Sexta-feira, 29 de Julho de 2011

.'Bora lá

Conheci Londres há já muito tempo. Tinha acabado de chegar à escola nova, no 9º ano, quando a professora de inglês nos lançou o convite. Tínhamos tantas tarefas entre mãos (reuniões, angariações de dinheiro, convencer os pais, …), que achei que seria uma missão impossível. Quando dei por mim no avião ao lado do Tuto nem acreditei muito bem. Foi assim que me estreei nas viagens de avião, numa espécie de viagem de finalistas – eu, que era nova ali; com os colegas do 9º ano. Foi uma semana muito intensa. Ficámos divididos em casas de família e logo aí tivemos a primeira surpresa. Os colegas contavam-nos sobre as famílias divertidas que lhes tinham calhado em sorte, com pizas, idas ao cinema, passeios pela cidade. Eu e as minhas três colegas de casa engolíamos em seco: estávamos desterradas num sótão, com cancelas e cadeados em todos os andares, portas com três fechaduras e permissão para entrar apenas em três sítios: quarto, casa-de-banho e copa (nada de levar o prato para a cozinha depois de terminada a refeição, éramos brindadas com um olhar fulminante). Trancávamos a porta também, não fosse o filho da dona da casa – rapaz que se apresentou de toalha à cintura, sem pele que se visse entre tantas tatuagens e piercings, nos atacasse. Pior do que tudo isto era a comida. O nosso primeiro pequeno-almoço resumiu-se a um ovo cozido e uma caneca de chá ou café. Num dos primeiros jantares tivemos de mentir e dizer, no nosso inglês aflito, que já tínhamos comido qualquer coisa na rua: duas batatinhas cozidas às 16:00 (disse ela), uma fatia de queijo e uma de tomate não nos seduziram. E lá veio novo ralhete. Não sabíamos se devíamos chorar ou rir (não percebíamos metade do que dizia, era qualquer coisa como falta de responsabilidade, tinha ela preparado aquilo para nós às 16:00…). E fomos para o castigo, o nosso espaço – ou o único onde podíamos estar longe dela. De Londres recordo bem duas coisas: a amizade que cresceu entre todos, e a falta de sol. Não dava para fazer a fotossíntese, não dava para animar, era um céu carregado em cima de nós dia e noite (acho que ainda hoje vejo no céu de Londres a cara da senhora a ralhar connosco). Lembro-me da visita ao Sega World, da descida rápida num aparelho qualquer da Pepsi (tenho uma foto em que só não se vêem as minhas amígdalas porque já as tinha tirado), do porta-chaves que comprei com a minha fotografia, do vidro da montra que se partiu mesmo à nossa frente, do melhor cachorro que já comi comprado numa rua com modelos humanos nas montras a um senhor que adorava Lisboa, do dia em que deixámos a escola inteira à espera no comboio porque ninguém nos avisou que a hora mudava e ganhámos uma viagem a velocidades indescritíveis pela cidade com o guia, dos tops que todas comprámos iguais, da estátua dos leões a que subi para tirar uma foto para dar ao pai (e as dores que senti nos pés quando saltei de lá), da bola de futebol que uns senhores de barco na Serpentine nos devolveram (tenho uma foto no meu quarto nesse mesmo sítio), de um colega ter ficado para trás no metro e o pânico se ter instalado, de ter enjoado o McDonalds por ser quase a única coisa comestível. Mas, do que nos lembramos todos ainda melhor, é da noite passada no aeroporto. Ninguém contava com o acidente na auto-estrada, nem que o piloto não nos deixasse entrar depois do nosso pequeno atraso. Chorei nem sei bem porquê – talvez porque sou mesmo chorona, de mão dada com o Tuto, enquanto tentava ligar para avisar os pais. A verdade é que este talvez tenha sido o melhor momento de Londres: passar a noite naqueles bancos (confortáveis, não como os de Paris, onde se dorme muito mal – por experiência própria), tirarmos fotos uns aos outros a dormir de boca aberta ou em poses mais impróprias, ver a V. comer um Big Mac às 04:00 da manhã, fugir de polícias por jogarmos à bola nas escadas rolantes, tirar fotos em todas as máquinas disponíveis pelo aeroporto enquanto tivemos libras, marcou-nos mais, aproximou-nos mais. Fazendo contas, conheci Londres há 13 anos atrás. Está mesmo na hora de voltar lá. Depois do mau tempo, da greve dos senhores espanhóis, das ameaças da TAP, parece que é mesmo hoje. O roteiro está feito, quase todo gratuito. Já está tudo enrolado na mochila e os líquidos divididos pelos frasquinhos de 100ml, nada de bagagem de porão, porque tempo é coisa que nos falta e vale libras. Eu e o Z. voltamos ao ar hoje às 19:30. - Não saltes desta vez L.-inha!, diz-me o senhor Viseu enquanto me deseja boas férias. Não, desta vez é mesmo até Londres. ‘Bora lá.

 

 

Volto na terça à noite, e na quarta de manhã sigo logo para o Andanças, em São Pedro do Sul, até sábado, com um grupinho bem bom. Como me dizia o rádio do meu popó há pouco, “o que faz falta é animar a malta”. ‘Bora lá.

 

Deixo por aqui a banda sonora dos meus pensamentos dos últimos dias, que tem tocado em modo repeat aqui no estaminé desde que a A. anda a treinar para o concerto de logo à noite (aqui não temos acesso ao YouTube, peço desde já desculpa se as imagens que acompanham o som forem muito más ou pirosas):

 

7 comentários:
De limoeselimonadas a 29 de Julho de 2011 às 19:19
Oh L., foi tão bom recordar estes dias :) Adorei!
Ainda tenho no quarto uma foto nossa (Eu, tu , a V., a O. e Tuto) junto ao lago de Hyde Park.
Tão bom!

Diverte-te muito!

Bjs
A.
De L. a 11 de Agosto de 2011 às 12:45
Também tenho essa foto, estamos tão giros... :)

Adorei Londres desta vez, e regressei mesmo a tempo... Não está fácil. :(

Beijinho enorme com saudades,
L.
De .Entre o Aqui e o Ali a 30 de Julho de 2011 às 13:32
Foi para "sempre recordar, pois com toda a certeza não iremos esquecer tudo o que nos passou pelas mãos e pelos pés :)
Acho que se voltasse a encontrar aquela senhora, agora lhe contava uma das boas!! :)

Diverte-te.

Beijo grande
V.
De L. a 11 de Agosto de 2011 às 12:46
Eu procurei-a para ajustarmos contas, mas nem sinal da senhora... :)

O texto tem uma imprecisão - o teu top era diferente, tinha um coração. :)

Beijo enorme,
L.
De sandrafofinha25 a 1 de Agosto de 2011 às 16:14
ola tudo bem???? londres deve ser altamente. londres deve ser bue fixe. gostei do que escreveste. belo post. amiga eu este fim de semana fui para a covilhã,pormenores no meu blogue. mil beijinhos fofinhos,diverte-te bastante nesta super semana que começa hoje. um grande abraço!!
De Carlos Manuel Lopes da Silva a 11 de Agosto de 2011 às 12:17
Londres e outras cidades inglesas estão a passar por momentos dramáticos graças ao vandalismo de jovens mal formados e delinquentes.

É impressionante como pode existir tanto ódio em jovens e até crianças. Uma geração perdida.

Também gosto bastante de Londres mas era sítio onde não gostava de ter estado nestes últimos dias nem de estar nos próximos.
De L. a 11 de Agosto de 2011 às 12:49
Como uma amiga minha me dizia há uns dias, eu ando a fugir das coisas. O ano passado, depois de sair do Andanças, houve um incêndio enorme, e tiveram de retirar as pessoas de lá. Este ano, depois de sair de lá também, houve temporal... E em Londres é o que se vê. Não apanhei confrontos, só bom tempo, gente simpática e uma cidade que vale a pena conhecer...

*,
L.

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