Segunda-feira, 30 de Junho de 2014

.Dores de mãe

Duas crianças morreram na sequência de um acidente numa Moto4. Uma criança morreu num incêndio na Damaia. O filho de uma conhecida jornalista morreu depois de um acidente numa piscina. A televisão no fim de semana a acabar com o meu coração de mãe. Esta noite a Aurora mamou 4 vezes – às 00:00, às 02:30, às 04:30 e às 07:30. Talvez também esteja ansiosa com a ida para o colégio, amanhã, não sei. Eu agradeci. Foi tão bom ter uma desculpa para agarrá-la mais tempo, sentir o seu corpinho quente, o cheirinho bom do cabelo dela, as festinhas que me vai dando com a mão de um lado para o outro. Depois dar-lhe um beijinho na bochecha ainda com leite e voltar a deitá-la, enquanto agradeço, tantas vezes, por tê-la na minha vida e peço que nunca nada de mal lhe aconteça. Sempre fui pessimista e sofri por antecipação, mas agora, desde que fui mãe, tudo me parece muito mais negro (e mais feliz, ao mesmo tempo). Digo aos meus pais que não sei como me deram tanta liberdade, que penso seriamente em fechar a Aurora no quarto para que nada de mal lhe aconteça, mas sei que tenho de aprender a gerir os meus medos, inseguranças, e que ela também terá de ter espaço para viver (e sim, nos quartos também acontecem coisas más, eu sei). Mas este lugar onde agora me encontro, mãe, eu-mãe, faz-me sofrer até pelas dores dos outros. Nos últimos tempos uma série de pessoas à minha volta sofreu mais do que devia num momento da vida que devia ser de extrema felicidade – o parto. Sofreram as mães, os pais, os bebés. Uns já recuperaram, outro não se sabe se ficará com algum problema, outro acabou por falecer. Nesse dia, em que soube desta última história, chorei e agarrei tanto a minha filha. E o Z. ralhou muito comigo, que não posso ser assim. Mas não consigo deixar de questionar o mundo, a vida, tudo o que acontece. Quem sou eu para ter tido a sorte de ter um parto bom, num bom hospital, sem sofrimento para nós nem para ela? O que tenho eu a mais? Porque tenho eu a sorte de ter a minha filha bem nos braços e outros pais não? Que mal fizeram todos os outros pais para que lhes tirem assim os seus filhos? Ainda vou ser penalizada por esta sorte? Ser mãe é viver com o coração fora do corpo, digo eu e todas as mães (menos aquelas que os tentam vender – mais uma notícia que me faz questionar o mundo). E quando esse coração pára de bater, como é que se continua a viver? Espero nunca ter de o saber. Dói tanto, tanto, só de o ver acontecer aos outros. E nunca me esqueço que nós somos os outros dos outros.

1 comentário:
De mina jesus a 10 de Julho de 2014 às 21:54
Olá priminha!

Calma! nada de stress vive um dia de cada vez, e pensa aiim!
Ao menino e ao borracho mete Deus a mão por baixo!

e......quem tiver de morrer de umtiro não morre de uma facada! por isso...VIVE O MOMENTO mãe.beijoca

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