Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

.Toma lá

Ontem a mana e o namorado vieram ter comigo para jantar. Já tínhamos tido umas aventuras durante a tarde: devolver uma máquina que nos ofereceram porque a descobri 70€ mais barata noutro sítio – foi carregada até à loja pelo meu cunhado, de olho negro por uma bolada que levou durante a tarde, que tentou tapar com uns Ray-Ban, mas que ainda assim despertou a atenção da polícia; e pôr o combustível que trouxe de Espanha, que fica logo ali ao lado do Alentejo do Zé, num jerrican no meu carro – os três não estávamos a conseguir terminar a tarefa, pelo menos sem mandar metade para o chão. Mas a grande aventura foi ao jantar. Dei-lhes a escolher, e fiz tagliatelle com bacalhau, espinafres e natas. Quando ia repetir pela segunda vez, o rapaz detectou um objecto estranho na comida – era uma joaninha. Uma joaninha verdadeira, bem vermelinha. Todas as ervas que usei foram de compra, e não têm buracos por onde o bicho pudesse passar, com excepção dos orégãos, que trouxe do Alentejo do Zé, mas há tanto tempo atrás que não me parece que a joaninha tivesse hipóteses de sobreviver tão vermelha. Restam os espinafres, congelados. Utilizei de dois sítios, de marca branca, porque um dos pacotes estava a acabar, e por isso não posso culpar nenhum. O pior de tudo é que há algum tempo atrás trouxe um saco enorme de espinafres do Alentejo do Zé, que demorei cerca de duas horas a arranjar, a lavar, a desinfectar, e a congelar, mas ainda não usei porque tenho medo de ter deixado passar qualquer coisita. E agora, toma lá, uma joaninha nos de compra. Acho que a única explicação para estar com tão bom aspecto é ter sido congelada. O rapaz meteu-a de lado e continuou a comer – que já tinha sido lavada, fervida, e que nós até comemos caracóis e bebemos leite, qual era afinal o problema? Eu não consegui abstrair-me o resto da noite, e até enquanto comia o gelado de frutos silvestres não conseguia deixar de imaginar uma joaninha a ir parar à minha boca – porque, como disse o meu rico cunhado, elas nunca andam sozinhas, ia aparecer outra, com certeza. E agora tenho o almoço aqui arranjadinho na tupperware e nem sei que lhe faça, talvez o melhor seja ficar pelo iogurte. Às vezes temos medo de comer em certos restaurantes, ai que a ASAE fechava aquilo se fosse lá, e afinal na minha casa é que aparece uma joaninha na comida. Quando era mais pequena e encontrava um qualquer bichinho na sopa a minha avó lá me convencia que aquilo não tinha mal nenhum, se encontrasse que o tirasse, mas que se o comesse aquilo até ajudava a limpar os olhos. Com o tamanho do bicho de ontem ainda ficávamos cegos. As joaninhas devem ser dos poucos insectos que não me provocam alergias nem estão na minha lista de coisas detestáveis, mas depois disto vou ter de repensar a nossa relação. Uma joaninha no prato. Toma lá.

2 comentários:
De Margot a 23 de Maio de 2012 às 15:24
Ohhh... são tão queridas as joaninhas... Coitada!
De reinodosporques a 4 de Junho de 2012 às 15:31
Há que ter atencão às coisas pequenas da vida, pois as pequenas coisas são importantes na construção de um prato, etc!
Sal era um pagamento... hoje um condimento...
Areia... cimento... casas...
Olá... amizade... amor...
tantas outras coisas! cOISAS PEQUEMAS COMO DIZEM OS MADREDEUS!

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