Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2014

.Passatempos...

Eu também aderi, pela Benefit. Aqui:

http://girlswithorwithoutbangs.blogspot.pt/2014/01/passatempo-groovy-kind-love-by-benefit-2.html?m=1

 

Quinta-feira, 2 de Janeiro de 2014

.2014

Vi no outro dia uma entrevista em que o jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho dizia que todas as relações, todo o amor, têm de ser trabalhados – o simples facto de alguém ser da nossa família não nos obriga a gostar dessa pessoa, ninguém vem com um salvo-conduto para o amor. E eu percebi, uma vez mais, como sou sortuda. Sim, todos nos esforçamos, sem esforço, para sermos o melhor possível uns com os outros – vejo isso, por exemplo, nas ervilhas com ovos que a mãe acabou de deixar na minha bancada, ou na viagem que os pais acabaram de fazer só para trazer uma coisa à Aurora. Sim, esforçamo-nos sem que nos custe, porque gostamos, e essas acções fazem-nos gostar mais uns dos outros, mas já eram, antes dessas acções, pessoas facilmente ‘gostáveis’, aquelas a quem chamo família. Depois chegou a minha vez de construir a minha família, e de um amor que era já maior do que aqueles que conhecia, conseguimos fazer nascer um ainda maior, e engrandecer o nosso. A pessoa que escolhi, ou que me escolheu, para partilhar os dias tornou-se ainda mais gostável – para além de ser a minha pessoa preferida, é agora também o melhor pai do mundo (ao nível do meu), presente em tudo, disposto a partilhar tudo, mesmo uma fralda com cocó às 04:00. A razão de tudo isto, da nossa felicidade, tem agora uns 50 cm e talvez uns 4kg. Para mim, é a bebé mais bonita, mais perfeita do mundo. Já a amava antes de a conhecer, mas há pouco mais de um mês, quando saltou de dentro da minha barriga para cima dela e cruzámos o olhar pela primeira vez, conseguiu não só ocupar todo e qualquer espaço livre que havia no meu coração, como construir mais mas quantas divisões para se alojar lá também. Pequena Aurora veio com salvo-conduto para o meu amor, para o meu coração, para a minha vida. Usei uma passa para este desejo há um ano atrás, sem fazer a menor ideia do que tudo isto significava afinal. Do quão especial, grande, pleno é. Não sei o que 2014 ou o futuro nos reserva. Sei que 2013 me mostrou, sem o esperar, um amor maior do que tudo, que hoje é sempre maior do que era ontem, e que essa é a maior motivação para desejar sempre um amanhã. Um amanhã com todas estas pessoas da minha vida – tenho a sorte de lhes poder chamar família. Feliz 2014. Que seja cheio de amor.   

Sexta-feira, 20 de Dezembro de 2013

.(má) Mãe (II)*

 

Na próxima semana o meu pequeno raio de sol já faz um mês. E eu descubro todos os dias, desde que ela nasceu, que sou uma má mãe, que não estou preparada para isto ou que não faço as coisas bem. Na maior parte das vezes não sou eu que chego a esta conclusão, fazem questão de mo dizer. Sempre me disseram, logo na gravidez, que toda a gente vai ter alguma coisa para nos dizer em relação à nossa criança. E eu tive esperança que fossem coisas boas, conselhos bons ou que me permitissem decidir se seriam ou não bons, mas não, chegam como verdades inquestionáveis sem qualquer hipótese de escolha para mim. Ainda não tinha passado uma semana quando comecei a descobrir tudo isto. Uma só visita fez-me ver que eu deitava a minha filha mal (isso não é assim, é de lado!), que amamentava mal (deitada? Isso não é assim!), que os soluços não eram afinal uma coisa normal (começou a gritar à rapariga para que passassem), que tirá-la do quarto só com mantinhas porque afinal ainda tinha só 5 dias e a diferença de temperatura era muita era um disparate (dá cá a rapariga! – e levou-a para a divisão mais gelada da casa sem qualquer protecção) e que afinal não se dá de mamar a um recém-nascido quando ele pede (mas já vais dar mama outra vez? Não pode ser sempre que ela quer). Que toda a equipa do hospital, pediatra e enfermeira de família mandem deitar de barriga para cima com inclinação, que os pontos me doessem ao ponto de não me conseguir sentar, que todos os que a acompanham digam que os soluços são bom sinal e que devemos prevenir todas as constipações agora que é tão pequenina, que nos mandem alimentar a criança sempre que ela pede, isso não conta para nada. Sou má mãe. Até eu, que nem sequer me tinha preocupado com a balança ou em olhar-me com mais detalhe ao espelho, estava, afinal, muito mal. “Ficaste muito gorda, olha para essa barriga”, disse-me ainda. Sem se preocupar com as hormonas, com os blues, com a educação e sei lá mais o quê. Olhei para baixo, pois, talvez ainda conseguisse passar à frente no supermercado. Fiz um sorriso amarelo, e expliquei que só tinham passado 5 dias. Saí do quarto e fui direitinha à balança – tinha mais 2,600kg do que quando tinha engravidado. Parece que isto era, afinal, uma coisa má. Depois vieram as cólicas. E a culpa também é minha. Porque como coisas que fazem mal. De cada vez que falo com alguém sobre o tema, ou que vem alguém cá a casa, mandam-me retirar um alimento da minha ‘dieta’. Não comas cebola, nem couves, nem brócolos, nem laranjas, nem limões, nem bebidas com gás, nem feijão, nem grão, nem chocolate, nem sei lá mais o quê. Antes de sair do hospital foi a única coisa que me lembrei de perguntar à equipa de lá – o que devia comer ou não nesta fase da amamentação. Que comesse de tudo, responderam-me, evitando apenas o café e os chás preto e verde, por causa da cafeína, que os deixa agitados. Voltei a perguntar às duas pediatras onde já fomos e no centro de saúde. Que não existem provas cientificas de que este ou aquele alimento provoquem cólicas, simplesmente o estômago deles ainda é muito imaturo. E só se eu reparar que alguma coisa me faz mal a mim é que devo evitá-la, porque também lhe vai fazer mal a ela. Mas eu sou má – como verdes e coisas que só lhe fazem mal. Má mãe. E as covinhas do pescoço? Caramba! Sempre com coisinhas brancas. Mas eu não limpo aquilo? Não lhe dou banho? A rapariga mexer-se, e estar embrulhada em mantas, e a vida, sei lá, não contam. Sou má mãe, não trato da higiene da minha filha. E depois voltam os soluços. Pés frios, dizem-me. E eu olho para ela – temos o aquecedor sempre ligado (às vezes mudamo-la de divisão e abrimos as janelas para o ar circular, calma!), tem um baby-grow, um body, umas calcinhas, umas meias polares, dorme embrulhada numa manta, dentro de um saquinho cama, com mais uma manta por cima e a cobertura da alcofa, e o pai ainda fez questão de comprar um mini saquinho de água quente que mete lá dentro quando ela mama ou muda a fralda. Pés frios? Mas os soluços não são uma coisa normal? Ainda que as teorias tanto digam que pode ser do processo de desenvolvimento ou do estômago que, quando está cheio, dilata e toca no diafragma provocando os ditos. É uma coisa normal, voltou a dizer-nos aquela gente toda que tirou cursos de saúde mas não percebe nada do assunto, que afligem mais os pais das crianças do que os pequenos. Pois, sou má mãe, não aqueço a minha filha. É então que lhe metem um bocadinho de lã com saliva na testa para eles passarem. Eu estremeço – os soluços não lhe fazem mal, já aquela saliva não sei! E ela não está muito amarela? Sim, um bocadinho, a famosa icterícia. Mas só na cara. Aquecemos o quarto, tiramos-lhe a roupa, deixamo-la apenas de fralda e gorro, e faz uma espécie de solário caseiro. Explicaram os médicos que devemos fazer assim e que é perfeitamente normal numa criança apenas de peito. Não, não é assim. Maus pais. Soro fisiológico pelo nariz em esguicho para desentupir? Não se vê que estamos a fazer mal à criança? Somos tontos? Mas foi assim que a pediatra mandou fazer. Ando eu a gastar dinheiro com uma pessoa que, afinal, não sabe nada! Dou banho antes ou depois dela comer? Mudo a fralda antes ou depois dela comer? Qualquer que fosse a minha resposta, tenho a certeza que eu não ia acertar. Umas vezes dou antes outras depois – depende. Mas não se preocupem, se for depois, esperamos que passe uma hora, não por causa da temperatura mas para não a agitar muito, como explicou a pediatra. Ai, espera, afinal a pediatra não sabe nada. A fralda depende, depende de tantas coisas todos os dias. Nós próprios mudamos todos os dias porque nos adaptamos à nossa filha – não é assim que se faz? Sabemos que, normalmente, depois de mamarem sujam a fralda, mas se ela não acorda para mamar, ou se adormece a meio do processo, mudá-la com uma compressa e água mais fria é o melhor para despertá-la. Água fria? Sou a pior. E aquele arranhão na cara? Mas eu não percebo que tenho de lhe cortar as unhas? A miúda foi logo sair ao pai nesse pormenor, e saiu com as unhas dobradas, coladas na cabeça dos dedos. Apesar de estarem assim, cresciam nos cantos, e eu ia limando, mas só na primeira semana consegui ‘descolá-las’ lá de cima e cortar melhor. E corto todos os dias, porque os cantos continuam a crescer mais depressa, e são mais finos, quase como papel, e arranham – eu sei, o meu peito, cara, cabelos, também sabem. Como é que eu não me lembrei de lhe cortar as unhas? Que má mãe.

Não fazemos tudo bem, eu sei. O primeiro banho cá em casa foi uma coisa aterradora. Parecíamos duas baratas tontas. Ainda não tínhamos feito a instalação completa no nosso quarto, eu corria ao quarto dela para ir buscar as coisas, o Z. passava-se comigo porque queria que eu visse a temperatura da água antes que arrefecesse, acabámos por discutir. A minha mãe, que veio passar aqui uns dias connosco a seguir ao nascimento (obrigada, obrigada, foi fundamental!), olhava para nós serenamente, e não sei como não bateu com as nossas cabeças uma na outra. Em nenhum instante nos julgou, nos fez sentir mal ou maus pais. E, quando tinha alguma coisa a dizer, fazia-o com jeitinho – “agora dizem para fazer assim? Na minha altura diziam para fazer assado”. Obrigada mamã, por ser assim e me ensinar a ser assim. Ter um filho é uma aprendizagem constante. Quando o despertador toca a meio da noite e mal consigo ter os olhos abertos para dar de mamar, quando dou por mim a adormecer também a meio do processo, também acho que sou má mãe. Às vezes chego a esquecer-me de qual foi a última mama ‘usada’ (coisa de mãe má!) – ao início, a conselho do Z., baptizei-as, eram a ‘mama 1’ e ‘mama 2’. E fazia uma chamada para mim própria com a hora do começo da mamada e o número da mama. Depois o Z. descobriu a aplicação da Nestlé, que devolveu ao meu peito a dignidade. Mas até aí sou má mãe – na tentativa de saber quanto tempo mama a minha filha deixo o telemóvel muito perto da cabeça dela! Tantas vezes dou por mim sem saber de mim própria. Nem sempre consigo tomar um bom banho todos os dias. Já cheguei a estar 4 dias sem o fazer, é verdade. Quando tenho alguém que fique com ela ou quando ela está mais sossegada, fico uma meia hora debaixo de água (com o intercomunicador na casa de banho e ela na alcofa, calma!), passo todos os cremes a que tenho direito, e depois fico a achar que a pequena nem me vai reconhecer porque, para ela, sou ainda e só uma vaquinha leiteira com cheiro a queijo fresco (ou leite azedo). Mas isso há-de ser uma coisa boa, espero eu – fiquei a saber através de uma amiga que, no curso que ela frequentou onde juntaram todas as mães da preparação para o parto já com os bebés, e que devem ser umas 20, apenas ela e outra mãe estão a amamentar (os bebés têm cerca de 3 meses). Todas as outras desistiram na primeira semana porque era muito difícil. Não julgo ninguém (que bom que era que não me julgassem a mim!), e sei que a amamentação não é apenas uma necessidade e um benefício para os pequenos, mas também uma escolha pessoal. E é difícil, pois é, mas nunca me passou pela cabeça desistir – dói ao início, pois dói, é difícil ela pegar, pois é, a subida do leite é tramada, se é, mas vamos lá a isso. Espero não ser uma má mãe aqui também. Quando me vejo ao espelho despenteada, de pijama quase todos os dias, com o buço grande, as sobrancelhas por fazer, os pelos das pernas enormes, as unhas dos pés quase a furarem as meias, nem sempre me reconheço, mas estou ali, a tentar dar tudo pela minha filha, sem me esquecer de mim e do Z..

Depois vamos à pediatra, ou ao hospital, ou ao Centro de Saúde, como hoje, e parece que está tudo bem. Dizem-nos que a rapariga cresceu 2cm, que aumentou 500gr em dez dias, que tem a pele bem, o umbigo espectacular, que não há forma de evitar as cólicas, que é tranquila e isso é um reflexo dos pais que tem, que parecem sempre muito tranquilos e à vontade com ela. E eu fico feliz. Que nos julguem os outros, que nos achem maus pais. Parece que nem tudo está perdido. Sou má mãe, deixem lá. Mas a pequena está bem. E eu nunca fui tão feliz.

 

*Se se encontrarem neste texto, não me levem a mal. Tentem lê-lo com algum humor e pensem que ainda andam por aqui muitas hormonas à solta! Se e quando forem mães vão entender…

Quinta-feira, 20 de Junho de 2013

.Das reclamações

Nunca fui uma rapariga de reclamações, em toda a minha vida devo ter feito duas – e até contei a história por aqui. Tantas vezes guardo para mim aquilo que penso que se tornou um hábito, uma forma de ser. Outras vezes resolvo falar e corre mal, como ontem (que raio de semana esta!), mas hoje tenho uma história com um final semi-feliz. Quando soube que estava grávida lembrei-me que ainda não me tinha mudado para o centro de saúde do sítio onde moro agora. Estava registada na terrinha e por lá continuei, apesar de ter mudado todas as outras coisas. Mandei email para as duas unidades de saúde locais e recebi um telefonema de volta, das duas, que lamentavam muito mas não aceitavam inscrições há quatro anos, nem naquela modalidade de ficar sem médico associado. Passei-me, nem queria acreditar. E as hormonas aos saltos, e o sangue que aumenta de volume a ferver, e saiu uma reclamação. Ministério da Saúde, Unidades de Saúde, Direção Geral de Saúde, não sei quê de Saúde de Lisboa e de Sintra. Passados uns dias recebi um telefonema de uma das Unidades. Que não sabiam bem o que se passava, mas que tinham ordem do Diretor para me ligar e pedir os meus documentos para procederem à inscrição. Fui lá a primeira vez – e o pai da criança, não se quer registar? Quer pois, voltei lá uma segunda vez com os documentos dos dois – vê aquela pilha? Estão todos à sua frente, vai ter de esperar. E o curso de gravidez? Gostava de frequentar, aqui é gratuito – pois menina, nasce a criança e você ainda não está inscrita, vá onde está registada. Ai é no Alentejo? A 100km? Pois, não sei, vá ver nas terras vizinhas. Passei-me de vez. Não queria passar à frente de ninguém, queria que todas aquelas pessoas estivessem inscritas. Isto faz sentido? Vivemos num país, de acordo com as leis e regras que nos impõem, pagamos impostos, todos os impostos, e não temos direito a aceder a cuidados de saúde / médicos no local de residência? Felizmente, tenho possibilidade de pagar um seguro de saúde e estava já a ser acompanhada num hospital privado, e quem não pode fazê-lo? Quantas daquelas pessoas não o podem fazer? Saiu nova reclamação, um bocadinho mais agressiva sem ser mal-educada, que também já respondi a algumas no trabalho e sei como é mau. E fui fazendo a minha vida. Hoje recebi um telefonema de uma das Unidades de Saúde. Que não só estou inscrita como até tenho médica de família. Queriam confirmar se deviam mudar todo o meu agregado familiar comigo – os meus pais e a minha irmã. De repente, surgiram quatro vagas, com médico e tudo, e passei à frente de uma longa lista de gente. E devia estar feliz, pois devia, mas não deixo de estar preocupada com os que não pensaram nisso ou não têm possibilidade de se fazer ouvir. Eu não sou ninguém neste país, nesta terra, nem no meu prédio (apesar de ser gestora de condomínio nem sequer posso mandar pintar o prédio porque não há dinheiro), e vá lá na minha casa ter um poder de voto de 50%. Mas reclamei e deu resultado. Vamos começar todos a fazer o mesmo? 

Quarta-feira, 3 de Abril de 2013

.Das regras

Em tempos ensinaram-me uma coisa a que nem sempre recorri, mas que não dispenso hoje em dia. É muito simples. Quando não temos a certeza se uma determinada ação é correta ou não, devemos imaginar como nos sentiríamos se fosse feita/dita a nós. Não nos causa estranheza, dor, mal-estar? Força, então. Caso contrário, ainda vamos a tempo de mudá-la para não causar estragos. Usássemos todos esta regra tão pequenina e simples e a vida seria muito mais fácil.

Lá fora: "Mas se não aconteceu, estás triste porquê?"
Segunda-feira, 1 de Abril de 2013

.O poder da mente

Não me tenho por ser uma pessoa convencida, mas uma que acredita em si própria (às vezes). Quando tenho dúvidas sobre mim, sobre aquilo que consigo fazer ou suportar, gosto de me fazer testes. Como quando fiz a pós-graduação – ainda seria capaz de estudar, de me concentrar, de me integrar, de ter ideias? As notas que tive, os amigos que fiz, os trabalhos em que colaborei mostraram-me que sim. Muitas vezes, depois destes testes, acomodo-me e é preciso esperar para que qualquer coisa volte a despertar-me. Não adianta pressionarem-me, tenho de ser eu a ganhar vontade de fazer coisas. Outra das coisas que costumo fazer é desligar o telemóvel ou meter no modo silencioso. Aguento sem lhe tocar um dia inteiro? Escrito assim, quase parece parvoíce, mas é verdade. Mais do que um teste, é uma forma de não sofrer – coração que não vê, coração que não sente. Às vezes tem o efeito contrário - fico ainda mais triste quando volto a pegar nele. Estes são só exemplos de como me educo, me obrigo a pensar, a agir. Sempre me tive por uma pessoa controlada, capaz de gerir a situação e, tantas vezes, os sentimentos. Acredito que quase tudo, em nós, pode pelo menos ser orientado de acordo com o que queremos. Se esta pessoa não me faz bem, vou passar a ignorá-la; não me faz bem gostar desta pessoa, vou ajudar-me a deixar de gostar, e por aí adiante. E foi preciso chegar a esta idade para perceber que não é bem assim. Até porque decidir que não queremos determinadas coisas na nossa vida quando temos de as enfrentar todos os dias é uma tarefa difícil. Deixar de pensar em coisas que queremos muito para que elas possam acontecer não é uma tarefa mais fácil. Como é que não se pensa? Ainda mais numa coisa que queremos? Como é que nos esquecemos quando o mundo à nossa volta não deixa? E como é que se explica que um determinado fenómeno físico seja afinal justificado apenas com o poder da mente? Custa-me acreditar, custa-me ficar apenas com esta justificação, não aceito. Prefiro que procurem uma vez mais a razão, que ma digam sem medos, para que a possa enfrentar de uma vez, em vez de me dizerem que é a apenas a minha mente, ou o poder que ela tem, a pregar-me partidas, sustos, coisas. A minha mãe e a minha mana definem-me como uma pessoa que pensa de mais. Tantos anos de racionalização não deram bom resultado. Parece que a minha mente resolveu vingar-se. Vamos trabalhar juntas com um mesmo objetivo? Talvez assim corra melhor.

 

Lá fora: "Não vou vê-la."
Quinta-feira, 28 de Março de 2013

.A esperança

Ontem, quando cheguei a casa depois de mais um dia de trabalho, já com a cabeça na minha manta, no meu sofá, na minha televisão e numa grande sesta que me impedisse de pensar, fui abordada por duas senhoras que deixei entrar no prédio. "Minha menina, pedimos desculpa, podemos dar-lhe esperança para o futuro?", disseram quando me viram a subir dois degraus de cada vez. E eu recusei. E talvez aqui esteja a explicação para esta minha falta de esperança. Se nem quando ma oferecem eu sou capaz de aceitar...

 

 

 

Lá fora: "Tu continuas à espera / Do melhor que já não vem / E a esperança foi encontrada / Antes de ti por alguém"

Segunda-feira, 25 de Março de 2013

.A balança

Não tenho pousado muito por aqui. Não por falta de tempo, que isso ainda vamos arranjando, nem por falta de coisas para falar, que as há, mas por falta de vontade, pela primeira vez em tanto tempo (6 anos, feitos este mês, sem pompa nem circunstância). Tenho preferido organizar os pensamentos na minha cabeça, sem grande efeito, confesso. Dei por mim num sítio onde nunca tinha estado, perdida entre tantos pensamentos, e explicam-me que posso recorrer à escrita para os organizar. Faz sentido – a ausência de escrita na minha vida pode ter contribuído para tudo isto. Não posso dizer que não esteja bem – todos os profissionais a quem tenho recorrido me dizem que sim, saudável da cabeça aos pés, com qualquer coisa a prender-me. E esta coisa fui eu capaz de identifica-la há muito tempo, antes de tantas pessoas mo dizerem: acredito, cada vez mais (deveria ser cada vez menos) que a vida funciona como uma grande balança. O bom e o mau são compensados, mais cedo ou mais tarde. Não há felicidade que sempre dure, nem que não tenho um bocadinho de maldade a compensá-la. As coisas más também não são eternas, e a felicidade há de vir fazer com a esqueçamos, na exata proporção. Mais cedo ou mais tarde. E este é o meu problema, digo e dizem-me. Acredito que o mal que já fiz, ou aquilo que considero menos correto, me impedem de atingir coisas boas. Que por ter uma coisa realmente boa na minha vida já não há espaço, nem direito, a mais. Estou a aprender a duvidar disto. Só depois de ter a dúvida instalada poderei então acreditar que estou errada, que posso desejar mais, que mereço mais. Primeiro tenho de libertar este bocado cinzento e confuso dentro de mim. Um processo que devia ter começado já há muito tempo – ao mesmo tempo que as coisas iam acontecendo. Deixar para depois nunca deu bom resultado, isso já eu sabia. Fingir que não aconteceu também não é solução. Há que pensar, conversar, pedir desculpa, escrever sobre as coisas que nos apoquentam, nos doem a nós ou que fazemos doer aos outros, sobre as que nos deixam felizes também. Estas são formas de desequilibrar a balança que vejo sempre que olho para dentro, e que não tem obrigatoriamente (dizem-me) de ter os dois pratos iguais. Só depois de aprender e pôr em prática tudo isto terei então um espaço grande, vazio, para encher de coisas boas, que mereço (dizem-me). Estou já a tratar disto. Preciso disso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagem retirada daqui:  http://amelhoramigadabarbie.blogspot.pt/2013/03/bom-dia_23.html

 

 

Sexta-feira, 15 de Março de 2013

.Dos Outros

Frases de outros onde me encontro:

 

“A verdade é que nunca disciplina foi tão importante para mim e nunca ela me ajudou tanto. Quando parece que há coisas demais a fazer, ainda assim elas são feitas, e de repente não era nada tão grave, e me vejo contente por ter dado cabo de mais uma pilha de afazeres e sei que nesse tempo que restou posso relaxar de verdade, sem me preocupar, (…). Aprendi a duras penas que procrastinação é a pior coisa do mundo. E ainda que às vezes eu seja acusada de não saber gerir meu tempo, pois não consigo largar tudo e ir dormir quando os outros acham que eu deveria, acho que é justamente o contrário: eu priorizo sempre o que PRECISA ser feito em detrimento do que eu QUERO fazer. Uma vez feito tudo aquilo que precisa ser feito, todo o tempo restante é dedicado ao que eu quero. E uma vez que as tarefas que precisam ser feitas são incorporadas na sua rotina, uma vez que você tenha disciplina para sempre priorizá-las, elas deixam de ser um fardo, pois você elimina a escolha, o dilema entre fazê-las agora ou depois. A resposta é sempre: faça agora, tire da frente, não deixe para depois. (…) Mato tudo o que é tarefa de rotina o mais cedo possível no meu dia, (…). Lutar contra as coisas que você precisa fazer, aprendi, é a maior fonte de stress de todas, e totalmente evitável. Para que tudo funcione bem, (…), planejamento é sempre essencial.”

Ana Elisa G. Granziera

Blog http://www.lacucinetta.com.br/

 

 

"Devia haver

um curso, workshop, tutorial, vídeo no youtube, instruções, alguma coisa - qualquer coisa - que nos ensinasse a gerir expectativas."

outros dias

Blog http://outrosdias.blogs.sapo.pt/

 

Sábado, 23 de Junho de 2012

.Escrever

Primeiro não escrevia com medo do que podia sair, agora acho que perdi a vontade. Lá vou encontrando, em alguns dias, um assunto ou outro que me faz escrever, imediatamente, um texto na minha cabeça. Mas depois o trabalho, a casa, as minhas pessoas, as correrias, que por aqui continuam, tiram-me o tempo e a vontade de as passar para aqui. E nem na minha agenda, companheira de tantos anos, de tanta vida, registo já aquilo que vou fazendo. Não é um motivo mau, o contrário - escrever sem viver, seria bem pior. 
Tinha de entregar ontem o artigo para o B'lota e pensei que o faria muito antes do tempo, já que consegui entrevistar a Sra. E. há umas duas semanas. Mas a nota "ecrever o artigo" manteve-se no telemóvel até ontem. E, mesmo ontem, fui ficando no trabalho até bem tarde, levei o Z. a jantar fora porque não queria perder tempo a cozinhar, aproveitei os saldos sem pressa, e quando me sentei, finalmente, para começar a escrever, até os programas que mais odeio na televisão me prendiam a atenção. Mas assim que comecei a ler tudo aquilo que escrevi na entrevista deu-me um grande arrependimento, como se estivesse a ser injusta com aquela pessoa e até comigo mesma. Uma senhora de 88 anos que terminou de ler há pouco tempo o "Equador" ou o "Código da Vinci", que o maior mal que vê em estar numa cadeira de rodas é não poder viajar, que levou a minha mãe a conhecer a praia do Meco quando ela tinha uns 9 anos, que se recorda de mim bem pequena a roubar o miolo das carcaças com o dedo mindinho, merecia mais atenção e respeito. Até porque, como aconteceu também com todos os outros entrevistados, foram horas de conversa, uma história que não cabe, nem metade, na folha que me é destinada, e merece um bom resumo. Até agora, todos os que leram a sua própria história, nas minhas palavras, me confessaram que choraram a ler. E isso, por estranho que pareça, deixa-me feliz. Que bom é conhecê-los assim, que bom é reconhecerem-se nas minhas palavras. Desliguei a televisão e escrevi o artigo em meia hora. E soube bem. Talvez tenha mentido lá em cima. Afinal a vontade ainda anda por aqui. 

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