Quarta-feira, 25 de Junho de 2014

.7

Ontem chegámos aos 7 meses, tu e nós. 7 meses juntos, 7 meses a ser bebé, filha, 7 meses a ser pais, a ser felizes como não imaginámos antes. 7 meses que passaram a correr. Por outro lado, penso que ainda só passaram 7 meses. E tu já mudaste tanto, e já fizemos tantas coisas boas. Pelo meio, houve coisas más também. Como quando o teu hemangioma ulcerou, choraste toda a noite, acabámos nas urgências para onde voámos contigo ao colo. Nesse dia fui forte, como dizem que as mães têm de ser, e só chorei quando vi outro bebé entrar com falta de ar. Passem os males dos pequenos para nós, por favor! Nenhum bebé/criança do mundo devia sofrer. Foste vista por não sei quantos médicos, e uma coisita que era apenas uma mancha quando nasceste, e que cresceu de mais, continuava a sangrar e, pior, a doer-te. E eu percebi, pela primeira vez, que não te consigo salvar de todos os males. Não deviam as mães poder fazê-lo? Ainda assim, foi um dia cheio de sorte. Porque te trataram bem, se preocuparam contigo, fizeram mais do que deviam para te ver bem. Terminámos o dia num outro hospital, no cardiologista, que deu autorização para que começasses a fazer um tratamento com beta bloqueantes. Uma coisa ainda experimental, que toda a gente nos diz para não termos medo, apesar de te reduzir o ritmo cardíaco, diminuir o açúcar no sangue e teres de o fazer 3 vezes ao dia até, provavelmente, aos 2 anos. Mas ver-te melhorar tão depressa deixa-nos cheios de esperança. Não te ver a sofrer deixa-nos de coração cheio. Sofremos também, os 3, porque não querias pegar no biberão – nem comigo noutra divisão, nem fora de casa, nem em posições ou sítios diferentes, nem com outras pessoas, nem com tetinas de diversas marcas, nem com leite aquecido, descongelado, à temperatura ambiente ou acabado de tirar. Querias, só, mama. Mas a vida não pára e eu tive de regressar ao trabalho. O pai, apesar de ter dito que não ia montar uma tenda à porta do meu estaminé (mamavas de duas em duas horas!), lá cedeu depois de tanto sofrimento – veio contigo todos os dias até mim, à hora de almoço, para mamar. E que bem que me soube, confesso. Só nos últimos dias de licença do pai voltámos a experimentar o biberão, primeiro com água, depois leite, e agora parece que o fizeste desde sempre. Entretanto, e à conta do propanolol, não podias estar 4 horas sem comer, e começámos as papas um bocadinho antes dos 6 meses. No biberão até bebes bem a papa, no prato, à colher, fazes uma birra enorme, assim como fazes com a sopa e com a fruta. Por ti, vivias bem só com leite. Na próxima semana já vais para o colégio e, se o meu coração fica pequenino só por pensar nisso, espero que esta seja uma das coisas em que elas te façam mudar. Não estamos lá nós, terás de comer de qualquer maneira, espero. Agora, também já pegas na chupeta. O pai experimentou numa das tuas birras, e ficaram grandes amigas. Até já consegues adormecer sozinha na tua caminha, desde que a tenhas (ainda no nosso quarto, que ainda não tive coragem de te mudar). Não é uma paixão avassaladora, porque passados uns minutos acabas por deitá-la fora, mas adoras ficar a ‘mordê-la’, como fazes com tudo o que apanhas. Agora, desde que começaste as sopas, temos um novo amigo lá em casa, o Bebegel. Tu, que sujavas quase todas as fraldas e mesmo as roupas, deixaste, pura e simplesmente, de conseguir fazer cocó sozinha. E sofres mesmo com isso. Mesmo com estes pequenos problemas (pequeninos mesmo, quando comparados com outros), é tão bom. Sou tão feliz por ser tua mãe. E sei que também és feliz, consigo vê-lo. E há quem o note e o diga. Penso que não é dos meus olhos, mas és linda. E não consigo deixar de sorrir quando as pessoas mo dizem – como a senhora no Campo Pequeno que me dizia: “você já viu bem os olhos da sua filha?”, e eu preocupada se tinhas alguma coisa, mas não, queria só dizer que “tinhas os olhos mais bonitos que eu já vi”. As rotinas vão mudando, e nós vamo-nos adaptando. Depois da licença do pai estive eu de férias. Comigo detestas comer, fechas a boca com toda a força e ali não entra nada. Se despachas a mama em 5 minutos, e ela até está à tua frente, porque hei-de estar uma hora a dar-te sopa? Depois terminaram as minhas férias e voltou o pai. E como és feliz com ele. Só de ouvires a voz ficas em êxtase, dás pulinhos e ris muito. Para mim só há sorrisos grandes quando chego a casa, depois passa. Continuas a mamar de noite, por volta das 4, e eu adoro. Ouvir-te a resmungar, pegar-te ao colo, meter-te na nossa cama, aninhar-te a mim e ficar ali a dar-te beijinhos enquanto mamas. Depois, antes de sair às 08:00, volto a fazer o mesmo – já passámos por várias fases: primeiro dava-te o medicamento, trocava a fralda e voltava a adormecer-te com a maminha; agora dou-te mama a dormir e o medicamento logo de seguida, muitas vezes sem que acordes. E ali ficas, deitadinha com o pai, até quase às 11:00, para comeres a sopa logo de seguida. Exiges muita atenção, ris-te muito para toda a gente, e continuas a preferir os homens. Conversas muito, tanto! Usas o 'dá' e o 'cá' quando estás feliz, e o 'tátátá' para reclamar. Ainda não tens dentes, nem gatinhas, mas quando estás de costas consegues percorrer tudo só a fazer força nos pés e a levantar o rabo, e viras-te para todo o lado. Já consegues ligar a luz do fraldário, tens só de te esticar muito. Como gostas de a ver! No centro de saúde acham que aumentas mais de peso do que de comprimento, mas a pediatra diz que estás bem e a roupa vai deixando de servir - nas tuas perninhas gordinhas e rabo de família já só servem calças para 9 meses. Continuas a gostar de banho e a fazer birra no momento dos cremes e do vestir. E adoras fazer um xixi na toalha logo que sais da banheira. Já foste à praia e detestaste tudo: a areia, a água, o sol. Tenho esperança que isso mude. Só isso. Apesar de saber que tudo muda, e que para a semana temos uma nova etapa, e tudo mudará muito mais do que até aqui. Queria dizer “não faz mal”, mas não consigo. Faz mal, faz pois. Gosto disto que temos. Custa-me não ver tantas primeiras coisas que irás fazer. Custa-me deixar-te ali e não passar mais tempo contigo. Mas posso prometer-te que vou estar a contar todos os minutos para chegar ao pé de ti, abraçar-te com toda a força, dar-te um beijinho no teu arrepio, outro na bochecha, e esperar pelo teu sorriso de volta, enquanto sinto os teus braços à minha volta e me arrancas mais um cabelo. Como já faço todos os dias desde que sou tua mãe. Já te disse que sou feliz contigo todos os dias? Sou, pois.

 

(Aqui, ao colo de uma das pessoas preferidas, o tio J.)

2 comentários:
De J. a 25 de Junho de 2014 às 18:27
L. que texto mais bonito e do coração!!!!
Tudo de bom para vocês!!!!

Beijinho
J.
De mina jesus a 25 de Junho de 2014 às 22:46
Parabéns!
Que lindo texto escrito á tua princesa, aliás como é teu apanégio.
Como sempre fico maravilhada com atua escrita e hoje como estou de coração apertadinho, fiquei choraminga.

Beijinho aos três. Mina

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