Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011

.A felicidade (ou o melhor da publicidade)

Vamos lá começar o ano a pensar nisto (estamos aqui para ser felizes).

 

 

 

 

 

Lá fora: "Tive a certeza que nunca tive contigo" (500 days of Summer)
Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011

Feliz Natal e um 2012 perfeito!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por incrível que pareça, a árvore da imagem foi a única que, em 27 anos de vida, vi nascer e crescer até ficar como está aqui. Não está na minha casa, é do trabalho. E não é uma árvore verdadeira, daquelas que em tempos podia escolher no campo, com os pais e a mana. Mas ajudei a construi-la do início ao fim. E deu algum trabalho. Foi preciso encaixar as diferentes partes, equilibrar a árvore, abrir os ramos, pensar na decoração possível com as peças que nos deram, desenlear as luzes, fazer cálculos para as espaçar, mudar o escadote de sítio vezes sem conta para que as bolas a cobrissem na perfeição, esticar-me ao máximo para conseguir encaixar a estrela bem lá no topo, arrastá-la até ao sítio certo. E, no final, quando ligámos as luzes, fiquei ali parada, a contemplá-la, de sorriso na cara, orgulhosa de todo aquele trabalho partilhado. Não deixa de ser assim, como esta árvore, a nossa vida. A quantos equilíbrios, encaixes, cálculos, esforços, desenleios, adaptações, partilhas, …, nos obriga a vida. Viver dá trabalho, pois dá, mas também é compensador. Espero, e desejo, que no final de cada ano, já deste que agora se aproxima, possamos olhar para trás, para tudo o que fizemos, para a nossa vida, e possamos contemplá-la assim também, de sorriso na cara, orgulhosos de tudo o que fizemos com o que nos foi dado. Um Feliz Natal e que 2012 seja apenas o primeiro de muitos anos perfeitos.

Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

.Apaixonada

Não sou uma pessoa com um grande amor pelos animais. Sou incapaz de os maltratar mas, se puder, dou uma volta enorme para não me cruzar com eles. Como em tudo na vida, claro que há excepções. Também eu tive coelhinhos, pintainhos, porcos da Índia, bichos-da-seda, um esquilo (que histórias tivemos com o Cajó!) e talvez outros que agora não me lembro. E cães e gatos. Gostava mesmo deles, mas quando morriam, atropelados, envenenados, de males vários, o processo de luto era tão penoso que percebi que o melhor era não tê-los, esta seria a única maneira de não sofrer. E depois houve aquele susto com o pastor alemão igual ao Rex, logo comigo que vi todos os episódios e chorei com as perdas dele, que me tentou morder quando eu tinha uns seis anos. Não me acertou, mas apanhou o braço da avó, que me tentava defender, e que nunca mais voltou a ser o mesmo. Nem eu. A partir dai, nada de cães e gatos na minha vida. Claro que sempre houve um ou outro que me conseguiu conquistar. O Scotty do meu pai, e a bicharada toda que existe no monte do Z.. E até lhes pego ao colo e deixo que se aninhem aos meus pés perto do lume. Só não tenho muita intimidade com a cadelita Duda porque ela come ratos. Já a vi comer um enorme e deitá-lo fora logo depois, mesmo à nossa frente, por se ter engasgado com o rabo. Não foi bonito. Com a minha irmã a história é diferente, é a maior defensora dos animais em geral e dos cães em particular. Deixassem os meus pais e todas as noites os cães estariam lá em casa, de preferência no quarto dela. Foi por isso que quando me começou a falar dos dois pequenotes que a Borboleta tinha trazido ao mundo não lhe liguei muito, era uma obsessão como todas as outras anteriores. Chegámos a discutir à mesa porque ela queria levar-me a vê-los e eu achava melhor gastar o meu tempo com a família que vejo tão poucas vezes. No feriado lá me convenceu e levou-me a conhecer as duas mascotes lá de casa. Os dois cãezitos são mesmo especiais e giros – sem querer ofender a mãe, devem sair ao pai, que não sabemos quem é, porque dela não têm nada. E qualquer coisa mudou. Andei com eles ao colo, demos beijinhos à esquimó, deixei-os roer os atacadores das botas novas e sujar um dos meus casacos preferidos, dei-lhes comida à boca e até me fui despedir deles com a lagrimita no olho, de acordo com o estatuto de novos membros da família. O pior foi escolher os nomes. Rimos, discutimos e lá chegámos a uma conclusão depois de muita luta. A única exigência do pai era que o lourinho fosse 'Leão', e é verdade que ele tem porte, pose e comportamento de rei (as birras que apanha quando ralhamos com ele por morder o mano são de mais), masas mulheres da casa queriam uma coisa diferente. Decidir a quatro não foi fácil - não queríamos nomes de pessoas, os apelidos de pessoas da terra também não ajudavam e somos todos muito diferentes. E o que rimos com a mãe que há uns tempos atrás nem mexia em computadores quando se saiu com "e se procurássemos na net?", e leu todas as sugestões estranhas de sites brasileiros sem sucesso. Foi no jogo do Sporting que encontrámos o nome final – depois de gostarmos as três só tivemos de convencer o pai. A mana estava num sítio do estádio com a mãe, eu noutro com o Z. e o pai ainda noutro sítio diferente. Quando entrou a nova mascote no relvado pensei que era mesmo aquilo, e a mana pensou o mesmo porque quando estava a escrever-lhe uma mensagem chegou a dela com a mesma ideia. A mãe aprovou e o pai foi um bocadinho forçado, mas ficou convencido. E assim baptizámos um de Jubas, a fera birrenta, e o outro de Ruca, que só pensa em morder calças e atacadores e foge das fotografias. Dou por mim a pensar neles muitas vezes e percebo que mudou mesmo qualquer coisa. Tenho saudades, preocupações, pergunto por eles nos telefonemas para casa, quero estar com eles o mais depressa possível, gostava de trazê-los comigo para Lisboa e fico com o coração apertadinho só de pensar que lhes pode acontecer alguma coisa enquanto estou longe. O Z. já tinha insinuado e eu não queria admitir, mas os sintomas são óbvios e chegou a hora de assumir. Estou apaixonada. Mas, vendo bem, quem não ficaria?

 

 

 

 

O meu carro (batido) tinha umas colunas com vida própria. Sempre que passava num buraco ou numa lomba uma delas deixava de funcionar e outra ganhava vida. Quando o Z. tentou arranjar (ele consegue, mas sobram sempre peças), teve de cortar um dos fios e foi logo o da memória. O meu rádio deixou de memorizar postos e cada viagem é uma aventura e um desafio até encontrar uma música ou uma estação que agrade. Hoje, já estava a chegar a casa, apanhei a Star e começou a dar uma música que normalmente me faz rir, dançar e pensar em coisas boas. Hoje, sei lá porquê, fez-me qualquer coisa estranha e comecei a chorar desalmadamente. Pensava em mim, pensava na Di. e no Nu., que sem se saber muito bem como perderam a mãe de um dia para o outro, pensava nos meus pais – entrei às dez e saí às sete e tal de rastos quando eles terminaram o dia depois de mim e às cinco da manhã já o tinham começado, sei lá. Foi tudo. E foi a música. A do rádio do meu carro batido, que já não tem colunas com vida própria, mas ainda me consegue surpreender.

http://www.youtube.com/watch?v=du2rYBS5XN4

Lá fora: "Já estou aqui, o que é que queres mais?"
Sábado, 10 de Dezembro de 2011

.Chatices

Ficámos mais um bocadinho com os pais e a mana depois do jogo para aproveitar a companhia e as bifanas. Depois corremos para apanhar o metro, que já assinalava a partida, até Entrecampos, onde deixámos o carro para fugir da confusão. Um carro parou de repente à nossa frente e conseguimos ultrapassá-lo para virar no desvio logo à direita. E, nesse instante, um táxi saiu do estacionamento sem olhar para trás e arrastou o nosso carro. A avó T. é que tem razão, as coisas que têm de nos acontecer encontram-nos onde tiver de ser, faça lá a gente o que fizer. Tivesse eu saído logo do estádio, ou deixado o carro mais perto, ou esperado que o carro da frente arrancasse ou ainda tivesse seguido em frente sem ligar ao desvio, e ainda assim talvez este táxi nos tivesse encontrado numa qualquer rua de Lisboa. Há quem lhe chame destino. A avó T. chama-lhe "o que tem de acontecer". Eu chamo-lhe chatices.
Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2011

.Pessoas

Fui jornalista durante pouco tempo – nem carteira cheguei a pedir, mas deu para perceber uma coisa: se pudesse, escrevia apenas sobre pessoas. Lembro-me de uma vez, enquanto estava a trabalhar nas revistas dos barcos, ter ido entrevistar um casal português que vivia num barco com os dois filhos menores, os únicos portugueses que já tinham dado a volta ao mundo de barco por duas vezes. Adorei conhecê-los, conhecer aquelas histórias que nunca me atreveria a viver. Escrevi um artigo que achei, modéstia à parte, realmente bom. Os colegas que leram gostaram bastante e o pai do meu chefe da altura, um senhor exigente que nos corrigia os artigos, chegou a ligar-me para elogiar a escrita, o encadear das histórias – disse-me que tinha sido um dos melhores artigos que já lera sobre o assunto. O pior foi quando o chefe me chamou à sala para falarmos sobre o artigo e rasgou as folhas à minha frente. Afinal, o que era aquela porcaria? Os leitores queriam saber que avarias enfrentaram, como tinha reagido o barco, como funcionaram as velas, e coisas assim. Saber como tinham aulas os miúdos? Quem eram os amigos? Como se encontravam? Como se passavam 24 horas num barco sem se cansar? Isso não interessava para ninguém. E lá voltei eu a Cascais, à conversa com eles, para poder então escrever o artigo que interessava ao meu chefe e aos leitores da revista, mas não a mim. Talvez tenha sido nesse dia que percebi que nunca ia chegar longe no jornalismo – moldei o artigo a mim, àquilo de que gostava – as pessoas, quando, afinal, não era isso que devia ter feito. Mas é possível ser-se jornalista sem deixar uma marca pessoal?

Na minha terra, há já algum tempo, formaram uma associação de jovens. Não faço parte, limito-me a participar em algumas das iniciativas e, ainda que não seja próxima de todas as pessoas que a compõem, tenho muito orgulho delas. Porque, continuando algumas pela terra ou só estando nela ao fim-de-semana, tiveram a coragem de se juntar para lutar por qualquer coisa. Organizam torneios de tudo e mais alguma coisa, fazem festas, passam filmes, reivindicam – e tudo isto me parece muito bem. Não há muito tempo passaram a ter também um jornal e convidaram-me agora para escrever qualquer coisita para lá. Não demorei muito a escolher o tema – pessoas. Cada uma desta aldeia deve ter uma história gira para contar, uma lição para ensinar, um gesto que faça rir. E o melhor é aproveitar agora, enquanto ainda estão cá, e registar e dar a conhecer este património da aldeia.

Para primeira edição escolhi uma pessoa que toda a gente conhece, o senhor M.C.., o jornalista da terra. Não se formou na área, mas poderia muito bem formar gente. É ele que todos os meses escreve as novidades da terra para o jornal do concelho, e nem a doença o impede de continuar a fazê-lo.

Tirei o dia de férias e estou pela minha aldeia. Ontem tive o melhor feriado possível – em casa, com os pais, a mana e os respectivos apêndices, à volta do lume, com comida, jogos e muita  conversa. Agora estou sozinha em casa, a mãe está a trabalhar na loja, o pai foi à lenha com o Z., a mana foi com o namorado a V.N. arranjar os pneus da carrinha do pão que já teve dois furos hoje. Estou a ganhar coragem para sair de casa e ir bater à porta do senhor M.C.. Falamos muito quando nos encontramos por acaso, ele até veio visitar o pai quando foi operado, mas desta vez é diferente. Primeiro porque não entrevisto ninguém há muito tempo, depois porque acho que é sempre melhor que nos contem coisas porque querem e não só porque perguntamos. Vou tomar um banho bem quente, ligar o rádio que tanto orgulho dá ao pai, e começar a pensar no que lhe vou perguntar daqui a instantes. O medo há-de passar quando lá chegar, ou não fosse eu a L. de sempre – quando a conversa começar o difícil vai ser parar. Ou não fosse este o meu tema preferido de todos – pessoas.

Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011

.A infância

No outro dia, no Alentejo do Z., a conversa foi parar à nossa infância. Aos pais, à educação, aos traumas que nos acompanharam pela vida fora. Fui ouvindo as reclamações do Z. e da prima, eles que tinham ali os pais presentes, e fui pensando em mim. Pensei, pensei, e percebi que sempre fui realmente feliz. E que a culpa disso é da minha família. Fiquei até orgulhosa quando ouvi o Z. dizer no outro dia aos meus avós que desde que está comigo passou a dar mais valor à família dele e ao tempo que passa com ela - ele que acompanha as minhas correrias de fim-de-semana para visitar todos nem que seja por cinco minutos antes de irmos para a semana de trabalho. Tivemos problemas, zangas, chatices, coisas menos boas, como em todas as famílias, mas traumas nem um. Fizemos aquilo que sabemos melhor, ser uma família, e resolvemos as coisas mais ou menos no momento. Sei que fui uma criança e uma adolescente feliz – que resultou naquilo que sou hoje. Os pais não disseram sim a tudo, não fizeram tudo o que eu queria, também deram algumas palmadas, e tudo isto foi preciso. Sei também que disseram sim e fizeram coisas que talvez não parecessem bem aos outros, e só a nós. Não houve padrões, houve análises caso a caso – “a tua liberdade depende de ti e só de ti, é o teu comportamento que pode ditar o que fazes, o que és e onde vais”, disse-me o pai tantas vezes. E esta frase, assim como tantas que me disseram e continuam a dizer, fizeram de mim o que sou hoje. Sei que deve haver muita gente por aí a dizer que tem os melhores pais do mundo, mas tenho a dizer-lhes que só podem estar enganados. É que os melhores, não tenho duvidas, são os meus.

 

Há muitos anos atrás, há mais de vinte, a Zi., uma amiga, fez um trabalho para a faculdade em que me usou como ‘modelo fotográfico’. O trabalho veio parar às minhas mãos no outro dia e quase todos lá em casa deixámos cair uma lagrimita ao vê-lo. Ao ver estas fotos não tive dúvidas – fui mesmo uma criança feliz (e na moda!).

 

(Tenho andando meio ausente daqui, um dia destes explico porquê)

 

 

 

 

 

 

 

Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011

.Vende-se

Se há coisa que está na moda lá em casa, por estes dias, são os sites tipo ‘Coisas’, ‘Custo Justo’ e afins. O Z. passa as noites a ver as novidades diárias, e, às vezes, até reclamo que liga mais àquilo do que a mim. Primeiro via casas, depois carros e bicicletas, agora esquentadores e coisas parecidas. E eu tanto me rio como me zango, mas parece que resulta, já vendeu o carro dele por lá, já comprou uma bicicleta e as nossas mesas-de-cabeceira restauradas também vieram de lá.

Neste momento, tenho a minha vida dividida em quatro casas. A nova já tem as bicicletas na arrecadação (viver num t1 com três bicicletas não estava a ser fácil), a antiga ainda tem os móveis grandes, as tralhas pequenas estão amontoadas no meu quarto do Alentejo e a de São Marcos tem as coisas do dia a dia, que já comecei a arrumar. Comecei pelas roupas de Verão, que já encheram alguns sacos azuis da IKEA. E foi quando o comecei a fazer que fiquei chocada comigo mesma, encontrei peças compradas há já algum tempo ainda com etiqueta! Eu sei que o meu maior vicio é a roupa. Fico tão, mas tão feliz quando compro um trapinho que às vezes acabo por exagerar. Por motivos fúteis. Cheguei a comprar duas coisas iguais porque uma se podia estragar! Agora já me reeduquei, penso muitas vezes antes de comprar, e até chego a devolver alguma peça passados uns dias, quando a consciência toma conta de mim.

Foi ao ver os bons exemplos de negócios do Z. que resolvi fazer o mesmo. As roupas já estão embaladas, logo penso nisso quando me instalar na casa nova. Comecei então pelo que ainda está ‘desarrumado’, e encontrei dois pares de botas e uns sapatos, tudo da Fly London, que ainda nem tive o prazer de estrear. Umas porque adoro mas não tenho nada para vestir com elas, outras porque tenho umas muito parecidas que estavam estragadas mas o senhor sapateiro arranjou muito bem, outros porque me estão apertados. Comprei porquê? Não sei. Mas já estou a tratar de os tirar da minha vida. Ainda só tive uma oferta, mas não estou a desanimar. O Natal está quase à porta, o meu telemóvel resolveu avariar logo nesta altura, e uns trocos faziam mesmo, mesmo jeito. Se não tiver tanta sorte como o Z., posso sempre guardar tudo até à próxima feira da ladra na terrinha, onde o meu lado de tendeira se manifesta à grande. Por enquanto, vou aguardando ofertas. Há por aí alguém interessado?

http://lisboa.coisas.com/para_venda/roupa_sapatos_e_acessorios/mulher/sapatos-fly-london-castanhos-a-estrear-originais/4021753/

http://lisboa.coisas.com/para_venda/roupa_sapatos_e_acessorios/mulher/botas-fly-london-pretas-a-estrear-originais/3940618/

http://lisboa.coisas.com/para_venda/roupa_sapatos_e_acessorios/mulher/botas-fly-london-cinzentas-novas-originais/3940573/

 

Sábado, 5 de Novembro de 2011

.À boleia

Acredito que, em muitas casas, a palavra-chave tenha passado a ser 'poupar'. E medidas para levar este objectivo em diante há de todos os tipos. As espectaculares, as boas, as que até se entendem e as ridículas. São todas medidas em que nós depositamos alguma esperança, e, ainda que agradeçamos os conselhos, são para levar em frente. Estávamos nós à boleia da crise, quando tudo começou a acontecer ao mesmo tempo. Em Dezembro, que está à porta, corro o risco de estar a pagar três casas: aquela para onde vou, a que finalmente está a ser vendida mas não sei quando termina o processo, e aquela onde continuo, por não ter terminado ainda o contrato de arrendamento. Só por esta razão tinha de poupar a sério. Mas, para além de pagar casas, tenho ainda outras funções vitais para cumprir e que implicam gastos. Assim, revimos todos os nossos custos e tentámos reduzir o possível, por muito que custe. A grande fatia, talvez uns 50%, dos nossos gastos ia para o combustível. De cada vez que vamos aos nossos Alentejos, ao meu e ao do Z. (algures entre Serpa e Espanha), não gastamos menos de 60€. E chegamos a fazer isto três vezes por mês. Claro que estar com a família não tem preço, e fazem sempre questão de nos mandar o carro cheio de coisas boas (aproveitadores!), entre tantas outras razões, mas também aqui tínhamos de cortar. E foi ao tentar solucionar o problema que chegámos a uma medida que não agradou a toda a gente: não vamos deixar de estar com os nossos, pois não, mas podemos poupar, por exemplo, pedindo que nos visitem mais vezes (o que os pais têm feito, mas os do Z. não têm essa liberdade). E indo à boleia. "Mas que graça tem isso se vocês têm carro? Às tantas, se tiverem de regressar de comboio ainda gastam mais, ...", foram algumas das coisas que ouvimos. Não vamos para a estrada de dedo no ar, não entramos em carros de estranhos, tratamos apenas de conciliar agendas. E começámos já no fim-de-semana passado. A mana termina as aulas do mestrado, em Lisboa, ao sábado de manhã. Fomos lá ter, deixámos lá o carro e seguimos viagem com ela. E foi um fim-de-semana para lá de bom. Almoçámos em casa dos sogros da mana, visitámos os avós a pé com tempo, aproveitámos os pais e fartámo-nos de rir com o dente acabado de partir da mãe (mesmo à frente, parecia mascarada!), fomos a uma festa das bruxas na terrinha (eu, a Su. e a mana de saltos altos e lábios bem vermelhos), passeámos numa feira de artesanato realmente boa também na terrinha e ainda tivemos direito a lanche de netos na avó T., a matar saudades da Curia, com fatias douradas, papas de abóbora, jogos de roda de outros tempos e muitas gargalhadas. No domingo à noite tivemos de regressar. À boleia. Com o namorado da mana, que nos deixou no nosso carro, a nós e aos sacos cheios de comida boa. Gostámos tanto desta medida - não gastamos dinheiro, aproveitamos a família ao máximo e não obrigamos ninguém a gastar mais do que gastaria, que já decidimos que é para repetir. E já utilizámos a mesma fórmula neste fim-de-semana que agora começou. Foi um começo atribulado - o Z. vendeu o carro inesperadamente às 23h em Lisboa, o carro da mana deixou de funcionar no parque subterrâneo da faculdade que fechava à mesma hora do negócio e os pais à nossa espera para o jantar, a caminho do Alentejo do Z.. Lá nos despedimos do carro do Z. (onde demos o primeiro beijinho), resgatámos a mana e o carro dela, jantámos com os pais à uma da manhã e chegamos ao Alentejo do Z. quase as quatro, de boleia no carro do amigo Di., que nos atura umas vezes e nós aturamos outras. A meias custa menos e não ofende ninguém. E, frases feitas mas verdadeiras, cada um sabe de si e os passos não devem ser maiores do que as pernas. Nós estamos a gostar disto. A nossa conta também. E parece que vamos continuar assim - a andar à boleia. (post escrito e publicado no telemóvel, desculpem qualquer coisita)

Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011

.Partilha

Não sei se é de mim ou dos outros, mas ultimamente não é fácil agradarem-me nem eu agradar a alguém. Não nos contentamos com pouco, queremos tudo. Partilhamos o que nos vai cá dentro. Mas o tudo está sempre a mudar.

 

Vim para casa fazer bolo de laranja com sementes de papoila, que ficaram espalhadas por todo o chão. Precisava deste conforto. Cheira bem aqui. Neste sítio onde já não tenho vontade de ficar, que já mal sinto como meu. Tenho vontade de voltar a arrumar tudo, mas ainda é cedo. Já está pronto. Trinco as sementes. Gosto disto. No pão, no chocolate, nos bolos, gosto de qualquer coisa para trincar. É por isso que a mãe mete nozes na mousse e amêndoas no salame. A mãe, que sabe tudo, mesmo sem que eu o partilhe, e que talvez por isso já me tenha ligado hoje mais do que o normal. Aconchego-me no beijo que me dá de despedida, enquanto me diz que estou sempre a fazer coisas estranhas na cozinha e que me vai dar a forma de silicone que não teve coragem de estrear. O telemóvel não tem mais nada [queremos sempre mais]. Volto ao sofá, à minha série, com a minha fatia de bolo. Olho à volta, volto a trincar mais uma semente. Ninguém para partilhar.

Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011

.Castigo

Sou uma má paciente. Mesmo. Vou ao médico quando é preciso e quase por obrigação. Gosto de coisas com efeito rápido e que não me obriguem a muito trabalho. É por isso que fico tão feliz, mesmo com menos 100€, quando vou secar os derrames ao Dr. Serra Brandão, mas depois me esqueço de tomar o Daflon todos os dias como ele me manda. Os feios já saíram, deve pensar o meu cérebro, quando aparecerem mais logo havemos de lá ir outra vez. Tomar medicamentos para que não apareçam? Dá muito trabalho. A minha dermatologista, que é uma das pessoas de quem eu mais gosto e que me conhece desde os 12 anos, é uma santa. Já me tirou as verrugas da cara com laser, acabou com as minhas borbulhas, e salva-me sempre de qualquer aflição com esta minha pele estranha que até a cintos com metal ou havaianas molhadas faz alergia. E mesmo assim eu não faço tudo o que ela me manda. Vou à consulta, compro tudo o que me receita, leio as bulas, e acho que só isso me põe logo boa - acho que nisto saio à minha avó T., só por termos as coisas no armário ficamos bem. Quanto às idas ao ginecologista, sou ainda pior. Feitas as contas, não ia lá há dois anos e meio. Pelo meio, portei-me mesmo mal. Auto-mediquei-me, levei apenas duas doses da vacina do cancro do colo do útero e deixei passar o prazo da terceira (e já não posso voltar atrás), entre outras coisas do género. Por estes dias achei que seria melhor marcar uma consulta, até porque o Verão não foi meiguinho: uma candidíase e uma infecção urinária. A médica que me atendeu a última vez já só tinha consulta para o próximo ano, então resolvi ir à que tinha vaga mais depressa. E não correu bem. Que idade tem? Hum. E já com este estado civil? Está certo? Que aconteceu? Nos primeiros instantes ainda pensei que me tinha enganado e me tinham mandado para uma psicóloga. Foi só quando mudou bruscamente de tema que percebi que estava no consultório certo. Não sorriu e foi dura. Sabia que tem uma ferida bastante acentuada no colo do útero? Pois, não deve saber porque não vem a uma consulta há muito tempo. Vai pôr durante oito dias estes óvulos e regressa cá daqui a um mês. E eu pensei que o pior de tudo seria ter de regressar lá. E que desta vez tinha mesmo de colocar (o Z. diz que quem ‘põe’ são as galinhas) os óvulos todos até ao fim. Mas não. Para além das dores e da impressão da citologia, que ainda duram (sou mariquinhas, pois sou), ninguém consegue perceber o que foi que ela me receitou. Ontem estive uma hora inteirinha na farmácia. Tinha ido lá de véspera e o rapaz mandou vir aquilo que percebeu, ontem eu e a colega percebemos que ele tinha encomendado um estimulante sexual (Feminine). Pesquisámos no Google, no Infarmed, ligámos para armazéns, e para o hospital, mas a médica só regressa a 7 de Novembro, e não conseguimos detectar o que seja. Lembro-me dela dizer que era uma coisa nova, e que existia em óvulos e em comprimidos, o nome não fixei. Até podia justificar com letra de médico, mas a dela nem é das piores. E pronto, castigo dos castigos, agora preciso mesmo de um medicamento, uma coisa que começa por 'Fe' ou 'Flu' e tem três 'i', e nem consigo saber o que é - nem eu nem ninguém. Verdade das verdades, eu já merecia uma lição destas. Castigo.

 

Há alguém que consiga decifrar? Obrigada.

 

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