Domingo, 17 de Abril de 2011

.O meu iPod

Esta semana obriguei-me a uma difícil tarefa, limpar o meu iPod. É quase tão difícil quanto mexer numa caixa das recordações. Há músicas que já foram preferidas um dia e deixaram de o ser depois de passarem para ali, mas que ainda consigo ouvir de vez em quando. Há as outras, as que nem a repetição me fez gostar menos delas e que estão ali sempre à espera de me provocar qualquer coisa. E aquelas que passo à frente sem pensar duas vezes. Há umas que já não ouço, mas que não tenho coragem de apagar, pelo que significaram um dia. Há as novas, as que já não sei quando ouvi pela primeira vez, as que consigo dizer quando as passei para ali. Há as que só oiço no máximo, as que me obrigam a pensar, as que não posso mostrar a ninguém. As que não ouço sem dançar, as que me obrigam a parar. Misturo as que servem de banda sonora para as lágrimas e para as gargalhadas. Misturo Kean com Quenn, fado com músicas de bailarico, banda sonoras de filmes com a da minha vida. Passei de 498 para 305 músicas. A banda sonora da minha vida vai mudando sem que eu perceba. Como eu. Ou não fossemos eu e o meu iPod uma e a mesma coisa – feitos das mesmas coisas, das mesmas músicas.

 

U know who I am (David Fonseca)

Gosto de algumas coisas, não de tudo. Nos tempos em que uma das amigas ainda era jornalista, fomos a um concerto no Convento do Beato, de convite na mão, com puffs laranja e coisas giras. Esperámos pela música do assobio e saímos de lá, um bocadinho enjoadas. Mas de vez em quando ainda me surpreende, como com esta.

“And when the world seems senseless

It's me and you against them

And I love you because you know who I am”

 

 

Rosa à Janela (Baile Popular)

Enquanto fazia a revista de imprensa, há já alguns meses, descobri este cd no meio do jornal. Ouvi e passei logo para o meu iPod. Faz-me lembrar os bailaricos da minha terra. Ontem fui a pé para o trabalho e dei por mim a dançar enquanto a ouvia, na rua das casinhas ao lado do campo de golfe, mesmo antes do monte de ervas de onde saem coelhos e perdizes enquanto eu passo.

“Não há rosa como ela na cidade

Nem nos campos donde vim

Agora põe-se à janela com vaidade

À noite à espera de mim”

 

 

La Noyee (Yann Tiersen)

É uma repetição, aqui no estaminé. E há-de ser. É a música da minha vida. Para os bons e para os maus momentos. Quando não sei o que ouvir (o que sentir), é esta que eu oiço – sem correr o risco de enjoos. Parece que o senhor vem cá no Verão, e a mana já me convidou para ir.

 

 

Amor (Ben E. King)

Não gostei do filme, mesmo sendo uma comédia romântica (Dia dos Namorados). Mas gostei das adaptações das músicas, e tenho quase todas aqui. Sempre que a oiço imagino-me a dançar com um vestido cheio de folhos e muita roda.

“Amor, amor, my love,

When you're away,

There is no day

And nights are lonely.

Amor, amor,

My love, make life divine,

Say you'll be mine

And love me only.”

 

  

Os Búzios (Ana Moura)

A turma da mana, ainda no secundário, organizou uma noite de fados. Nessa altura só tinha assistido a uma, por estar de castigo. Foi o Jorge Fernando que subiu ao palco para cantar todas as músicas da noite, e eu apaixonei-me por esta, escrita por ele. A senhora que me perdoe, mas gostei mais da versão dele. O problema é achá-la.

“À espreita está um grande amor mas guarda segredo

Vazio tens o teu coração na ponta do medo

Vê como os búzios caíram virados p’ra norte

Pois eu vou mexer no destino, vou mudar-te a sorte”

 

 

Let her go (Miss Li)

Gostei de uma música dela que ouvi já não sei onde e, vai daí, comecei a procurar mais. Houve uma altura em que me senti encaixar nela. Houve tempos em que nos encontrámos mais vezes, mas apagá-la é que não.

“She can't say, all the things she wanna say,

'cause there is always something in her way,

and always something there to keep her down, eh.

She can't do, all the things she wanna do,

'cause there is always someone there like you,

and holding her down and pushing her back, eh.”

 

 

Não sei falar de amor (Deolinda)

Não é uma das minha músicas preferidas de Deolinda, mas gosto, sobretudo, da letra. Devo ter quase todas as músicas deles aqui. Não tinha ainda ouvido falar do grupo quando o T. me enviou esta música – fá-lo tantas vezes. Esta sei porquê. Talvez por me conhecer tão bem e saber que eu também sou assim.

“E soubesse eu artifícios de falar sem o dizer

Não ia ser tão difícil revelar-te o meu querer

Timidez ata-me a pedras e afunda-me no rio

Quanto mais o amor medra, mais se afoga o desvario”

 

 

Saiu para a rua (Rui Veloso)

Um dia antes do concerto no Coliseu conheci esta música por acaso – liguei o rádio e estava a passar. E nesse mesmo dia entrou aqui.

“Saiu para a rua insegura… Vagueou sem direcção, 

Sorriu a um homem com tremura e sentiu escorrer do coração

A humidade quente da loucura.”

 

 

The Show (Lenka)

Era sábado de manhã, e eu tomava um pequeno-almoço tardio com a mana. Mudámos de canal pela milésima vez quando ouvimos esta, a terminar um programa cor-de-rosa qualquer. Gosto muito.

“I am just a little girl lost in the moment

I'm so scared but I don't show it

I can't figure it out

It's bringing me down I know

I've got to let it go

And just enjoy the show”

 

 

When the stars go blue (The Corrs)

Na música, tenho vários ódios de estimação. Não posso com U2, Evanescence, The Corrs, Coldplay. É engraçado que uma das músicas da minha vida seja cantada pelos manos Corrs com o senhor Bono Vox. Foi a G. que ma mostrou, quando fazíamos furos nos dorsais dos meninos numa prova de BTT na terrinha. Gostos não se discutem. Nem se explicam.

“Where do you go when you're lonely

Where do you go when you're blue

Where do you go when you're lonely

I'll follow you”

 

 

Laura (Jorge Palma, Diogo Infante, Lena D’Água)

Gosto tanto deste senhor (o primeiro). Apesar de ainda não estar refeita da espécie de concerto que ele deu no MusicBox, no dia de Natal. Fiquei ali, de pé, não sei quanto tempo depois de ele ter saído aos pontapés e murros na porta, à espera que ele voltasse e cantasse mais umas músicas. Não voltou. Gosto de muitas, desta muito mais.

"Todas as noites

É por ti que adormeço"

 

  

Runaway (Kanye West)

Esta é a menina dos meus olhos nos últimos dias. Ouvi-a um dia não sei onde, e só há pouco tempo a descobri. Está em modo repeat. Gosto da letra, da música, do vídeo. Tem aquela 'coisinha' que toca cá dentro. Às vezes, é só o que apetece. Runaway (fast as you can).

“And I always find, yeah, I always find somethin' wrong

You been puttin' up wit' my shit just way too long

I'm so gifted at findin' what I don't like the most

So I think it's time for us to have a toast

Let's have a toast for the douchebags,

Let's have a toast for the assholes,

Let's have a toast for the scumbags,

Every one of them that I know

Let's have a toast for the jerkoffs

That'll never take work off

Baby, I got a plan

Run away fast as you can”

 

 

Lá fora:

"Não posso ficar obcecado."

"Tiveste o conto de fadas e desististe."

"Sabes quando sentes que é o fim?"

"Pela primeira vez , não me deste os parabéns."

 

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2 comentários:
De Nomadsoul a 17 de Abril de 2011 às 20:33
Bom post.
Boa banda sonora de uma vida.
De Tiago a 1 de Maio de 2011 às 13:51
Só te mostro grandes músicas eu :)
Como vão as coisas contigo? Tudo bem..?

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