Quinta-feira, 10 de Março de 2011

.A minha Su.

A Su. é a minha melhor amiga. Tenho algumas melhores amigas, mas a Su. é aquela que tenho há mais tempo. Provavelmente conhecemo-nos desde o dia em que nasci. Gosto dela mesmo quando estamos chateadas. E sei que sou retribuída, mesmo sabendo ela tudo sobre mim. A Su., quando era pequenina, era mesmo, mesmo má. Não há ninguém que se tenha cruzado com ela que não tenha uma história para contar que envolva puxões de cabelo, dentadas, beliscões, entre outras aventuras de tortura. Eu tenho várias. Lembro-me do dia em que nos tiravam uma foto juntas – na impressão parece que está a abraçar-me, na verdade estava a tentar tirar-me um bocado. E há também aquela em que eu resolvi chegar ao pé dela e dizer-lhe: “já telefonei à minha mãe a dizer que me bateste”, e ela se sai com “então toma lá outra para não seres queixinhas”. Depois, quando cresceu, ficou boazinha de mais – tanto que dava vontade de agitar, mas acho que, finalmente, começamos a chegar a um meio-termo. Lembro-me da Su. desde sempre. Nas brincadeiras, na escola, nas primeiras saídas à noite, nos jogos de futebol, nas tardes de conversa, nas saídas do rancho, nos segredos. Temos tantas e tantas histórias juntas. Quando não havia Jardim-de-infância na terrinha, os nossos pais levavam-nos às duas – e ao termo da comida, ao da terra ao lado. Um dia a Su. engoliu a tampa de um marcador, e sempre que era altura de ir ao penico parava tudo na esperança de que ela saísse – foi um acontecimento. No ano passado partilhámos as nossas primeiras semi-férias – ela convidou-me para ir ao Andanças, e que bom que foi. Há coisas entre nós que não sei explicar muito bem – como o facto de, sempre que sonho com ela, acordar com uma mensagem dela no telemóvel. Desde que somos mais crescidas – desde que eu estou na capital e ela se fez ao Alentejo profundo, estamos menos vezes juntas. Mas isso não significa nada, porque sempre que estou com ela tenha a sensação que estivemos à conversa na véspera. Somos vizinhas no nosso Alentejo, e não é difícil encontrarem-nos em casa uma da outra – quase sempre a segredar à volta de uma mesa com comida. A Su. tem estado doente, e eu nem tempo tive para ir visitá-la. Ontem chegou uma mensagem a dizer que tem cobro, e eu, que pensava que isto era um mito ao nível das bruxarias, fiquei muito preocupada – porque foi diagnosticado por um médico. Hoje telefonei-lhe dez minutos para esclarecer tudo – parece que é uma espécie de herpes que pode aparecer a quem já teve varicela, e não é bom, e valeu-lhe a primeira baixa de uma vida. E eu senti-me mal – por estar sempre longe, sem tempo, sem mais bocadinhos para nos encaixarmos. E por isso já decidi que no fim-de-semana lá estarei, de bolo e flores na mão, para lhe fazer companhia e meter a conversa em dia. Porque há sempre tempo para os amigos. E a Su. é a melhor que eu tenho.

  

 

 

 

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