Segunda-feira, 16 de Abril de 2012

.Coisas doces (ou nem tanto)

Tenho a terrível tendência de ver apenas o buraco no mesmo sítio onde todos os outros conseguem ver um donut. Esta é a melhor expressão que encontro para definir aquilo a que costumam chamar pessimismo, eu que só provei um donuts na casa dos 20 anos e nem sequer gostei. Procuro esperar sempre o pior das coisas, o que acho bem melhor do que ser apanhada desprevenida (como tantas vezes).  Pergunto-me se sempre fui assim, e quase tenho a certeza que não. Pensando melhor, consigo ver na minha cabeça os dias, os momentos em que acontecimentos que poderiam ser insignificantes me foram tornando assim. As chamadas lições. Deixo de lado, como quando estou doente e deixo de gostar do que comi naquele dia, as roupas que usei nesses instantes, não sejam elas as culpadas de tudo o que acontece. O importante é encontrar um culpado para todos os males, saber quem deixou afinal um buraco no bolo que poderia ser perfeito. E para não deixar de lado aqueles de quem gosto e me magoam, vou atirando com as roupas para o fundo do armário. Bem mais fácil. Não poderiam ensinar-nos a viver apenas em livros e em filmes? Há mesmo necessidade de passar pelas coisas para aprender? Eu, contra todos os argumentos que me vão apresentando, acho que não. E não quero mais. Há que brigar por uns trocos, ofender por coisa nenhuma, magoar sem sentido, trair sem desculpa, estragar o que existe por um qualquer capricho? Há coisas pelas quais ninguém devia passar, nunca. Por isso, hoje, cheguei a uma conclusão. Chega de culpar o que não tem culpa, de fingir que não aconteceu, de tentar passar por cima depois do mal estar feito. Que pensem nele antes de o praticarem, porque já não tenho vontade de ignorar. Os cortes, como tudo o que é definitivo, assustam-me. Mas recuso-me a permanecer numa órbita sem sentido, em que aquilo que nos une, a mim e aos que me rodeiam, afinal não existe, ou só um dos lados consegue vê-lo. Se não existe, eu vou passar a conseguir vê-lo. Ou não tivesse eu esta tendência para ver apenas os buracos, o que falta. Será assim em tudo. Olho por cima do ombro para os últimos dias e não gosto de nada. E oiço quem me diga “então e isto? e aquilo? e o outro? Não sejas injusta!”. Mas eu sou assim, se uma coisa está mal, então eu estou mal. Se muitas estão mal, então o meu mundo também está. Que raio de teoria, dirão alguns. Mas tenho desculpa, digo de mim para mim. É que eu sou apenas a rapariga que vê o buraco onde todos os outros vêem um donut. E nem sequer gosta de comer aquilo que afinal existe.

Lá fora: "ninguém é prisioneiro de ninguém"
1 comentário:
De mina jesus a 16 de Abril de 2012 às 22:57
Muito profundo!beij

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