Terça-feira, 24 de Novembro de 2015

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Foi exatamente há dois anos. Eram 10:14 de um dia maravilhoso como o de hoje – frio, sol. E tu no meu peito. Naquele momento achei que não era possível amar mais, não era possível ser mais feliz. E aqui estás tu, dois anos depois, a mostrar-me que sim todos os dias. No outro dia, no Alentejo do pai, ao lado de um borreguito acabado de nascer e que já corria atrás da mãe e a percebia, comentávamos como a mãe natureza é inteligente. Mas somos diferente, nós e os animais – aquela mãe vê a cria sair pronta para a vida que vai encontrar. Nós levamos mais tempo. Um tempo que ainda assim parece curto para tanta coisa que já sabes fazer. Um tempo que ao mesmo tempo parece tão longo. Já? Como? Basta-me fechar os olhos para ainda te conseguir sentir na minha barriga. Como é que já andas aqui a correr a casa toda? A fazer riscos na parede. A saber as cores. A contar até 10. A dizer “xono” quando abrimos a boca. “Xixença” quando queres passar. A cantar e dançar como se o tivesses feito desde sempre (cantas os parabéns umas 20 vezes por dia!). A pedir “fáfavô” até para a maminha. A pedir “cáne” e “roz” todos os dias. A brincar às escondidas por todo o lado. A calçar os sapatos de toda a gente. A mexer nos animais todos. Dois anos, pequena Aurora. Não vou mentir: há dias maus. Dias de quedas, de febres, de hospitais, de perdas. Mas, juntos, vamos aprendendo a lidar com aquilo que a vida nos vai dando. Somos uma família, somos mesmo. E eu tenho um orgulho desmedido nela. Nem sempre, eu e o pai, fazemos a coisa certa. Nós sabemos – depois de o termos feito. Mas não há manual de instruções, e acredita que tentamos sempre dar-te o melhor: de nós. Todas as noites rezamos ao anjinho da guarda e pedimos para todos os meninos do mundo aquilo que, felizmente, hoje tens: um lar, uma casa, saúde, comida na mesa e amor. É isto que te tentamos dar todos os dias, é por isto que lutamos e acabamos por perder outra coisa que gostava de te poder dar ainda mais: tempo. Lembra-te sempre disto: fazemos o melhor possível com o que temos. Do pouco (tempo) fazemos momentos felizes que perdurem. É por isso que hoje, e porque a mãe se meteu numa aventura (que não terá bom fim por certo, mas há que tentar), foste para a escola. Saíste feliz, depois de passarmos juntos o minuto 14 das 10 horas, e eu fiquei a chorar. Queria ter-te aqui, perto de mim, no meu peito todo o dia, como há 2 anos. Mas daqui a pouco já vamos ter contigo: vamos levar-te o bolo que fizemos juntos ontem, com os livrinhos que tens para dar aos amigos, e depois vamos comemorar a 3, num momento só nosso. À noite, quando te for adormecer e fores só minha outra vez, provavelmente vou chorar de novo: de felicidade, de medo, de amor. Chama-se ser mãe. Parabéns, meu amor, minha pequena Aurora.

 

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1 comentário:
De Mina Jesus a 24 de Novembro de 2015 às 19:07
És fantástica!

Emocionante texto e sentido.

beijo Mina

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