me enviou esta música – fá-lo tantas vezes. Esta sei porquê. Talvez por me conhecer tão bem e saber que eu também sou assim.

“E soubesse eu artifícios de falar sem o dizer

Não ia ser tão difícil revelar-te o meu querer

Timidez ata-me a pedras e afunda-me no rio

Quanto mais o amor medra, mais se afoga o desvario”

 

 

Saiu para a rua (Rui Veloso)

Um dia antes do concerto no Coliseu conheci esta música por acaso – liguei o rádio e estava a passar. E nesse mesmo dia entrou aqui.

“Saiu para a rua insegura… Vagueou sem direcção, 

Sorriu a um homem com tremura e sentiu escorrer do coração

A humidade quente da loucura.”

 

 

The Show (Lenka)

Era sábado de manhã, e eu tomava um pequeno-almoço tardio com a mana. Mudámos de canal pela milésima vez quando ouvimos esta, a terminar um programa cor-de-rosa qualquer. Gosto muito.

“I am just a little girl lost in the moment

I'm so scared but I don't show it

I can't figure it out

It's bringing me down I know

I've got to let it go

And just enjoy the show”

 

 

When the stars go blue (The Corrs)

Na música, tenho vários ódios de estimação. Não posso com U2, Evanescence, The Corrs, Coldplay. É engraçado que uma das músicas da minha vida seja cantada pelos manos Corrs com o senhor Bono Vox. Foi a G. que ma mostrou, quando fazíamos furos nos dorsais dos meninos numa prova de BTT na terrinha. Gostos não se discutem. Nem se explicam.

“Where do you go when you're lonely

Where do you go when you're blue

Where do you go when you're lonely

I'll follow you”

 

 

Laura (Jorge Palma, Diogo Infante, Lena D’Água)

Gosto tanto deste senhor (o primeiro). Apesar de ainda não estar refeita da espécie de concerto que ele deu no MusicBox, no dia de Natal. Fiquei ali, de pé, não sei quanto tempo depois de ele ter saído aos pontapés e murros na porta, à espera que ele voltasse e cantasse mais umas músicas. Não voltou. Gosto de muitas, desta muito mais.

"Todas as noites

É por ti que adormeço"

 

  

Runaway (Kanye West)

Esta é a menina dos meus olhos nos últimos dias. Ouvi-a um dia não sei onde, e só há pouco tempo a descobri. Está em modo repeat. Gosto da letra, da música, do vídeo. Tem aquela 'coisinha' que toca cá dentro. Às vezes, é só o que apetece. Runaway (fast as you can).

“And I always find, yeah, I always find somethin' wrong

You been puttin' up wit' my shit just way too long

I'm so gifted at findin' what I don't like the most

So I think it's time for us to have a toast

Let's have a toast for the douchebags,

Let's have a toast for the assholes,

Let's have a toast for the scumbags,

Every one of them that I know

Let's have a toast for the jerkoffs

That'll never take work off

Baby, I got a plan

Run away fast as you can”

 

 

Lá fora:

"Não posso ficar obcecado."

"Tiveste o conto de fadas e desististe."

"Sabes quando sentes que é o fim?"

"Pela primeira vez , não me deste os parabéns."

 

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Quinta-feira, 10 de Março de 2011

.Há sempre uma primeira vez...

...para gostar de Pedro Abrunhosa.

 

 

A porta fechou-se contigo

Levaste na noite o meu chão

E agora neste quarto vazio

Não sei que outras sombras virão

E alguém ao longe me diz

 

Há um perfume que ficou na escada

E na TV o teu canal está aberto

Desenhos de corpos na cama fechada

São um mapa de um passado deserto

Eu sei que houve um tempo em que tu e eu

Fomos dois pássaros loucos

Voamos pelas ruas que fizemos céu

Somos a pele um do outro

 

Não desistas de mim

Não te percas agora

Não desistas de mim

A noite ainda demora

 

Ainda sei de cor o teu ventre

E o vestido rasgado de encanto

A luz da manhã e o teu corpo por dentro

E a pele na pele de quem se quer tanto

 

Não tenho mais segredos

Escondi-me nos teus dedos

Somos metades iguais

Mas hoje só hoje

Leva-me para onde vais

Que eu quero dizer-te

 

Não desistas de mim

Não te percas agora

Não desistas de mim

A noite ainda demora

 

E não desistas de mim

Não te percas agora

Lá fora: "Não gostei do que li..."
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Quinta-feira, 1 de Julho de 2010

.Os melhores €4.65 da minha vida

Estou viciada nas sopas do McDonalds. Não é um mau vício, já fui dona de alguns bem piores. Ontem, antes da aula, rodei pelo 2º andar do Colombo, a tentar decidir-me quanto ao lanche, até parar ali, pela segunda vez no mesmo dia. Numa fila para comprar uma sopa – a de feijão branco, a minha preferida. “Compras-me um penso?”, ouvi dizer enquanto me puxavam a camisola. Olhei para o lado, era um miúdo giro, pequeno e redondo, de olhos verdes e t-shirt branca a fazer publicidade a uma marca qualquer. E que tal um lanche?, disse-lhe eu. “Pode ser. Quero um Big Mac”. “Também não és pobre a pedir”, disse-lhe a senhora da caixa. “Tenho fome”, foi o troco dele. E aquela resposta fez-me sentir tão mal que prometi a mim mesma nunca mais dizer “tenho fome” só porque o meu estômago reclama da hora. Batatas e sumo? “Água, tenho sede”. E ficámos a conversar, na fila e no lanche. Fiz-lhe perguntas, muitas. Chama-se Francisco. E estás aqui a fazer o quê, não devias estar na escola? “Estou de férias e tenho de ajudar os meus pais”. E eles? “Na feira, a vender coisas”. Tem 9 anos e passou para o 5º ano, “nunca chumbei!”. E não te custa, andares aqui? Eu acho que não tinha coragem, e olha que eu tenho muita lata. “Não, já estou habituado. Às vezes respondem-me mal, noutras vezes nem me ligam, mas também há pessoas boas, como tu”. Fiz-lhe uma festinha no cabelo. "Às vezes acho que as pessoas têm medo de me tocar", respondeu ao meu toque. Fazes mal? "Não, mas devem achar que sou piolhoso ou assim". Estás a olhar para a maior piolhosa de sempre, até já apanhei bem crescidinha, gostam de mim, nada a fazer. Tens medo de me tocar por isso? "Claro que não", riu-se.  E namoradas? “Nah, gosto de uma rapariga da escola, mas não sou muito de namorar – e agora com as férias ela ia esquecer-me”. Ela sabe ao menos que gostas dela? “Fazes muitas perguntas! Não, não lhe disse, não sou muito de namorar”. Olhei para o relógio e percebi como a Mafalda tem razão, “o tempo corre / só quando dói é devagar”. Não te importas de ficar sozinho? “Estou habituado, e a minha irmã anda aí também, a fazer o mesmo que eu”. Posso roubar-te uma batata? “Foste tu que pagaste, tiras as que quiseres”. Lembrei-me da Ru. (ou Ri., como ela prefere), uma menina refugiada de 9 anos que conheci no aniversário aqui do estaminé. Foi ter comigo para pedir bolachas, mas depois não queria lanchar comigo porque tinha vergonha que eu pagasse, e só aceitou quando lhe expliquei que podíamos ser amigas – e os amigos oferecem coisas uns aos outros. Roubei-lhe a batata (são tuas, está dado) sem pensar nos 10€ que vou ter de acrescentar à caixa da dieta*. “Tens uma blusa muito gira, aí com essas coisas a segurar – nunca tinha visto. E fica bem, assim com os teus caracóis a tocar aí. Há pessoas a quem o cabelo parece que não encaixa, mas o teu fica-te bem”. Francisquito, olha que eu acho que tu tens um jeitão para namorar. E dei-lhe um beijinho na bochecha com sardas, como eu gosto, enquanto corria para o metro de batata frita na mão – onde investi os melhores €4.65 da minha vida.

 

 

* A caixinha da dieta, ou melhor, o lucro de todas as minhas falhas na dieta já deu frutos. Gastei num ida ao Meco no próximo dia 16 de Julho. Eu e a A. vamos ver Keane. Senhores, há alguma maneira de vos fazer cantar isto? É que, caso se confirme esta ausência do vosso alinhamento, terei de repensar toda a minha teoria dos sinais. E esta é uma teoria muito importante na minha vida. Está a ser-me tão penosa esta entrada nos 26, não queiram contribuir para o meu desarranjo interior. Obrigada!

 

 

O Scotty morreu ontem. Às 13:00, debaixo da árvore preferida dele. O Scotty era o cão mais antigo do meu pai. Foi, em tempos, um Ás na caça. Fazia, este ano, os mesmo anos que o primo F., 18. Ontem chorei um bocadinho por ele. Até porque era o cão da minha vida, o único que eu autorizava a fazer aquelas coisas habituais dos cães. Lembro-me da noite que passei em claro com o pai, a tentar fazê-lo engolir um comprimido de todas as formas e feitios porque estava mesmo muito doente. Sobreviveu, e continuou a ser o melhor a apanhar coelhos. No último ano começou a ouvir mal, a ganhar pelos brancos no focinho, a fazer grandes esforços para mudar de uma sombra para a outra. Ainda me despedi dele, no outro dia, com umas fotos giras. E voltei a falar-lhe do nosso segredo: de quando, às escondidas de todos, o soltava da casota dele e o sentava no meu colo, enquanto baloiçávamos no cantinho dos baloiços, por trás da casa da avó. Era um perdigueiro grande e gordo, mas encaixava bem no meu colo. Vou ter saudades do Scotty.

 

Vou deixar de ler a Maya. Ah, que tretas!, digo sempre, mas depois isto fica a matutar-me na cabeça. A palavra tem poder – escrita também! E hoje não é bom. “SAÚDE: Tenha cuidado com o consumo excessivo de fritos. / AMOR: Poderá sentir-se limitado e sufocado; exija que façam algumas cedências. / DINHEIRO: Em negociações deve acalmar algum nervosismo, redobrar atenção e não mostrar todos os trunfos!”.

 

Hoje levantei-me às 05:30 para ir correr. Eu, que tantas pragas roguei a quem deu o nome ao teste de Cooper, a correr é um verdadeiro milagre. Quando estou de férias na Curia, arrasto-me para o ginásio todas as manhãs com o primo F., e com todas as loucuras que ele vai dizendo lá me aguento na passadeira. Mas correr, de livre e espontânea vontade, sem qualquer aparelho a auxiliar, e às 05:30 da manhã, não é coisa da L.. Mas correu bem. Foi bom. Estou bem disposta e já sinto a celulite a fazer as malas. A partir de hoje, corrida às 05:30.

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Lá fora: 

“Sometimes it seems that the going is just too rough / And things go wrong no matter what I do / Now and then it seems that life is just too much / But you've got the love I need to see me through”

Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

.Be Yourself

 

Lá fora:

"Não podes contar com o meu apoio, não posso fazê-lo. Percebes?"

"Prepare-se para a guerra, vai perder muita gente"

"Agosto, final de Agosto. Vai perceber"

"Vou esperar aqui, ela disse que vinha aqui ter"

"Que vergonha!"

"Olá."

"O teu problema é não acreditares em ti, no teu poder, na tua capacidade de suscitar paixões. Pensas que as pessoas nunca vão gostar de ti, dos defeitos que vês em ti, e limitas-te a ser tu, sem mais. E esse é um grande perigo para os que te rodeiam."

.Eu

.pesquisar

 

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